WarpReviews: Rockman 7-FC | PC

julho 28, 2008 at 2:32 pm 3 comentários

por maxi

Criado em 1987, Megaman gerou várias continuações, sendo inclusive uma das séries com a maior quantidade de títulos lançados, se não for a maior. Hoje, em 2008, já sabemos que a Capcom está trabalhando em um novo título chamado Mega Man 9, que terá os mesmos gráficos e jogabilidade dos títulos do robô azul em plataformas 8-bits, para a alegria dos saudosistas de plantão e terror de todos os outros que esperavam um jogo mais atual. Porém, a pouco mais de um ano atrás, um time de cerca de 4 programadores japoneses chamado Channel 2 teve a seguinte idéia: “E se nós pegássemos um jogo mais avançado de Megaman e transformássemos em um jogo 8-bit para comemorar o aniversário de 20 anos da série”? E eles fizeram isso. O escolhido foi Rockman 7 (Mega Man 7 japonês), que durante um ano teve vários betas disponibilizados pelo time até que no início deste mês teve sua versão final pronta.

E então você deve estar se perguntando “mas será que ficou bom? Será que a conversão não atrapalhou a jogabilidade?” A princípio, quase todo o jogo do Super Nintendo está ali (eu diria uns 90%), então, já começarei citando as diferenças. Mega Man 7 foi o primeiro da série a apresentar uma fase de introdução e uma intermediária após matar metade dos chefes, e por isso mesmo essas fases foram cortadas, uma vez que não existiam na época do Nintendo. Ao invés disso, você já começa com a opção de enfrentar qualquer um dos oito chefes do jogo, diferente da versão original, onde primeiro estavam Cloud Man, Junk Man, Burst Man e Freeze Man, e após a fase intermediária apareciam Shade Man, Turbo Man, Slash Man e Spring Man. E aí vem a dúvida de todos os exímios jogadores de Mega Man, que querem saber se a ordem em que você precisa enfrentar eles mudou. Eu diria que a ordem é a mesma, as armas que você adquire matando os 4 chefes que eram os primeiros do jogo original funcionam entre eles e o mesmo acontece com os 4 chefes secundários, mas o Channel 2 usou um recurso interessante que permite a você alterar um pouco essa ordem. Quem jogar vai entender.

Um outro “corte” que essa versão sofreu foi na loja do Dr. Light, que também não existia nas versões 8-bits. Como ela foi limada do jogo, alguns itens que eram direta ou indiretamente relacionados à ela também foram retirados, como os parafusos dados a Auto, o robô da loja, e o Rush Search. Consequentemente, a localização de alguns itens mudou, o que vai agradar alguns e chatear outros, mas de resto, tudo está ali. Você ainda terá o Rock Buster, o slide, Super Adapter (novamente dividido em 4 letras), entre outros, incluindo até mesmo o Proto Shield.

Agora chega um pouco de comparações e vamos ao jogo em si. Já aviso também que chamarei os personagens pelos nomes japoneses. A história dele é a mesma, vários robôs comandados pelo maligno, vil e desprezível Dr. Wily começaram a atacar a cidade, e somente Rockman pode parar os planos do cientista. Mas desta vez ele tem um obstáculo a mais, um misterioso robô negro chamado Forte, de arquitetura semelhante a nosso herói e que também possui um cão robô, Gospel.

E aí começa o jogo. As fases são recreações idênticas da versão 16-bits. Você vai encontrar o de sempre: inimigos que deixam recuperadores de energia ou de arma ao morrerem, plataformas que somem e aparecem, lugares onde um salto preciso pode dar continuidade à fase ou matar você, enfim. O sábio uso de todas as coisas disponíveis em seu inventário aumentará consideravelmente suas chances de chegar inteiro nos chefes. Os gráficos são muito bonitos, se levarmos em conta estar diante de um jogo 8-bit, provavelmente do mesmo nível ou um pouco melhores que os jogos da série até o sexto episódio. É interessante observarmos pequenos detalhes como o fato de que todos os inimigos foram recriados com sprites de acordo com esse jogo, ou por exemplo que a paleta de cores de Rockman é compartilhada pelos recarregadores de armas e pelas vidas, que mudam junto do personagem ao trocar de arma ou ao carregar um tiro.

