WarpReviews: Drill Dozer

abril 29, 2009 at 1:43 pm 17 comentários

por maxi

Em 2006 o GBA já dava seus passos em direção a seu fim de carreira. Poucos jogos estavam saindo para ele e o DS já estava chamando toda a atenção para si, ainda mais com o fracasso que o PSP foi logo no seu lançamento. No entanto, nesse ano também estava para sair nos EUA um dos melhores jogos do sistema, lançado inicialmente em 2005 no Japão mas que, devido a esse pequeno atraso, acabou ganhando o título de melhor jogo do ano para GBA pela mídia especializada em geral. Esse jogo é Drill Dozer.

Comecemos pela história, cuja introdução é contada em uma simpática mini-revista em quadrinhos que vem junto do jogo. Jill é uma garota normal, que freqüenta uma escola normal, tem amigos normais e gosta das cores rosa e vermelho. No entanto, uma coisa que poucos sabem é que ela também é filha de Doug, o líder dos bandidos conhecidos como Red Dozers. Porém, os Red Dozers são “bons bandidos”, eles ganham a vida recuperando tesouros espalhados pelo mundo antes que as autoridades os encontrem e coloquem em algum museu. Só que um outro grupo de bandidos está de olho em um tesouro cuja gangue dos Dozers guardam desde que a mãe de Jill ainda era viva, o Diamante Vermelho, uma gema preciosa que contém energias místicas que são extraídas pelos diversos aparatos tecnológicos do esconderijo deles. Essa gangue rival, chamada Skullkers, encurralou Doug no meio da rua e bateu no pobre bandido até deixar o mesmo hospitalizado e sem o diamante, que ele carregava no momento. Ao voltar da escola, Jill descobre o que aconteceu com seu pai através de seus dois parceiros Grutch, um velho bandido, e de Gearmo, o inventor, e também que, como única herdeira de Doug, a mesma agora é a mais nova líder dos Red Dozers enquanto seu pai fica de cama. Então, decidida a recuperar o diamante, a menina sobe no Dozer de Doug, um robô equipado com brocas no lugar dos braços, e embarca no caminhão de sua gangue para invadir o esconderijo dos Skullkers e tirar satisfações com Croog, o misterioso líder deles que usa uma máscara.

A história, apesar de simples, é muito bem contada ao longo do jogo, e os carismáticos personagens também ajudam muito em tornar tudo mais interessante. Mais para frente, outros rostos vão surgindo como a da bela detetive Carrie, uma boa pessoa que agora estranhamente está disposta a parar os Red Dozers a qualquer custo, até se juntar aos Skullkers; as duas misteriosas velhinhas que pilotam uma geringonça robótica e querem voltar a ser jovens; ou o sujo comissário da prisão. O final também deixa margem para uma continuação, que até hoje não aconteceu.

A partir disso, vamos comentar da jogabilidade. Como Jill está sempre pilotando o Dozer, é praticamente ele o personagem quem você controla. Com o botão B você executa ações como acionar alavancas, levantar alguns objetos e olhar mais adiante no cenário, com o A você pula ou dá um dash rasteiro caso se agache e com o L e R controla as brocas, e é aí que está o pulo do gato no jogo. O L gira a broca no sentido anti-horário e o R no sentido normal, acionando aí a função rumble que tem o cartucho, e é em volta disso que gira uns 80% da jogabilidade. Com isso, você pode parafusar ou desparafusar objetos, ir adiante ou voltar caso esteja nadando ou voando com o Dozer, adentrar ou sair de túneis e por aí vai. Normalmente cada uma dessas duas ações está representada pelas cores vermelho e azul nos objetos envolvidos. Como exemplo, temos um chefe que atira mísseis coloridos para cima de você, e para fazer eles girarem ao contrário e voltarem para o chefe é necessário apertar o botão certo de acordo com a cor do míssil. Também existem tarefas onde não faz diferença o sentido da broca usado, como furar paredes e objetos, se agarrar em alguma superfície, defletir balas ou simplesmente se esquivar para trás apertando o botão contrário àquele que você está segurando. A broca também recebe upgrades de engrenagens, que estão espalhadas pelo estágio e requerem que você as pegue para completar cada um deles, fazendo seus ataques e algumas ações chegarem em três níveis diferentes, um para cada engrenagem.

