WarpReviews: Fire Emblem Path of Radiance | GC

janeiro 16, 2009 at 3:02 pm 1 comentário

Por Barry Burton

Fire Emblem: Path of Radiance, para Game Cube, foi uma das minhas primeiras investidas em estratégia para videogames. Esse estilo era meio nebuloso pra mim, pois eu tinha uma má lembrança de ter apanhado lindamente da CPU em Shining Force e Ogre Battle na minha infância. Hoje já sou um cara mais acostumado, e adoro as séries Final Fantasy Tactics e Advance Wars. Vou compartilhar aqui o que senti em relação a esse específico título de GC, membro e representante tão raro de seu gênero no console.

Logo de cara você já se depara com algo bem bobo, mas que fará parte integral da experiência: seu baixo valor de produção. A abertura é feita com ilustrações pintadas pela talentosa artista Senri Kita, responsável pela arte do jogo de luta The Last Blade e algumas ilustrações da Capcom e SNK. Ótimas, sem dúvida, mas não deixam de passar aquela impressão de “não tivemos tempo/grana pra fazer todas as cutscenes em CG”. O que é ainda mais triste quando vemos a qualidade das mesmas, logo ao começar o game, com um cel-shading praticamente impecável, suave e muito detalhado. Infelizmente, por algum motivo, não puderam fazer cenas mais elaboradas, com mais personagens e mais complexas, o que com certeza seria uma adição muito bem vinda ao jogo.

Uma das belas ilustrações de Senri Kita presentes no jogo

Uma das belas ilustrações de Senri Kita presentes no jogo

Os gráficos simplórios são outra coisa que saltam aos olhos. Eles não são simples, porém estilosos – como Disgaea para PS2, por exemplo. São feios. Personagens com textura lavada, sem detalhes ou expressão, e modelos repetidos à exaustão. À exceção de alguns personagens principais, todos os aliados e inimigos compartilham o mesmo boneco, apenas com a adição/remoção de cores ou detalhes. Isso fica mais evidente quando você pega alguns personagens crianças e nota que eles têm o modelo de um adulto nas batalhas.

Algumas vezes nós somos presenteados novamente com as obras de Senri Kita, mas apenas em pontos onde a história tem seus pontos altos ou quando os gráficos do jogo não conseguiriam representar uma idéia de forma decente, como quando dragões levantam um navio encalhado. Apesar de ela também ter feito o design de todos os personagens, os diálogos e menus do jogo contam com desenhos inferiores. Não muito, mas seria bem mais agradável o trabalho original da artista.

Infelizmente, os desenhos ingame não são dela

Infelizmente, os desenhos ingame não são dela

A jogabilidade de FE é bastante simples, e não difere muito de suas versões antigas para NES, Super NES e GBA. Você tem três tipos de armas, que se enfrentam como em Jan-Ken-Pon: a espada leva vantagem sobre o machado, o machado sobre a lança e a lança sobre a espada. Isso por si só já adere ao pensamento estratégico do jogo, pois você vai pensar antecipadamente com qual personagem atacar qual inimigo ou se vale a pena deixar alguém na área de ataque de outro que tem vantagem. O mesmo funciona com a magia, que varia entre fogo, relâmpago e vento, com um “curinga” que é a luz. Para se curar, você tem à disposição alguns itens de cura e dois curandeiros. Sim, só dois, durante o jogo inteiro! Perdeu os dois, boa sorte.

Pois esse é um dos elementos mais interessantes e frustrantes do jogo: se um personagem morre, já era, bau-bau, foi pro saco. Isso pesa muito na hora de montar as estratégias. Afinal, não é muito legal perder aquele personagem que você está evoluindo há treze horas. Também adiciona um clima de tensão que raramente sentimos em um jogo, já que você pode perder algo de verdade. Mas por que isso é algo contra o jogo, também? Porque isso fez com que a IA da CPU ficasse predatória, e não estrategista. Não importa o grau de ameaça que seu cavaleiro ofereça, mesmo que em uma rodada dois inimigos juntos possam matá-lo: eles SEMPRE irão atacar o personagem mais fraco/com menos HP. Isso força você a montar uma estratégia que não visa pensar no inimigo como um ser pensante, mas como alguém que só quer matar os mais fracos.

Mas voltando ao jogo, para evitar que seus personagens sofram ataques em vão, existem dois comandos muito úteis: empurrar, no qual você projeta um aliado a um ou mais espaços de distância; e carregar, para que um personagem mais “pesado” possa levar um outro mais “leve”, tomando as devidas penalidades na movimentação. Esses dois comandos já salvaram várias vidas.

os gráficos não ficam muito melhor que isso.

Acredite: os gráficos não ficam muito melhor que isso.

As músicas, porém, são maravilhosas. Aproveitam-se do excepcional sintetizador do Game Cube de forma mais rica até que em Zelda Twilight Princess, e com composições que rapidamente encantam nossos ouvidos. Empolgam nos momentos certos, criando um clima de heroísmo no turno dos heróis e de perigo no dos inimigos. As cenas de diálogo ganham todo um clima. E elas ajudam – e muito – a não deixar o jogo ficar entediante, mesmo quando estamos fazendo coisas complexas como remanejar a tropa dentro da base. Os efeitos sonoros também cumprem seu papel, desde os passos das armaduras pesadas até o barulho de golpes e portas sendo destruídas. A dublagem americana, porém, é um pouco sem vida e por vezes pedante, mas há tão poucas cenas dubladas que isso não incomoda tanto.