A parte sonora também é muito bem executada, os efeitos e músicas também são recriações perfeitas das originais, porém todos com qualidade 8-bit. Chamo a atenção para o detalhe de que o pessoal do Channel 2 usou para criar as melodias o mesmo software usado em um jogo freeware chamado Cave Story, cujo nome eu não me recordo no momento, mas que avisarei assim que lembrar.

Vendo tudo isso, é inegável que você está diante de um Megaman de Nintendo, mas e a jogabilidade? Eu diria que ela também é idêntica aos primeiros jogos da série, o que prova que não é ela a culpada direta pelos fãs acharem os jogos subsequentes piores. Tudo está ali, desde os obstáculos dos cenários ao posicionamento de inimigos. As armas dos chefes tem os mesmos efeitos e funcionam bem ou mal para as mesmas coisas, inclusive para se descobrir os pequenos segredos presentes em casa fase. Pode-se dizer que a dificuldade do jogo é praticamente a mesma nas fases, porém as batalhas contra os chefes ficaram um pouco mais difíceis, com destaque para a luta final contra o Dr. Wily. Uma das reclamações dos fãs é fato de que os chefes foram ficando mais fáceis de serem vencidos com o tempo, o que provavelmente foi uma opção tomada pelo Channel 2 para melhorar um pouco isso. Ao atirar com a arma específica para matar eles, você terá apenas o chefe piscando invencível por um tempo, enquanto continua seus ataques para cima do herói, diferente do que acontecia em Mega Man X por exemplo, onde quando você disparava com essa arma, acabava paralizando o chefe e o deixando vulnerável a outros ataques, tornando os combates muito mais fáceis.

Mas o jogo ainda apresenta alguns problemas. Basicamente os programadores deixaram os controles sendo um botão para atirar, outro para pular, e outro para entrar no inventário, assim como no Nintendo. Porém, existem ainda dois botões para facilitar a nossa vida fazendo a troca de armas, que funcionariam como o L e R, e um botão reset. Só que os controles não podem ser configurados, sua única opção de jogo é no teclado e usando a terrível configuração escolhida por eles. Fica aqui a dica para usar o programa Joy2Key, que permite você usar o joystick para enviar comandos para o teclado. E outro problema que alguns podem não reclamar é o fato do jogo usar sistemas de password como nas versões 8-bits e até no próprio Mega Man 7 original, ao invés de um sistema de save. Portanto, prepare a caneta e papel na hora de jogar. Fora isso, o jogo funciona apenas em modo janela, tendo disponíveis três resoluções diferentes (a mais baixa é igual a do Nes), sendo que um fullscreen poderia ser adaptado para funcionar junto da maior resolução. Também ainda não temos um patch de tradução, uma vez que o jogo só está disponível em japonês, mas se você jogou a versão original não terá muitos problemas com isso.

Em resumo, podemos dizer que esse jogo é um trabalho profissional, uma vez que até mesmo a própria Capcom está fazendo outro Mega Man assim. Você praticamente tem aqui Mega Man 7 rodando num Nintendo e com jogabilidade intacta. A espera de pouco mais de um ano valeu a pena, e o próprio time do Channel 2 já disse estar interessado em fazer um Mega Man 8 também em 8-bits. Não perca tempo e baixe o jogo no site oficial deles, e o melhor, de graça. Basta entrar no seguinte endereço e clicar no link escrito “Ver. final”: http://www7.atwiki.jp/wakuwakusuru/pages/13.html

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Primeiro vídeo de Thunderforce 6 em movimento Zelda: Heart for the Hero

3 Comentários Add your own

  • 1. Mais demakes « Bem Vindo a WarpZona!  |  setembro 14, 2008 às 1:37 pm

    […] já viu nosso review de Rockman 7-FC, já viu o outro tópico sobre os demakes sonoros e também sobre uma certa competição de imagens […]

    Responder
  • 2. Rockman 8 8-bits « Bem Vindo a WarpZona!  |  novembro 11, 2008 às 11:07 pm

    […] vocês já viram aqui o review de Rockman 7-FC, e agora já podem conferir também o vídeo preview de Rockman 8 8-bits, um demake da oitava […]

    Responder
  • 3. Flávio  |  junho 10, 2009 às 11:41 am

    Os jogos de Rockman para NES 8 bits sempre foram os melhores na minha opnião.
    Estou muito contente com essas conversões para PC, ainda mais que não tenho os videogames atuais para jogar o 9.
    A movimentação do personagem e a ação do jogo parece que ficam mais dinâmicas em 8 bits.

    Responder

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