Velhos bons tempos

julho 5, 2008 at 9:04 pm 4 comentários

por Edsom
Trabalho duro

Mais uma semana se passa e você aí, no PC, tão cansado que nem consegue pegar no sono, se lembrando do tempo que o único futuro que te preocupava era o futuro do pretérito nas provas de português.

Mas mesmo nos bons tempos haviam alguns de nós que se preocupavam em se preparar para os desafios do amanhã, ainda que fosse num jogo…

Perigos

Depois de termos fechados do Golden Axe Warrior em 1992 (a aventura para tal feito foi relatado na coluna anterior…), eu e meus irmãos estávamos ansiosos para jogar “o jogo” de Master System: Phantasy Star. Hoje considerado um clássico da Sega, e um dos melhores RPGs já lançados, o jogo tinha ainda um encantamento extra para nós: a TecToy tinha lançado uma versão em português! Finalmente iríamos terminar um RPG entendendo a história!

Tela T�tulo

Aliás, vou me alongar um pouco na história do jogo, que é importante para o causo de hoje. No jogo, a heroína Alis jurou vingar a morte de seu irmão. Logo na primeira hora de jogo ela obtém o gato lendário Miau e, com a ajuda dele, liberta o poderoso guerreiro Odin. Juntos, por volta da segunda hora, se unem ao mago Noah para viverem grandes aventuras nos três planetas do sistema solar Algol. A mistura de elementos de fantasia medieval e equipamentos futuristas (enquanto o mago lança as tradicionais bolas de fogo, o guerreiro usava pistolas laser) dava um tom único à campanha das personagens. Havia ainda um elemento interessante: ao chegássemos ao nível 30 de experiência, recebíamos uma mensagem: você já está suficientemente forte. Isso evitava o que vemos em muitos RPGs atuais: batalhas fáceis contra os últimos chefes.

Gameplay

Eu e meu irmãos pudemos ter muitas horas de diversão com este grande jogo porque conseguimos trocar o nosso Golden Axe Warrior (que era um jogo meio raro por estas bandas) por uma cópia de Phantasy Star em português. Mas a nossa história começa mesmo 6 anos depois…

Já na faculdade, entre provas e trabalhos, conheci um grande amigo. Não vou revelar o nome dele (vou contar o milagre, mas não o santo), mas era gente boa demais: embora quase dez anos mais velhos que a maioria de nós, se dava bem com todo mundo, e gostava de card games, RPGs, filmes e quadrinhos. Era um cara da paz, nunca se irritava, ouvia todos com atenção e contava boas histórias.

Num papo entre uma aula e outra, conversando sobre videogames (estávamos na era Playstation), descobri que ele ainda estava na era 8 bits, e tinha um Master System em casa. Comentei que tinha um também, e que possuía o Phantasy Star. Ele enloqueceu na hora e pediu o jogo emprestado. Eu não recusei e no dia seguinte ele estava com o clássico nas mãos.

O empréstimo aconteceu no meu terceiro semestre. Passou o terceiro, quarto, quinto, sexto e chegamos finalmente ao sétimo. Como o curso de Matemática era porrada e não tínhamos tempo nem para dormir, imaginei que até então ele não tivera oportunidade de sentar para jogar o famoso jogo. Como eu ía me formar em breve, e sem graça de cobrar o empréstimo, joguei verde: “E o Phantasy Star? Gostou?”. Ele respondeu: “Massa demais!”, respondeu ele empolgado, “tô jogando direto”.

“Jogando direto?”, pensei comigo, “ele está com o jogo faz mais de 2 anos”. Perguntei: “Tá jogando desde quando, semana passada?”, pois se pegasse firme dava para zerar em uma semana. “Nada”, respondeu ele, “desde que você me emprestou”. Fique abismado. Já conheci muitos casos de patice, mas este era crônico. Pensei em ajudar sugerindo emprestar para ele o Guia Games, que era um livrinho de macetes, manhas e dicas, que destrinchava o jogo, seus segredos e seus mapas. Ele recusou, alegre: “não precisa. E que só ontem cheguei o nível máximo”. Fiquei sem reação. Ele continuou: “o jogo é bom, mas demora muito para evoluir.”. Questionei: “mas qual local você escolheu para evoluir?”. “Na praia, lógico!”, emendou ele. A praia era no primeiro cenário do jogo…

Sem jeito, continuei: “Você já pegou o Miau?”. “Ainda não, estou só com a menininha”, disse ele. “Mas ainda tem um guerreiro e um mago, além do gato”, expliquei. “Massa! Sabia que este jogo era muito doido!”. Eu, já sem paciência, disse: “Rapaz, tu deu mole demais. Agora você vai pegar as outras personagens e elas vão começar do nível 1 ainda. Você podia ao menos ter pego eles antes de começar a evoluir. Além disso, nesse jogo é fácil evoluir, não precisava perder este tempo todo!”. Afinal, o cara matou o mesmo mosquito que não valia nem 10 pontos de experiência nos últimos dois anos. Aí veio a clássica frase:

“É que eu queria me preparar para os perigos e desafios da aventura…”

Eu não sei vocês, mas eu vou indo para me preparar para os perigos e desafios de escrever a coluna da semana que vem…

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Todo mundo é um Crítico? Erro crítico! Tecnosoft, ela voltará (?!)

4 Comentários Add your own

  • 1. maxi2099  |  julho 6, 2008 às 10:50 pm

    Hahaha, isso foi pior que minha prima jogando, que fez 80% do jogo com as armas que você começava, já que ela não sabia equipar as outras, até eu ensinar ela.

    Responder
  • 2. Bruno Julião  |  julho 10, 2008 às 12:25 pm

    Caras… Infelizmente eu só consegui ler agora a matéria (excesso de trabalho)… Excelente!!!!
    :D
    A estória citada foi muito boa huauhuhaua O pior é q eu tb sou um dos q joga de maneira demorada hehehe Com certeza ele disse “jogando direto” mas o direto deve ter sido apenas nos finais de semana e umas 2 horas no máximo por dia…
    :D

    Mas a pergunta que fica é… Conseguiste pegar o jogo de volta?

    Responder
  • 3. EdSom  |  julho 10, 2008 às 12:40 pm

    Consegui sim, Bruno.

    Este jogo já me deu muitas horas de alegria como jogador e rendeu esta história e mais uma outra, muito parecida com esta e também engraçada, que vou postar aqui na sexta.

    Responder
  • […] 01×03 – Perigos: Um dos meus textos favoritos, relata a disciplina e o jeito “peculiar” de um grande amigo meu em lidar com os problemas e perigos, e como esta visão de vida o influenciou o modo de jogar dele. […]

    Responder

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