A história de Fire Emblem começa bem simples e um tanto cliché. Você é um filho astuto, responsável e com pavio curto de um (overpowered) líder mercenário, que o está treinando para ser seu sucessor. Só que isso acontece antes do que todos esperavam. Você tem que cuidar de sua irmãzinha caçula que é super caridosa e fofinha, além de manter as boas relações com os maiores representantes de seu continente, enquanto tenta deter um rei que ficou maluco e sedento pelo poder. Há o Cavaleiro Negro que cria uma rixa com seu personagem, os generais inimigos super estilosos e maus e seus aliados sempre confiáveis. O jogo também apresenta os laguz, uma raça meio-homem/meio-criatura que são discriminados pelos homens (chamados por eles de beorc) por serem considerados sub-humanos. Mas nada é o que parece.

Pois assim, parece uma história comum. E é. Mas ela é contada maravilhosamente bem. Os diálogos são muito bem escritos, os fatos e reviravoltas acontecem no momento certo e os personagens têm vida e personalidades distintas entre si, mesmo os mais insignificantes. Até mesmo os vilões têm seus motivos secretos e todos são muito verossímeis, nunca partindo para uma desculpa esdrúxula ou lugar-comum. O final, apesar de deixar algumas pontas soltas, não decepciona, e deixa claro que uma continuação (Radiant Dawn, para Wii) seria iminente.

E fora das cenas de batalha são ainda mais pobres

E fora das cenas de batalha são ainda mais pobres

No campo de batalha, há quatro facções possíveis: seu time, azul, feito de todos os personagens que você pode controlar; aliados, amarelo, de personagens que você tem apenas um leve controle, podendo ordenar por exemplo a ir pra tal área ou ficar na defensiva; inimigos, vermelho, de coisas pra matar; e neutros, verde, que geralmente ficam parados ou atacam os inimigos, e algumas vezes entram para o seu time se você conversar usando o personagem certo.

Por falar nisso, há vários personagens extras no jogo, alguns muito bem escondidos e outros que entram no seu time automaticamente no decorrer da história. Todos eles são muito bem vindos e têm seus motivos, além de personalidade própria (nada de Chrono Cross ou Suikoden aqui).

Personagens bem interessantes são os já citados laguz, pois eles funcionam de uma maneira diferente dos demais. Eles possuem uma forma humana, geralmente fraca, e uma animal, forte. Mas eles só podem se manter transformados por um curto período de tempo, adicionando uma outra camada de estratégia na hora de posicionar personagens e planejar ataques.

Há, porém, um grande desequilíbrio entre as classes. Os cavaleiros, por exemplo, são muito mais rápidos, mais fortes e andam muito mais espaços que qualquer outra classe. Os magos demoram tanto pra evoluir suas magias que você tem a sensação de estar sendo obrigado a evoluir, e quando eles finalmente estão poderosos a magia é escassa e você provavelmente terá outros personagens de ataque direto tão bons que nem precisará deles.

Os bosses de cada estágio, infelizmente, só podem ser vencidos ou pelo personagem principal ou por algum outro cara que esteja em um nível muito alto. Do contrário, prepare-se para no damages constantes e mortes instantâneas indesejadas. Eles raramente requerem alguma estratégia, só seja mais forte que eles e pronto.

As CGs, no entanto, são muito bem trabalhadas em cel-shading

As CGs, no entanto, são muito bem trabalhadas em cel-shading

Entre as lutas, você tem controle sobre o remanejamento de seu exército. Você pode ensinar novas habilidades, distribuir experiência ou fazê-los conversar entre si, para que ganhem confiança na hora da luta – e seus atributos aumentem. Há vários pequenos detalhes, como o humor de cada um pode afetar seu desempenho no dia, algumas habilidade fazem com que seu personagem sempre ataque primeiro ou consiga passar despercebido.

Outra coisa que talvez incomode um pouco é que chega uma hora que o jogo se torna um padrão: resumo da história, título, diálogos, remanejar seu exército, diálogos, luta, diálogos. Repete. É cansativo, pois pouquíssimos capítulos apresentam algo diferente – como um que se divide em quatro sub-capítulos e outro com uma (empolgante) luta extra.

Fire Emblem: Path of Radiance é um bom jogo. Tem vários elementos de estratégia muito interessantes, mas falha em alguns pontos, como, por exemplo, na IA que está mais preocupada em matar seu curandeiro que está escondido atrás das montanhas do que se juntar em cima do cavaleiro para acabar com a ameaça. Os gráficos não cumprem seu papel, mas também não são horríveis. Há algumas belas CGs e excelentes ilustrações de Senri Kita, uma das artistas mais competentes do ramo dos videogames. As músicas seguram a onda muito bem, todas orquestradas e melodiosas. A história é muito bem escrita e os personagens são carismáticos o suficiente pra você querer acompanhá-la. Se você gosta de estratégia, vale uma conferida!

Ike: "À batalha, homens!" Homens: "U-hul, Nancy, continue dançando assim!"

Anúncios

Entry filed under: Random, Warp Reviews. Tags: , , , , .

Arte de Quinta – iSnake Outro “empregado” da Sega solta a língua

1 Comentário Add your own

  • 1. Luna Ishtar  |  janeiro 16, 2009 às 9:59 pm

    Review muito bom mas depois que eu li a última frase até esqueci o que ia comentar =P.
    hahauah pior que olhando bem a artwork é bem assim mesmo XD

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


warpfeed

WarpStats

  • 558,787 hits

Warptwitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: