Velhos bons tempos

agosto 28, 2008 at 7:23 pm 10 comentários

por EdSom

Só mais uma…

Esta famosa expressão, usada em diversos casos, era muito conhecida pelos gamers da velha guarda, onde era usada para pedir para a mãe deixar jogar só a última (aquela que não chegava nunca…). A frase expressa a idéia de continuidade, a vontade de permanecer numa atividade agradável. Como para mim escrever a coluna Velhos bons tempos tem sido uma experiência prazerosa, resolvi escrever só mais uma…

Na coluna desta semana, vamos ver uma história sobre mentiras e verdades, que envolve fatos e personagens das cinco colunas anteriores.

O convicto

Como falei na coluna anterior, a maioria dos meus amigos de infância vinha de família humilde e tinha acesso difícil aos videogames. Dentre eles estava um famoso amigo meu, cuja forte personalidade e caráter faziam com que ele se metesse em cada confusão…


Ele era o mais novo da turma daquela época. Tinha, como todos nós, suas manias e seus gostos, os quais ele defendia com afinco. Sabendo que ele se exaltava quando criticavam suas preferências, os mais maliciosos se aproveitavam para irritá-lo só de sacanagem. E como ele era fã de Dragon Ball, isto rendeu a ele algumas dores de cabeça…

Sr. Satan

Um dos mais sacanas entre os amigos era o Minduim, e um dos seus esportes favoritos era perturbar a paz de nosso amigo. Numa certa tarde, em um roda de conversa, ele parou e ficou a observar o nosso protagonista. Depois de matutar uns instante, fez o sinal de V com a mão direita e falou “Cachorinho!”. Daí por diante chamar nosso amigo de Sr. Satan era perder a amizade… (legal era quando ele retrucava: “Eu não pareço o Sr. Satan! Só você, José, Maria, Pedro, Augusto, Thiago, Carla, Simone, João, Ricardo, Luiz, Leandro, Sandra, (mais um 20 nomes) que acham…).

Sr. Satan

Sr. Satan

E o mal de um sacana é que ele nunca sabe a hora de parar. Pouco tempo depois, em uma discussão acalorada com nosso amigo, Minduim queria de todas as maneiras provar que Dragon Ball não valia nada (ele mesmo assistia e gostava do desenho: o objetivo mesmo era pertubar nosso amigo). Enquanto caminhavam, cada um deles argumentava a favor ou contra, sem nenhum consenso. Já pelas tantas, nosso amigo saiu com aquele que seria seu trunfo:

“- Você sabia que o Dragon Ball é baseado numa lenda?”

E na velocidade que só os sacanas tem, o Minduim rebateu:

Akuma dando um protector

Akuma dando um "protector"

“- O problema é ser baseado em uma lenda? Então é só fazer um desenho do Saci dando “protector” que vai ser um sucesso danado!”

“Protector” era como chamávamos o chute giratório do Ryu e do Ken em Street Fighter II. Agora imaginem um saci dando um “protector”…

De 8 a 80…

Com a quebra definitiva da nossa televisão-bomba, resolvemos emprestar o nosso Master System para nosso amigo. Fã de RPGs, em especial da série Final Fantasy, ele perguntou: “Vocês ainda tem o Phantasy Star?”. Confirmei e emprestei o jogo junto.

E, como eu já relatei, Phantasy Star é o tipo de jogo que dava história. Depois de duas semanas perguntei para ele como estava o progresso, e tive a seguinte resposta: “Ainda estou juntando um milhão de mesetas para comprar o gato…”. Eu e meus irmãos caímos em gargalhadas.

Para quem não conhece, para obter a companhia do gato Miau, basta recusar a proposta de um milhão de mesetas (que é a moeda do jogo) do vendedor e então oferecer um pote que é encontrado logo na primeira cidade em troca. Acho que nem tinha espaço no contador de mesetas para um milhão…

Remake de Phantasy Star para PS2

Remake de Phantasy Star para PS2

Ele ficou aborrecido com as nossas risadas mas não desistiu do jogo. Mais uma semana e eu pergunto, gaiato: “Já comprou o gato?”. Ele ignorou minha chacota e respondeu, triunfante: “Já zerei!”. Fiquei na dúvida: “Como você achou o último chefe?”.

O último inimigo do jogo, Dark Falz, fica escondido atrás de uma parede secreta no último labirinto, e não há indicativo nenhum sobre o seu paradeiro. Ele falou: “Ora, atravessei a parede”. Eu insisti: “Leu isso aonde? No Guia Games?”. “Não, achei sozinho”, finalizou.

O papo acabou aí, mas ficamos, eu e meus irmãos, desconfiados da veracidade do fato: como alguém que queria dar um milhão de mesetas no Miau zerou aquele jogo?

