Velhos bons tempos

junho 28, 2008 at 12:13 am 7 comentários

por EdSom

Mais uma sexta, mais uma vez hora de lembrar da época em que você comprava pão para sua mãe na maior boa vontade só para ficar com o troco (e quem saber jogar uma ficha ou duas no final da semana…). Depois de uma semana ausente, a coluna Velhos bons tempos retorna com uma história explosiva!

Cabuumm!

No final de 1991 (ou seria 1992?) eu e meus irmãos finalmente ganhamos nosso segundo console: um Sega Master System. O primeiro tinha sido um Atari, dado pelo meu pai, enquanto o console da Tec Toy tinha sido um presente da minha mãe. Dada a grande dificuldade financeira da nossa família na época, imagino que ele deve ter sido pago em 12 ou mais prestações, mas ela havia cansado de ver seus meninos do buchão pescoçando em locadoras ou mendigando videogames emprestados.

Outra marca da nossa dificuldade era a televisão que tinhamos. Era um modelo tão velho que na época já tinha quase 20 anos de uso. Embora fosse originalmente colorida, as cores já davam sinais de cansaço e o tubo de imagem já estava nas últimas, e virava e mexia a imagem ia reduzindo e distorcendo. Sem dinheiro nem para a assistência técnica, meu pai, metido a “entendido”, abria aquilo e tentava dar um jeito, resmungando que nem o Ursulão. Minha mãe, igual a esposa do personagem do desenho, gritava lá de dentro com seu jeito mineiro: “Larga isso, homem de Deus! Tu não entende nada disso. Uma hora dessa este trem explode na cara de todo mundo…”.

Teste

O nosso presente veio acompanhado de um cartucho: Golden Axe Warrior. O jogo era uma cópia descarada “versão alternativa” da Sega para o clássico Legend of Zelda da NIntendo. A jogabilidade tinha os mesmos elementos, e a foto acima mostra bem o estilo adotado. Para nós que não tinhamos acesso aos consoles da Nintendo, aquele jogo era o máximo. Sempre que sobrava um tempo nos intervalos das intermináveis novelas, lá estávamos os três tentado desvendar os labirintos e os mistérios do jogo.

Num belo sábado à tarde (o dia ideal para o filho das noveleiras, pois elas arrumam a casa a tarde e desocupam a televisão…), eu e meus irmãos estávamos quase fechando o game: tinhamos todos os cristais e íamos para a última tela. E a nossa televisão, como sempre, capengando. A expectativa era grande: os meninos (eu, o mais velho, tinha apenas 11 anos, enquanto os outros dois tinham 9 e 8 anos, respectivamente) vidrados na televisão, imersos no mundo do jogo, sem piscar nem conversar. E chegamos então na tela do último labirinto.

Nesta hora a imagem começa a tremer rapidamente, e um barulho alto começa a vir da televisão! Amendrontados pelas constantes mexidas do meu pai (que inclusive tinha “futucado” a TV de manhã) e pelas ameaças de explosão da minha mãe, num instante o que se viu foi menino correndo para tudo quanto é lado! Minutos depois, ainda com o coração palpitante, espiamos de longe a sala para ver o rombo. E lá estava a televisão e o videogame intactos, a tela incrivelmente boa, e a personagem no mesmo lugar que havíamos deixado. Intrigados com o acontecido, e com receio de novas ameaças de explosão, desligamos tudo e fomos ajudar minha mãe.

No outro dia, fomos de novo tentar zerar o jogo. Na mesma tela, tome tremor e barulho de novo. Na metade da segunda fuga, ponderamos o óbvio: aquilo era do jogo mesmo, o “efeito especial” da aparição do último labirinto…

E falam que os jogos de hoje é que são imersivos…

Comerciais de games

Esta época do Master System tinha outra coisa boa: passava comerciais de jogos na televisão! Para a criançada era uma maravilha: já sabíamos o que procurar na locadora na semana seguinte.

O que eu mais gostava era do comercial do Castle of Illusion. O narrador dizia, com uma ênfase no final da frase muito engraçada: “…bichinhos, docinhos que até pareeecem inofensivos…”, aludindo aos soldadinhos de chumbo e os doces que eram os adversários do Mickey Mouse naquele jogo (que era um bom jogo de plataforma, com ótimos gráficos, cores e animação, além de um bom desafio. Vale a pena conferir quem tiver oportunidade).

Aqui no Brasil infelizmente comercial de jogos é lembraça dos mais velhos. Nos outros países isso é uma realidade presente. Quem sabe um dia teremos novamente os games na grande mídia? Fica, como curiosidade, um link para o vídeo do comercial japonês do Legend of Zelda para o GameBoy original. Como diria o Ryunoken, bem bolado!

Até a próxima semana, se meu monitor não explodir…

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7 Comentários Add your own

  • 1. maxi2099  |  junho 28, 2008 às 1:57 pm

    Pois é, e tem quem ache que Eternal Darkness assusta os jogadores com aqueles efeitos de abaixar o volume ou desligar a TV.

    Responder
  • 2. Intentor  |  junho 28, 2008 às 2:19 pm

    Excelente história! Ri muito com a situação. E, como bem afirmou o mister maxi2099 aí acima, depois dizem que é só o Eternal Darkness quem dá sustinho com efeitos na TV…

    Responder
  • 3. Velhos bons tempos « Bem Vindo a WarpZona!  |  agosto 21, 2008 às 3:21 pm

    […] eu já contei anteriormente, tinhamos apenas um televisor velho em casa. Numa casa com tantas pessoas (além de nós sempre […]

    Responder
  • […] 01×02 – Cabuumm!: o segundo episódio fala do equipamento “explosivo” que eu e meus irmãos usávamos para nossa jogatina, e o texto extra versa sobre os saudosos comerciais de TV que apareciam os jogos da Tec Toy. Será que eles voltam com o Zeebo? […]

    Responder
  • 5. Velhos bons tempos « Bem Vindo a WarpZona!  |  junho 5, 2009 às 2:50 pm

    […] de costume, quando finalmente chegamos a era dos 8-bits, com o Master System dado pelo minha mãe, a indústria de games já estava vivendo a mais feroz batalha entre consoles já vivida: o […]

    Responder
  • 6. Lonios  |  junho 6, 2009 às 1:49 pm

    Bom,mês retrasado ví um comercial sobre o DS na TV…

    Responder
  • 7. EdSom  |  junho 6, 2009 às 3:24 pm

    Espero que com a vinda da Sony os comerciais de games voltem a nossa televisão.

    Responder

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