Tradução oficial: entrevista com compositores da versão arranjada da trilha de Mega Man 9!

dezembro 1, 2008 at 7:29 pm 1 comentário

Por Barry Burton

No mês passado publicamos a tradução oficial da entrevista com Ippo Yamada, o compositor de Mega Man 9, feita originalmente por Jeriaska para o site Siliconera.

Agora, uma nova entrevista saiu, dessa vez na GameSetWatch, tratando do disco de músicas remixadas, e temos orgulho de anunciarmos a tradução oficial e simultânea!

Esta nova entrevista conta com uma breve introdução ao álbum de IPPO – que atuou como produtor do disco – e uma conversa com os músicos convidados: Ryo Kawakami, também da Inti Creates, e Akari Kaida, que trabalhou em Breath of Fire III, Luminous Arc, entre outros. Divirtam-se!

GameSetWatch: Obrigado por se juntar a nós nesta discussão sobre a música de Mega Man 9 original e arranjada. Você poderia nos falar um pouco sobre seu histórico como escritor de músicas para a série Mega Man?

Ryo Kawakami: Eu sou Ryo Kawakami. Comecei a trabalhar para a Inti Creates em Novembro do ano passado. Escrevi músicas para alguns jogos antes de me ingressar, incluindo Mega Man ZX e Mega Man ZX Advent. Recentemente compus as músicas para Mega Man 9.

Continue lendo após o pulo!

GSW: Das músicas das quais você foi o responsável em compor para a série Mega Man, quais se destacam em sua memória?

Kawakami: Antes eu tinha escrito algumas poucas músicas, mas talvez a mais conhecida seja o tema de batalha de Prometheus e Pandora, “Trap Factory“, de Mega Man ZX e a “Trap Phantasm” de ZX Advent. Para o Mega Man 9, escrevi a abertura, o tema-título, a Wily Stage 1 e a Special Stage.

GSW: Alguma das músicas que você citou foi composta com a colaboração de outros músicos?

Kawakami: Essas músicas eu escrevi sozinho, apesar de ter recebido muitos bons conselhos.

GSW: De qual das músicas de Mega Man 9 você mais se orgulha?

Kawakami: Fiquei realmente feliz com a atmosfera que a Wily Stage 1 acabou tendo. O sol está se pondo, os trovões ecoando… tem alguma coisa do sentimento da Wily Stage 1 de Mega Man 2. Para a Plug man, eu queria que houvesse algo de eletricidade estática na música, tipo o som de alta freqüência na fase do Quick Man em Mega Man 2. Eu acho que acabou se saindo bem.

GSW: Quais foram as músicas com as quais você se envolveu na reinterpretação para a segunda trilha sonora?

Kawakami: Para o álbum rearranjado, remixei três músicas no total. A abertura e o encerrramento receberam arranjos em piano. Como descrever o remix do Plug Man? É meio que um rock progressivo eletrônico com teclado no primeiro plano e percussão ao vivo.

Akari Kaida: Sou Akari Kaida. Juntei-me à Capcom em 1994 e já escrevi para vários projetos, mas em se tratando de Mega Man, escrevi músicas para Mega Man & Bass, Mega Man ZX Advent e Mega Man Battle Network 1 e 5. Tornei-me freelance em 2005, e me juntei à trilha arranjada de Mega Man 9 este ano.

GSW: Você geralmente é creditada como Akari Kaida Groves. É seu nome formal?

Kaida: Sim, meu marido é australiano, então componho músicas sob o nome ocidental “Groves”.

GSW: Mega Man & Bass é um dos poucos Mega Man antigos não localizados para regiões de língua inglesa, vindo a receber um relançamento anos depois para o Game Boy Advance. Houve vários músicos que contribuiram com a trilha. Quais músicas foram as suas?

Kaida: Vejamos, acho que foram a Cloud Man, a Ground Man… e a Tengu Man, eu diria. Devem haver outras, mas é difícil de me lembrar.

GSW: Qual foi sua contribuição para a trilha arranjada?

Kaida: Para o álbum arranjado, Yamada-san sugeriu que eu escrevesse algo estiloso e fácil de digerir… algo meio europeu, tipo um scat vocal francês [N.T.: um tipo de música improvisada usando monossílabas sem-sentido, ou imitando instrumentos com palavras onomatopéicas]. O estado que eu estava tentando alcançar era o de preguiça e despreocupação. Porque alguns outros arranjos envolviam instrumentos eletrônicos, por comparação fui para um som mais acústico. Há um violão acústico lá, se você escutar com atenção. Foi divertido escrever.

Ippo Yamada: Sou Ippo Yamada, produtor e diretor de som da Inti Creates. Não me foquei muito em compor dessa vez, e escrevi apenas duas faixas no total – Tornado Man e o tema dos créditos. Eu realmente gostaria de ter composto mais, mas minhas mãos estavam cheias como produtor. Além de ter trabalhado no próprio game, produzi o álbum da trilha original juntamente com o da trilha arranjada.

Nós quisemos fazer algo diferente em termos de estilo de música, ao mesmo tempo que mantínhamos as características das originais, ou talvez preservar as imagens quintessenciais de cada estágio e robô. O arranjo da Magma Man é interessante. Magma Man reside em um vulcão, então a faixa apresenta um estilo espanhol apaixonante com um ritmo furioso. Pedi a Uchiyama-san, que trabalhou em Mega Man 8, para escrever um tema de dança que retivesse tanto as características da Tornado Man quanto a linha de melodia. Foi pedir muito pra ele, mas com certeza foi um ótimo trabalho.

Kaida: Essa é bem legal.

Yamada: Não foi surpreendente? Pareceu-me realmente novo quando a ouvi pela primeira vez. Toda a idéia por trás desse álbum arranjado é apreciar a música de uma maneira diferente.

GSW: O que você pode nos dizer sobre a criação da Inti Creates?

Yamada: A Inti Creates começou com onze empregados. Todo mundo se dividia entre trabalhar com a programação, desenhar personagens, planejar o enredo… era menos uma compania do que uma equipe pequena. Na verdade, era uma compania fundamentada em trabalho em equipe. Nós éramos jovens e desonsiderávamos o almoço, trabalhando 24h/dia fazendo games. Enquanto eu tinha adquirido experiência trabalhando com a Capcom, aqui eu estava envolvido em todas as áreas do processo de criação. Foi uma experiência enriquecedora. Nos certificamos da mais alta qualidade possível e tivemos muito prazer em investir tanta substância no jogo quanto nos foi possível.

GSW: A trilha arranjada para Mega Man 9 se difere de outros álbuns musicais feitos pela compania?

Yamada: Os álbuns anteriores da Inti Creates foram desenvolvidos com propósitos diferentes das da trilha arranjada de Mega Man 9. Das outras vezes, a trilha original não havia sido publicada, então, para lembrar os ouvintes da trilha original, mantivemo-nos presos aos intrumentos originais que utilizamos. Desta vez, no entanto, uma trilha original já havia sido lançada, então os remixes deveriam ser algo novo e diferente. Por essa razão, esperamos que as pessoas achem interessante comparar as duas versões.

Manami Matsumae de Mega Man 1 e 2 (também conhecida como CHANCHACORIN MANAMI) arranjou a Wily Stage 2 de Shimoda-san. Adicionando a essa faixa, BUN BUN [Yasuaki Fujita] de Mega Man 3 remixou o tema da Special Stage de Kawakami-san. Você pode imaginá-la como um tipo de faixa orquestrada no estilo Breath of Fire. Ela tem um som sinfônico e um espírito de luta. E então há Makoto Tomozawa, com quem trabalhei em Resident Evil e Mega Man 7. Ele arranjou a Wily Machine.

Depois disso há Luna Umegaki, uma compositora em Mega Man Zero. Ela providencia um arranjo tranqüilizante para o tema da Splash Woman. Nós também nos juntamos com um músico que não tinha experiência alguma com a série Mega Man. O guitarrista Toshiki Horizawa arranjou a Wily Stage 1 na forma de uma poderosa balada no estilo de Jeff Beck [N.T.: um famoso guitarrista inglês], estrelando uma bem colocada performance dramática. Nesse sentido, um bom número de artistas contribuíram com a variedade de estilos para o álbum.