À frente do seu tempo

Como seguista doente, sempre achei que a minha empresa favorita tinha saido da disputa dos hardwares por estar sempre à frente do seu tempo, exibindo idéias e conceitos ao mundo muito antes deles serem aceitos e popularizados. E uma destas idéias foi o jogo Sonic & Knuckles.

Sonic & Knuckles

Sonic & Knuckles

Aproveitando o sucesso da nova personagem apresentada em Sonic 3, a Sega lançou a seqüência que estrela os antigos rivais. A grande sacada vinha do fato que o cartucho do  jogo tinha um conector para jogos de Mega Drive, de modo que se fossem inseridos os jogos Sonic 2 ou Sonic 3 era possível jogar com o equidna nas versões anteriores!

Aqui foi uma sensação na época, e para mim mais um trabalho: a combinação Sonic 3 & Knuckles era uma saga para os fãs da série, pois era necessário fechar os dois jogos na seqüência, além de estágio extras acessíveis apenas nesta combinação! A dificuldade era imensa por conta das fases bônus onde estavam as esmeraldas: eram fases esféricas recheadas de bolas vermelhas e azuis, onde as primeiras significam derrota e as segundas tinham que ser coletadas para o prêmio. Ao tocar numa azul, ela imediatamente se tornava vermelha.

Imaginem o meu drama: como diferenciar os globos azuis dos vermelhos num Mega Drive preto-e-branco? E onde o nosso amigo entra nesta história toda?

O contador de histórias

Como no caso do Rocket Knight, trabalhei como um mouro, memorizando os estágios de bônus, descobrindo as esmeraldas por tentativa e erro, até fechar o jogo com Sonic pegando todas as esmeraldas. Aí vi a supresa do jogo, e não demorei para tentar fazer o mesmo com o Knuckles.

Depois de muito tempo consegui uns trocados com minha mãe e fomos à locadora para eu vislumbrar o jogo com todas as suas cores! A molecada da locadora foi a loucura naquelas quase quatro horas de jogo, e ficou surpresa com a facilidade com que eu passava dos estágios de bônus. Eles falavam e murmuravam entre si: “Este aí é ‘aviciado’!”. Depois de pegar as mesmas em preto-e-branco colorido não era lá muito desafiador…

Quando nosso amigo chegou a locadora, onde até trabalhou durante um tempo, todos comentavam sobre o inédito Hyper Sonic! Ele ficou meio descrente, mas com tantas testemunhas não tinha muito como duvidar. Depois que a meninada foi embora ele veio falar comigo: “É verdade mesmo esta ‘onda’ de Hyper Sonic?”. Falei: “É sim, e também tem o Hyper Knuckles e o Super Tails!”. Aí a incredulidade o tomou de vez: “Super Tails!? Porque não é Hyper como os outros então?” Tão acostumado com as sacanagens do Minduim, ele não podia tomar este fato como verdade sem provas. Falei com ele: “Estou dizendo a verdade. Assim que descolar mais uma grana venho fechar com o Knuckles, depois faço o Super Tails só para você ver!”. Fui embora e o deixei pensativo.

...e em preto-e-branco

Nos bons tempos não tinha a facilidade da internet, e os detonadores de revista eram lentos feito eles (na primeira vez que o Ninja Gaiden de NES saiu na revista Videogame, afirmaram que ele acabaria na fase 4-2; meses depois retificaram, dizendo que ia até a 6-2, enquanto na verdade vai até a 7-5…). Como ele confirmaria minha afirmação?

Como conversa de menino é videogame, ele não tardou em começar a comentar a existência do dito Super Tails, enquanto todo mundo retrucava dizendo que era mentira, e que ele era um contador de histórias.

Por minha culpa, ele ficou difamado.

Desfazendo o mal feito

Quando voltei à locadora na intenção de fazer o Hyper Knuckles, ele já estava pau da vida comigo: “Tu falou para mim do tal Super Tails e agora estão me chamando de mentiroso!”. Vi que ele não estava para papo e falei: “Calma aí! Senta aí que vou zerar este trem agora e te provar”.

Paguei pelas quatro horas e comecei. Ao pegar a sétima esmeralda, nada aconteceu. Daí ele ficou louco de raiva. “Sabia que era mentira sua!”. Se pudesse eu acho que ele me sentava a mão na orelha…

Hyper Sonic

Hyper Sonic

Enquanto ele me praguejava, eu continuei a jogatina. Como o jogo era muito longo e a maioria das pessoas não tinha nem recursos nem habilidade para chegar nas fases mais avançadas, ele foi ficando por ali para ver as novidades. Terminei o Sonic 3 e fui passando pelas fases relativas ao Sonic & Knuckles. O único comentário que ele fez foi: “Não sei para que ir nos bônus se as esmeraldas não valem nada para Tails…”. O problema era que ele não tinha me visto zerar com o Sonic.

