WarpReviews: Contact | DS

janeiro 30, 2009 at 3:22 pm 4 comentários

Por Barry Burton


Para falar de Contact me abstenho de falar de qualquer outra coisa levando o nome de Suda “51” Goichi (Killer 7, No More Heroes e Flower, Sun and Rain). Afinal, não há nenhuma semelhança entre suas outras obras com essa. Nada. Referêcias culturais esparsas. Roteiro burro, lento e pouco criativo, não-intencionalmente confuso. Vazio. Personagens sem carisma. Arte passável. Músicas insignificantes.

Mas nada disso teria importância se o jogo fosse bom e/ou viciante, certo? Pois bem. Ele parte de uma premissa muito, mas muito interessante: um professor alienígena (chamado Professor), o qual tem tudo à sua volta como em um jogo de transição da era 8/16 bits, faz, sem querer, contato com você através do DS. Sim, você, jogador! E lhe faz várias perguntas que iriam, mas não irão, influenciar o resto do jogo. Ele é atacado (em uma sequência de sprites muito mal feitos) por outra nave (ou coisa) e cai em um planeta qualquer, o lado de um garoto chamado Terry. Ele pede ao garoto que o ajude a achar uns pedaços de coisas que são o combustível de sua nave, e Terry, inexplicavelmente, aceita. Mas o ponto é que ele só PENSA que está agindo por conta própria, mas é VOCÊ quem o está guiando pelo DS. Legal, não?

Porém, isso só é citado novamente lá perto do final do jogo, quando Terry assim o percebe, contando com uma resolução muito chinfrim, diga-se de passagem… do tipo “Vamos lá!” “Nunca! Nem que me arranquem a pele e me atirem nas profundezas do Inferno!” “Por favor, eu insisto!” “Ah, tá bom”. Sim, durante 19 das 20 horas de jogo, “ser controlado” jamais é levado em conta. E que história porca. Tem horas que você não entende nada do que está acontecendo. Os personagens e “vilões” têm falas insignificantes e clichés, os motivos de cada um variam entre o absurdo e o inexistente, as ilhas pelas quais você viaja não possuem relação alguma umas com as outras, sendo apenas desculpas para variar (pouco) os ambientes do jogo, além de deixar o mundo sem vida e sem explicação. Tudo no jogo é desconexo. Aliás, se a comida que EU menos gosto é pimentão, porque diabos é o TERRY quem não gosta de comê-la?

Os gráficos não são péssimos, mas são muito fracos. Os personagens têm pouquíssimos quadros de animação, e os “efeitos especiais” são ridículos. Magia de pedra? Um sprite cinza redondo que parece um cuspe. Fogo? A arma do Fire Man em Mega Man 1 era muito mais impressionante. Golpe Especial de Espada? Dupliqe a animação da espadada normal. Os coadjuvantes se repetem até dizer chega, os três chefes (sim, TRÊS!!) são muito mal-feitos e parecidos entre si, e todos os outros combates mais difíceis se resumem a enfrentar os membros da gangue inimiga, que não são muito diferentes graficamente dos aldeões. Aliás, várias vezes eu confundi os personagens do jogo.

Há, sim, algumas pouquíssimas referências à cultura pop, como no estágio do prédio nerd no qual você “joga” Gauntlet e Rally-X, mas que não passam de dungeons normais com gráficos toscos. Vai por mim, se você leu dois ou três reviews de Contact pela net, já sabe de TODAS as referências que ele faz.

A jogabilidade é praticamente inexistente. Ela se resume a fazer seu personagem andar e, esporadicamente, soltar um golpe especial. Entediante. Ele ataca cadenciadamente de acordo com sua agilidade. Quando apanha, ganha HP e Stamina. Se lê um livro, aumenta Intelligence. Igualzinho a Diablo. Poderia ser interessante se você tivesse CONTROLE. Mas não, é obrigado a assistir a um combate totalmente automático e mal-feito, algumas vezes dando alguma coisa de comer pra recuperar HP. Ah, é, e ele tem um LIMITE DE COMIDA. Faça-o comer muito e ele não pode comer mais nada, durante alguns minutos. Isso porque cada comida dá um bônus em algum atributo, e o jogo faz isso pra você não roubar dando muita comida. É ÓBVIO que ninguém gosta de ficar parado esperando ele cag… digo, esvaziar seu estômago por muito tempo, por isso você irá se ver preparando somente poções na cozinha, pois elas não enchem a barriga, enquanto seu imenso restante do inventário ficará às moscas.

Mas o pior mesmo do jogo é a não-evolução. Você terá 7 roupas com elementos diferentes e 3 tipos de arma com 8 golpes cada, além de trocentos atributos para evoluir durante o jogo. Só que é IMPOSSÍVEL! Eu usei apenas UMA roupa no jogo inteiro, e aprendi só 4 golpes dela! E isso porque eu já começo com um e outro eu ganho no decorrer da história! Ridículo? De arma, tive 3 golpes. Qual é? E eu estava poderoso no final do game: inimigos mal me acertavam, e por várias vezes eu PAREI PRA GANHAR EXP E DINHEIRO!

E ainda por cima há bugs! Certa vez, meu personagem passou a atacar sem parar os inimigos, causando dano tão rápida e repetidamente que eles nem revidavam. Também já fiquei preso no cenário! E outra, que não é bug, mas com certeza não estava no projeto original: é permitido matar gente inocente da vila, mas saia da tela e volte que eles estarão lá de novo. Eu suei frio da primeira vez, pensando se valia ou não matar um inocente que bloqueava uma porta, só pra descobrir, quando voltei, que ele estava lá de novo. O karma que você perde fazendo isso é facilmente recuperado se você matar 3 cobras. Aff. E que inimigos sem inspiração… caveira, cobra, geléia, cubo… Mais genérico, impossível.

Você tem 3 profissões: Cozinheiro, Pescador e Ladrão. Cozinhar ajuda para se terminar o jogo. Pescar e Roubar não.

Enfim, passe longe desse game. É frustrante. Disseram por aí que “se você está afim de uma experiência diferente, jogue”. E eu estava. Mas fala sério! Esse jogo é feio, bugado e irritante! A história é prepotente, mas não vai a lugar algum. Alguns ousaram comparar com Earthbound, mas de semelhança é SÓ O SPRITE DO PROFESSOR! Sem contar que fiquei fissurado na idéia de ir para o planeta 8-bit do Professor, mas não existe isso! O final é completamente anti-climático, apesar de resolver alguns pontos, deixa muitos outros pra lá, além de ser um do tipo “Ué? Foi a última dungeon?!”. Não vou nem perder tempo comentando as músicas genéricas e completa ausência de vozes (não, aqueles grunhidos devem ser sintetizados). De diferente nele, só a qualidade – que é péssima.

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4 Comentários Add your own

  • 1. felix  |  julho 21, 2010 às 2:39 pm

    é o grafico é um coco…..

    Responder
  • 3. Red  |  julho 27, 2010 às 6:59 pm

    Feio? Hmm… eu achava o contraste daquele fundo de foto interesante… mas no resto é meio tudo igual…
    Aliás, você falou mal das músicas… cara isso deve ter sido o mais legal que eu achei no jogo! Claro que não todas, mas. Não gostou do tema? Da posição de luta? De alguns lugares? Dos créditos?
    Mas emfim, o jogo é vazio mesmo. Podia ter gastado essas horas com outras coisas….

    Descobri o site agora, vou dar uma navegada por aqui hehe.

    Responder
    • 4. Rafael "Barry" Ventura  |  julho 28, 2010 às 2:09 pm

      Pois é, há umas duas ou três cenas renderizadas que são bonitas, mas no geral o jogo é bem feio. E sinceramente não me lembro de nenhuma música do jogo. Isso é um mal sinal =]

      Bom, obrigado pela visita e divirta-se pelo site! Temos muito conteúdo!

      Abraços!

      Responder

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