GSW: Quando vocês começaram a se interessar por games?

Kaida: É difícil para mim me lembrar quais eram os jogos, mas eu jogava bastante enquanto estava no ensino fundamental, por volta dos 10 ou 11 anos de idade.

Yamada: NES?

Kaida: Sim! A era 8-bit. Provavelmente foi o mesmo pra todo mundo, mas eu comecei com Super Mario. Pra falar a verdade, eu nunca havia sonhado em fazer música de videogame. Eu jogava bastante, e adorava em especial testar jogos em meu PC. Foi apenas depois de entrar em uma escola de música que me ocorreu de isso poder ser um trabalho.

Yamada: Essa é uma história comum, porém. Em se tratando de mim, tinha a vaga noção de que queria criar música, mas não é como se eu tivesse essa noção insistente em criar game music.

Kaida: Não era seu objetivo.

Yamada: Game music é algo que você vê como entretenimento. Games são sobre a interação de ação e reação. O componente dramático da experiência precisa ser refletida na música.  Isso pode ser o que me atraiu para esse campo em primeiro lugar.

Kaida: É isso que acontece. É nos dado um certo tema para trabalhar, e descobrir como enriquecer a cena com aquele sentimento. Eu gosto desse desafio.

Yamada: Você também está trabalhando com dados [N.T.: no sentido de informática]. Se você se descuidar disso, as conseqüências podem ser devastadoras. Antigamente, não era como agora que você pode fazer música usando um Mac ou PC – você realmente precisava saber como programar. Você tinha que saber como compilar e decodificar dados e ser apto a discernir o que estava acontecendo com seu programa. Fazer música de videogame seria muito difícil se você não tivesse muita experiência prática nesses assuntos.

Kaida: Também havia limitação no tamanho, forçando você a pensar quanta informação poderia incluir antes de acabar ficando sem espaço.

Kawakami: A música dessa vez foi desenhada para que, mesmo se alguns dos sons sejam cortados graças à emulação das limitações do hardware 8-bit, a fluência musical não fosse interrompida. A música ainda soa bem, mesmo se um ou dois instrumentos forem interrompidos por efeitos sonoros de vez em quando.

Yamada: Sabe, nesses dias eu estava escutando a gravações em CD de Dragon Quest e Bomberman. Foi um choque: Bomberman usa uma única linha para toda a música!

Kawakami: Complicar a melodia algumas vezes distrai da gameplay.

Yamada: O truque é escrever uma linha de melodia forte que dirige a música para frente independentemente da perda de som em outras partes dela. A música de NES é bem particular nesse sentido.

Kaida: Esse jogo teve a intenção de imitar o NES, então os efeitos sonoros acabam cortando certas partes da música. Se houver outra chance no futuro, gostaria de explorar mais a fundo esse aspecto de composição.

Yukimasa Tamura, designer da Inti Creates, e os músicos Ryo Kawakami, Akari Kaida e Ippo Yamada. Fotos por Jeriaska.

Da esquerda pra direita: Yukimasa Tamura, designer da Inti Creates, e os músicos Ryo Kawakami, Akari Kaida e Ippo Yamada. Fotos por Jeriaska.

Confiram a postagem original em inglês aqui e em japonês aqui.

Gostaria de agradecer novamente ao Jeriaska pela oportunidade.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Adriano Nascifer  |  março 25, 2009 às 4:35 am

    Cara, eu sou muito fã dessa mulher!!
    Eu adorei o trabalho dela no breath of fire 3, cada nota e cada ritmo foram especiais. Eu ainda caso com ela.
    Quase não há informações sobre ela na internet. Ela parece que se esconde(espero que não de mim), as notícias são sempre iguais e relativamente velhas… Recentemente, eu encontrei o perfil dela no google, mas deve ser fake.
    Eu também sou fã da Yoshino Aoki, mas com ela eu não casaria não…

    Responder

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