No fim do dia ele estava radiante. Para todo mundo que chegava na locadora ele falava: “Eu vi! Eu vi! Existe mesmo o Super Tails! Eu falei e ninguém acreditava! Tome!”. O problema é que não haviam testemunhas do fato, e a descrição da personagem não ajudava muito. Perguntavam: “Como é ela então? Fica brilhando amarela como o Super Sonic? (achávamos que o Tails era fêmea naqueles tempos, pois era uma raposa…)”. Ele descrevia: “Não, mas ficam uns passarinhos em torno dela, que vão nos inimigos automaticamente!”. Um trem desses não podia ser verdade….

E ele continou com fama de contador de histórias por muito tempo…

*                 *                *

E a pior parte desta história: ele não gostava de mentir e sempre teve razão no que dizia. O Dragon Ball de fato é baseado numa lenda, ele zerou o Phantasy Star sozinho e existe mesmo o Super Tails…

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Novo Mega Drive roda jogos de celular! De-makes: de volta às origens

10 Comentários Add your own

  • 1. maxi2099  |  agosto 28, 2008 às 8:37 pm

    Não sei se acho pior pegar as esmeraldas com a TV em preto-e-branco ou achar a sala da Dark Force sozinho.

    Responder
  • 2. Ryunoken  |  agosto 28, 2008 às 10:03 pm

    Hahuauhaua, dois adendos na história: Na verdade quem “batizou” o nosso amigo com o apelido fui eu,estavamos ajudando na mudança de outro amigo, e enquanto ele carregava umas coisas, falei que ele era forte como o Sr. Satan ou algo assim… O Minduim gostou e só fez o papel de potencializador da coisa toda. O segundo adendo é sobre “a” Super Tails (também sempre achei ser fêmea…): eu era mais um dos que não acreditavam no nosso amigo, e até hoje nunca vi essa criatura…

    Responder
  • 3. EdSom  |  agosto 29, 2008 às 7:53 pm

    Obrigado pela correção, Ryunoken. Sempre achei que tinha sido o Minduim, pelo o que ele havia me contado. Para ver o Super Tails, veja o vídeo

    E Maxi, depois de ver seu comentário vi que eu posso ficar também com fama de mentiroso heheh ainda bem que tenho testemunhas do fato. Mas que parece lorota pegar esmeraldas em preto-e-branco parece! :)

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  • 4. Minduim  |  agosto 30, 2008 às 2:42 am

    Pois é realmente não fui quem inventou o infame apelido… hehehe
    Mas como vi que lhe caiu bem, aproveitei para acentuar um “pouco” mais está idéia, eu apenas a amadureci, e sempre incentivado por um quase cheerleader neste assunto, o nosso amigos Lex Luthor, ele vibrava quando eu fazia o V e falava “cachorrinho” olhando para o amigo dono do apelido em questão.
    Lex sempre foi um verdadeiro canalha, sempre me incentivando a zuar o nosso amigo, tudo bem que eu não achava ruim, mas ele contribuia bastante para as atitudes malévolas. Pois todos sabem que qualquer bom zuador não resiste a um incentivo né. Ele se divertia muito com essas coisas, e no dia do “Saci” este homem quando falei isso ele teve que se sentar no meio fio para rir e tentar respirar, pensei que iria ter um troço ali.
    Mas realmente foram épocas preciosas, sinto muita saudade de muita coisa desse tempo. Mas devo confessar que sinto uma saudade especial do nosso amigo… hehehhehe… Lembra jogando RPG? VÔ ATACA!

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  • 5. EdSom  |  agosto 31, 2008 às 11:32 pm

    O comentário do Minduim foi editado para preservar a identidade original das personagens :)

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  • 6. Koudan  |  setembro 2, 2008 às 1:24 pm

    hahahahahahahah Caraca, saudade desse tempo. Ah! Cachorrinho!!! O melhor de tudo, é que estava presente quando o apelido surgiu e na tal discussão. Muito bom. Melhor que isso, só super-nitendo.

    Responder
  • 7. Minduim  |  setembro 3, 2008 às 8:44 pm

    canaaaaaaaalha… hehehehehe

    Responder
  • 8. krycov  |  setembro 18, 2008 às 2:27 pm

    Rsss… este fato é somente mais uma pérola da minha época de mlk do buxão!!! bons tmps!!! Muito bom edsom

    Responder
  • […] 01×06 – O convicto: este episódio reune, numa história sobre verdades e mentiras, fatos e personagens de todos os episódios anteriores. Quem estaria dizendo a verdade? […]

    Responder
  • 10. Velhos bons tempos « Bem Vindo a WarpZona!  |  junho 26, 2009 às 1:30 pm

    […] ano, Krycov (o do Warp TV), Minduim (o irmão da Toinha) e o nosso amigo da primeira coluna, o convicto, começamos uma campanha de Golden Axe, mestrada por mim. Krycov representava o anão, Minduim o […]

    Responder

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