Novos bons tempos

abril 19, 2009 at 3:03 am 11 comentários

por maxi

Como não vivemos apenas dos velhos bons tempos (nada contra o tópico do Toe Jam!), estou aqui para contar um caso que aconteceu comigo recentemente (para ser mais exato, aconteceu hoje ainda no horário de Brasília). E antes de prosseguirmos, sim, a conversa é sobre Street Fighter e envolve o Zangief.

Para quem não sabe, hoje aconteceu o primeiro dia do Anime Festival Party 2009 em Belo Horizonte, que é um dos eventos genéricos de anime que fazem ao longo do ano para ganhar dinheiro em cima dos otakus, já que próximo do final do ano acontece o verdadeiro e tradicional Anime Festival, que apesar de também não ser nada excepcional, costuma ter mais coisas para fazer que esses outros espalhados. No entanto eu, que ultimamente só costumo ir nesses eventos para jogar contra o povão em torneios ou freeplay de jogos de luta, resolvi ir nesse mais para reencontrar com um colega meu que já fazia algum tempo que não via do que qualquer coisa.

Após sairmos do metrô e fazermos uma longa caminhada de 40 minutos da estação Central até o colégio onde tradicionalmente ocorre o evento, e após uma volta no quarteirão e duas outras dentro do shopping procurando um local onde pudéssemos comprar alguma coisa para comer, finalmente adentramos no AF. Pouco tempo depois disso, damos de cara com uma série de projetores com pessoas jogando Street Fighter 4 no 360, Naruto no PS3 e Smash Bros no Wii. Como eu já sabia que não daria mais tempo de entrar no tradicional campeonato de Street Fighter 3 que um grupo lá realiza em todo evento (e que é tão tradicional que eles só jogam esse mesmo jogo a anos), decidi arriscar uma partida no Street 4, que até então eu apenas havia visto, mas não jogado.

Depois de uns 10 minutos em pé na fila, finalmente chegou minha vez de continuar em pé, porém jogando o jogo. Resolvi escolher E. Honda, meu personagem favorito da série tanto no SF2 quanto no Alpha 3. Como o controle do 360 é uma porcaria completa para jogar jogos de luta, demorei um tempo para perceber que seria mais efetivo jogar no direcional analógico do que no digital, mas acabei percebendo isso tarde de mais, e já havia perdido os dois rounds deixando meu oponente com mais da metade da energia. Mas mesmo usando o analógico, ainda estava muito difícil de soltar os golpes do lutador de sumô.

Dando um tempo aos jogos, rodamos o evento para ver o que tinha, ainda sem saber o porque fiz isso, já que todo ano tem as mesmas coisas (acho que a esperança é realmente a última que morre). Descansamos um pouco as pernas, e eu fiquei com vontade de tentar outra partida. Desta vez eu jogaria com o Zangief, pois além de  minha experiência com personagens “jamanta”, teoricamente os golpes do russo seriam mais fáceis de soltar no direcional analógico do que os do E. Honda. E  eis que volto para a fila do jogo, sobre reclamações do meu colega que não estava a fim de enfrentar fila e nem de jogar, pois segundo suas próprias palavras ele é ruim (reparem bem que não sou eu quem afirmo isso :P)

Mais uns 10 minutos se passam e novamente é minha vez de segurar o controle do 360 em pé. Meu adversário seria um cara que estava jogando com o Ken desde que cheguei e  ninguém tirava ele. Dois rounds depois ele estava entregando o controle para outra pessoa.

As lutas foram passando e eu ia enfrentando diferentes personagens que, se minha memória não falha, foram Chun-li, Rufus, Vega, Sagat, Abel e um punhado de Kens e Ryus. Eu sabia que os personagens foram reequilibrados para SF4, mas fiquei meio impressionado com a velocidade do “shouryuken” do Zangief nesse jogo, que é aquele golpe da palmada de energia. Depois de 11 vitórias seguidas e sem um único round perdido, com meu colega já reclamando que as pernas estavam doendo de tanto ficar parado ali (e eu não tiro a razão dele, porque as minhas também estavam), eis que eu entrego de livre e espontânea vontade o controle para outra pessoa na fila e vou para outra parte do evento descansar.

Uma vez que já estava meio tarde, meu colega resolve ir embora e nos despedimos, mas eu fico para assistir junto de meus primos (Barry incluído aí) a apresentação dos cosplayers, que nesse evento até capricharam (Ultra Seven FTW!, pena que ele deu bobeira e não se apresentou no palco :P). Depois disso, voltamos para a área dos projetores e eu tento uma última partida em Street Fighter 4 antes de minha carona chegar (o pai do Barry).

A queda do gigante vermelho (e infelizmente não falo da U.R.S.S.)

Quando chega minha vez, o cara que tinha acabado de perder me vê chegar e comenta algo do tipo “Nossa, o cara do Zangief voltou! Agora é outra rodinha em todo mundo…” enquanto que o outro que ganhou, ironicamente com o Zangief, resolve mudar para o Guile.

Novamente eu ganho os dois rounds seguidos, mas desta vez com a diferença que a luta foi difícil para burro. No segundo round eu cheguei a pensar que perderia feio, pois meu adversário já havia arrancado mais da metade da minha energia e eu mal havia encostado nele, mas acabei levando a melhor. E eis que surge meu segundo oponente, que escolhe o Ryu. Na hora eu pensei algo do tipo “ah, se ele escolheu o Ryu deve ficar nessas sequências clássicas de personagens que soltam Haduken”.

E lá se vai o primeiro round. Eu suei frio mas acabei perdendo com ele também já no fim da energia, pois me deu um Shinkuu Hadouken que eu burramente defendi ao invés de tentar desviar. No segundo round também passamos apertado, era praticamente olho-por-olho e dente-por-dente a cada golpe, até que em fim ele já estava com um cabelímetro de energia e eu com mais ou menos um dedo. Eu pensei que bastaria encaixar um “shouryuken” que, mesmo defendendo, ele perderia pela energia baixa, assim como fiz no primeiro round. E aí estava o problema, pois eu não consegui acertar mais nenhum golpe, enquanto que ele se aproveitava de cada deslize meu para acertar chutes e socos fracos até eu cair no chão.

Essa foi minha última partida do dia, e vou deixar aqui uma breve opinião sobre o jogo. Depois que eu ganhei as 11 lutas seguidas, eu fiquei pensando que, ou o pessoal jogando ali era amador em Street Fighter, ou eles estavam apanhando mais feio para o controle do 360 do que para mim, ou o Zanguief havia ficado muito desequilibrado nesse jogo. No entando, depois das minhas duas últimas partidas, eu tive a impressão que o jogo realmente está bem equilibrado, e que a segunda leva do pessoal que foi para lá jogar havia saído da sala do torneio do Street 3, daí o motivo das lutas terem se tornado tão difíceis.

No entanto, minha opinião sobre a jogabilidade em si continua a mesma que eu costumo comentar com algumas pessoas. O nível de equilíbrio se dá em dificultar os golpes que eram relativamente fáceis de se soltar com alguns personagens (por exemplo, o Akuma), e facilitar outros que eram difíceis (como no caso do Zangief), ao contrário de simplesmente aumentar ou diminuir o dano que eles causam ou dar golpes novos para alguns lutadores. Isso, junto da completa falta de novos movimentos que poderiam fazer SF4 se diferenciar de outros jogos de luta, tirando o Focus, que eu não tive a oportunidade de testar nessas lutas, deixam SF4 com uma jogabilidade muito parecida com a de SF2, que é boa mas já está mais que ultrapassada.

No entanto, como a Capcom sempre fez e sempre fará novas versões de seus jogos (Street Fighter 2 que o diga…), passo a fazer parte do grupo que está aguardando pela próxima “atualização” de SF4, com inclusão de novas habilidades para todo mundo, novos personagens (já existem boatos que Thunder Hawk, Dee Jay, Yun e Yang estão vindo aí), cenários e por aí vai. Basta ver o tanto que SF2 evoluiu até chegar no SSF2X e SF3 até chegar no Third Strike para se ter uma noção de o que SF4 poderá se tornar um dia.

No mais, convido o Barry a postar um novo tópico ou editar esse mesmo colocando qualquer coisa relativa as partidas dele lá no evento, seja desse jogo ou de Smash Bros, onde ele fez rodinha igual eu nesse aqui.

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Velhos bons tempos Novo King of Fighters será um shoot’em up (?!)

11 Comentários Add your own

  • 1. EdSom  |  abril 19, 2009 às 9:38 pm

    Muito boa história, maxi!

    Eu ainda não joguei o Street IV, mas fico feliz em saber que o russo continua sendo um bom personagem para ‘mandar a lenha’ nos adversários :)

    Embora eu chame a coluna ‘velhos’ bons tempos, a parte importante são os ‘bons tempos’, que são aqueles momentos que te marcaram (ou ainda marcam, como foi no seu caso) e ficam como boas lembranças, pois muita gente, perdida com contagem de poligonos, fanboy e etc, esquece-se que videogame é diversão.

    Esta coluna podia ser uma ‘velhos bons tempos’ sem problemas :) Vamos aguardar a manifestação do Barry.

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  • 2. Déivide / SetsunaBR  |  abril 20, 2009 às 3:01 pm

    Boa história Maxi! Eu joguei bastante o SF4 (versão do PS3) tanto on-line quanto no off-line e posso afirmar que eles facilitaram para as pessoas que numca jogaram SF antes. Um bom exemplo é o zangief, para fazer o seu golpe mais letal, o famigerado pilão/360/suplex pode ser feito de 2 formas, ou com um movimento de 360 como nos outros SF ou com um de 270, ou seja, é possivel fazer o golpe parado ou andando sem muita dificuldade. O zanguief se tornou uma ameaça ainda MAIOR deste SF4! Cuidado!!

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  • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  abril 20, 2009 às 4:18 pm

    Hahaha, beleza, vou escrever sobre Smash, sim! =D

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  • 4. Michael Robert  |  abril 21, 2009 às 3:16 am

    Também achei que eles facilitaram demais quase todos os golpes, ZANGIEF que o diga. Mas ainda aguardo a versão para PC pnde está para sair em junho se não me engano…

    Agora me imagino jogando street IV no controler arcade… Ainda não tive esta opurtunidade ( CHORO )

    Grande abraço.

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  • 5. Num  |  abril 21, 2009 às 7:17 pm

    Quanto joguei SFIV pela primeira vez tinha um cara que tava abusando da facilidade que os golpes do Zangief ficaram. O 360 tá com um range absurdo pra um agarrão…

    E eu concordo, a jogabilidade de SFIV tá parecida até demais com a de SF2, copiando até as falhas: prender adversários no canto e spammar hadouken são muito mais fáceis de se fazer do que de se evitar, o que significa que é necessário um jogador consideravelmente mais habilidoso pra vencer alguém que só sabe usar essas coisas manjadas. Defesa aérea era uma solução meio que nas coxas, mas que ajudava na aproximação. Vi muita gente repetindo que o substituto disso é o focus+dash, mas não é a mesma coisa… qualquer projétil com 2 hits torna essa estratégia inútil.

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  • […] o post do maxi, faço também meu próprio capítulo do Novos Velhos Bons Tempos. Eu no Anime Festival em BH […]

    Responder
  • 7. Tottou  |  abril 23, 2009 às 11:32 pm

    Nossa, Zangief e Seth são dois que não pego por pena do adversário. Zang tá xitadasso @__@. Pelo menos foi até agora o que pude notar, o pilão é feito nem a meia distancia, é feito a la sf de rodoviaria. E muito fácil, tu faz um 260º e jah tá valendo como 360º. E como vc citou, a palmada dele tá furiosa.
    Bom, acaba que pra jogos mais avançados isso mude. Eu joguei muito pouco, e ainda estou traumatizado contra o Akuma do dono do ps3 (ele fica pulando e teleportando e hadoukeando sem parar), pohe sem limites pra quem não pegou as mecânicas do jogo. Ainda tenho que aprender a usar melhor o focus atk, vi em alguns videos que é a evolução do parry, etc. Um dia ainda descolo um ps3.
    Mas, bela história, chapa. Vida gamística rulando vidas.

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  • 8. bonachovski  |  abril 24, 2009 às 9:58 pm

    “cabelímetro de energia e eu com mais ou menos um dedo.”

    Cabelímetro…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…nova medida de energia…kkkkkkkkkkkk

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  • 9. Velhos e Novos Bons Tempos! « Bem Vindo a WarpZona!  |  abril 25, 2009 às 7:52 pm

    […] vocês já perceberam, já tivemos um post de estreia do Maxi e um do Barry na nossa nova sessão, e agora, às sextas-feiras, você poderá se divertir com as […]

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  • 10. Kaka  |  maio 1, 2009 às 4:23 am

    Oh, quem diria, maxi também virou escritor de histórias gamísticas! E, pô, com o Zangief até eu. Tá apelão demais aquele pilão dele, pqp. Aquele dia lá no DuK Games de carnaval, acho que xinguei todos os Zangiefs que enfrentei. Tanto que o único personagem de SF com o qual ainda não joguei é o gigante russo. E o El Fuerte também, porque ele me deixa tonta. @___@~
    Ah, e o controle do Xbox 360 fede.

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  • 11. Mobius  |  maio 24, 2009 às 2:54 am

    Pois é, ambém acho que o Zangief está MUITO apelão, apesar de poder dizer isso apenas por uso próprio do mesmo. Na verdade, digo que os que usam golpes de agarrão, estão apelativos… Aquele francês tb, com aquele combo que parece mais a Blue Mary (pra quem não conhece, KOF) Está muito chato…

    Mas, acho que o pior até agora foi o tal do… Rufus! Alguém já viu algo mais apelativo que ele num SF? Confesso que nunca vi…

    E sim, Kaka, o controle do Xbox 360 (para jogar luta) fede.

    Responder

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