Algumas partes da jogabilidade lembram muito um outro jogo também produzido pela Game Freak (não, não é Pokemon :P), o também meio desconhecido Pulseman. Quem já jogou um vai perceber isso enquanto joga o outro. Inclusive um dos extras do jogo é uma roupa para Jill baseada no uniforme de Pulseman. E por falar em extras, vamos a eles. O jogo é um pouco curto, porém apresenta uma missão secreta por localidade, aumentando o número de fases em quase 1/3. Essas missões podem ser compradas no shopping do caminhão dos Red Dozers, onde você também pode adquirir tanques que aumentam sua energia estilo Mega Man X e versões mais fortes da broca, que se torna necessária para destruir determinadas coisas e com isso fazer 100% do jogo pegando todos os tesouros escondidos pelos cenários, e é aí que está o problema. Quando você faz 100% do jogo não ganha nada além de uma mensagem do tipo “Parabéns! Agora você é um bom ladrão!”, igual jogos dos anos 80/90. Isso decepciona qualquer jogador com síndrome de “só largo esse jogo quando fizer 100%”. Porém, ainda existe mais um extra que até seria legal se não fosse ridículo. Na fase de treinamento, existe um local acessível depois de ter a última broca que permite ao jogador inserir códigos em uma espécie de cofre. São três seqüências numéricas iniciais para que você possa inserir outras seqüências que dão acesso a algumas coisas, como a já citada troca de roupas de Jill, mudança de borda das janelas de diálogo e do fundo das mesmas, um sound test, entre outras picuinhas. Enquanto que isso não chega a ser um extra que você possa dizer “Meu deus! Que extra legal!”, ainda sim teria seu charme se não fosse por um detalhe: os códigos de acesso a essas coisas não estão em LUGAR NENHUM. Nem no jogo, nem no manual, nem na revista em quadrinhos, nem na caixa e nem nos panfletos de propaganda da Nintendo que acompanham o cartucho. Eu desconfio que eles estão no guia oficial do jogo que você podia comprar na época que o mesmo foi lançado, o que me fez recorrer ao gamefaqs para descobrir quais são.

No mais, as músicas são bacanas mas não chegam a ser boas como as de Pulseman, porém os efeitos sonoros do jogo são legais e marcantes. Os gráficos também são bons e, embora existam jogos de GBA com gráficos melhores, são bem coloridos e o visual do jogo é bonito como um todo. Também não notei nenhum bug ao longo das partidas e, muito pelo contrário, o sistema de colisão é um dos melhores que já vi. Você pode facilmente saber se conseguirá realizar ações como acertar a broca nas coisas ou pular por cima de inimigos. Isso só acaba deixando o jogo um pouco fácil, pois aliado ao fato dos tanques de energia estarem disponíveis para compra logo no início faz com que seja quase impossível ver uma tela de Game Over mesmo na sua primeira partida. Mas felizmente um modo difícil pode ser acessado após terminar o jogo da primeira vez.

Drill Dozer é um jogo bastante inovador, e seu controle funciona tão bem que seria difícil imaginar ele readaptado para alguma outra coisa, como a tela de toque do DS, pois ele foi feito para se tirar proveito do L e R. O único grande problema dele é a referida falta de recompensa para aqueles que fizerem tudo. Foi uma pena que ele tenha saído no final da vida do GBA, pois merecia mais destaque do que recebeu, fato que pode ter ocasionado que uma continuação não tenha saído até hoje. Está mais ou menos no mesmo patamar de Mega Man Zero em questão de diversão. Ele entra, logo após Ninja Five-O, como um dos melhores jogos do portátil que passaram batidos.

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17 Comentários Add your own

  • 1. EdSom  |  abril 29, 2009 às 5:41 pm

    maxi,

    depois de ler este seu review fiquei com uma saudade danada do meu antigo Gameboy SP. Mas gostei da descrição do jogo e se pintar a oportunidade quero jogá-lo ainda.

    Responder
  • 2. Dennis  |  abril 29, 2009 às 5:43 pm

    Drill Dozer rula, quando terminei pensei “depois eu jogo com afinco, parece ter muitos extras”. Ainda bem que esse dia nunca chegou.

    Responder
  • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  abril 29, 2009 às 6:20 pm

    Isso de um jogo ser eclipsado por “novidades” vive acontecendo, fazendo com que muitos bons jogos deixem de ser jogados. Vide Odin Sphere, Yoshi’s Island, Comix Zone, para citar alguns. Pra GBA, entram Rhythm Tengoku e o próprio Mother 3.

    E sobre isso de códigos em Guias do Jogador, eu vi que fizeram com Street Fighter Alpha Anthology. No japonês, todos os golpes estavam disponíveis no menu do pause. No americano, limaram todos pra incentivarem as vendas do Guia Oficial…

    Aliás, acho engraçado a quantidade de jogos que eles mesmos fazem apologia a práticas de pirataria, como esse, Mega Man Legends, Wind Waker. Depois processam quem pirateia os jogos =P

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  • 4. Lonios  |  maio 1, 2009 às 1:54 am

    Foi o ultimo jogo que joguei de GBA…faz tempo! o.O
    Mesmo hj em dia não ah muitos jogos que valem a pena fazer 100%…principalmente os da Marvel! ¬¬

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  • 5. Kaka  |  maio 1, 2009 às 5:06 am

    Belo review, maxi. Me fez ter vontade de jogar também. O GBA teve ótimos jogos, é um dos grandes traumas da minha infância nunca ter ganhado um. Agora, com o DS, eu até tento aproveitar um ou outro jogo de GBA, mas mal consigo jogar os de DS que tenho vontade. Pena que não posso adicionar esse Drill Dozer à minha lista por causa do lance do L/R. :/

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  • 6. maxi2099  |  maio 1, 2009 às 12:59 pm

    Mas o L e R funcionam direito no DS, eu citei a adaptação porque se eles lançarem uma sequência para ele provavelmente estragariam o jogo inventando de usar a touch screen ao invés dos dois botões. Vai ser o rumble do cartucho que vai ficar meio esquisito.

    Responder
  • 7. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 1, 2009 às 5:21 pm

    Ué, não necessariamente. Alguns jogos nem fazem uso da touch screen e são ótimos, como Castlevania e Contra. Em compensação, outros que parecem não funcionar também ficaram ótimos, como Zelda e Ninja Gaiden. Pra variar, depende da capacidade do time de desenvolvimento.

    Responder
  • 8. Kaka  |  maio 1, 2009 às 6:20 pm

    Ah, o rumble fica no cartucho? Sempre achei que era do console. Nunca vi nenhum jogo com rumble de perto mesmo…

    Responder
  • 9. maxi2099  |  maio 1, 2009 às 11:51 pm

    Ninja Gaiden teria ficado muito melhor se fosse jogado com os botões e direcional do DS igual os outros dois jogos, ao invés de ser um jogo onde na maioria do tempo você fica riscando a tela igual maluco e mata todo mundo.

    Responder
  • 10. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 2, 2009 às 2:38 am

    Se você tivesse jogado mais veria que isso não dá certo.

    Responder
  • 11. maxi2099  |  maio 2, 2009 às 12:35 pm

    Conheço um monte de gente que já terminou e reclama a mesma coisa.

    Responder
  • 12. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 2, 2009 às 2:40 pm

    Hã… sem você ter jogado é difícil prosseguir a conversa sobre o jogo, mas o maior problema dele não reside nisso. Sinceramente, se você ficar riscando a tela como um louco você NÃO PASSA dos inimigos da metade do jogo pra frente. Você tem que aprender a equilibrar entre defesa, ataques normais e golpes especiais.

    O maior problema dele é que o jogo tem umapremissa muito boa, e os controles, apesar de não parecerem à primeira vista, são extremamente precisos, mas é só isso. A única coisa que você faz o jogo inteiro é enfrentar levas e levas de inimigos, e consequentemente um chefe.

    Depois você pergunta pra esse monte de gente se eles realmente zeraram, ou se só jogaram algumas fases e pararam.

    Responder
  • 13. Lonios  |  maio 3, 2009 às 3:04 am

    Sobre o Ninja Gaiden eu não cheguei a zerar mas ví um amigo meu jogando o jogo do inicio ao fim e concordo que a jogabildade apesar de ser precisa é apenas repetição de rabiscos e eu mesmo não sou fã desses jogos que a jogabilidade toda é na stylus poís eles realmente acabam com sua tela! ¬¬

    Responder
  • 14. Rafael "Barry" Ventura  |  agosto 24, 2009 às 9:21 pm

    Agora que zerei, digo que concordo com quase tudo que você disse, exceto pela parte da detecção de colisão. Achei meio zoadinha, e várias vezes apanhei (principalmente daqueles elétricos com parafuso) porque não conseguia acertá-los em cheio.

    Ah, e é “Skullers”.

    Responder
    • 15. maxi2099  |  agosto 25, 2009 às 8:22 am

      Arrumei.

      Responder
      • 16. Rafael "Barry" Ventura  |  agosto 26, 2009 às 12:53 pm

        Opa, você estava certo! É Skullkers, mesmo =P

  • 17. maxi2099  |  agosto 26, 2009 às 1:10 pm

    p|

    Responder

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