WarpReviews: Cyber Troopers Virtual-On: Oratorio Tangram | DC

maio 7, 2009 at 12:44 am 3 comentários

por maxi

Quando se fala nas expressões “jogo de luta” e “Sega”, a maioria das pessoas pensa automaticamente em Virtua Fighter, e não é para menos. Considerado no Japão como o melhor jogo de luta 3D desde sua época no Saturn, a criação de Yu Suzuki na AM2, uma das mais importantes subdivisões da Sega, conta com uma infinidade de recursos que fazem do título o mais realista do gênero e, como já dito, um dos melhores, se não for o melhor, jogo de luta já criado. No entanto, não é de Virtua Fighter que iremos falar aqui. Embora alguns outros jogos de luta menos conhecidos já tenham saído da Sega como o fracassado Sonic the Fighters, os medianos Golden Axe the Duel e Fighting Vipers e o saudoso Fighter Megamix (que merecia uma nova versão mas foi completamente esquecido), tem um título feito por outra divisão, a AM3 (também conhecida como Hitmaker, que fez Crazy Taxi), que pode não ser tão bom quanto Virtua Fighter e muito menos realista, mas fica bem perto se tratando do nível técnico de jogabilidade e da diversão proporcionada. Este é Virtual-On, o simulador de robôs gigantes que foi relançado recentemente para o 360 e que falaremos de sua versão original de Dreamcast a seguir. Se você tem curiosidade de conferir o port, vai descobrir várias coisas aqui que ajudarão a saber se você deve ou não dar uma chance a ele.

Lançado originalmente para os arcades, o primeiro Cyber Troopers Virtual-On chamava a atenção pelos bons gráficos na época e pelo inovador twin-stick, o controle usado nas máquinas que depois seria levado ao Saturn quando o console ganhou uma versão caseira do jogo. Trata-se de duas alavancas quick-fire, uma esquerda e uma direita, com um botão superior e outro frontal em cada uma, além do botão Start no painel. Após alguns anos, a sequência chamada Cyber Troopers Virtual-On: Oratorio Tangram seria lançada também para os arcades, recebendo algumas atualizações e eventualmente sendo portada para o Dreamcast junto do twin-stick, que desta vez traria um botão a mais no painel, o Special. O funcionamento detalhado dos controles será explicado mais adiante, mas dá para perceber que o jogo viraria uma febre sobre todos aqueles que jogavam por causa do twin-stick, principalmente no Japão.

O twin-stick do Dreamcast

O twin-stick do Dreamcast

A história de Virtual-On retrata um futuro onde os humanos descobriram a existência de um local na lua chamado Portal Lunar, contendo vários cristais misteriosos. Após uma incessante pesquisa, descobriu-se que estes cristais possuíam uma grande quantidade de energia dentro deles, e passaram a ser explorados e usados como fontes. A partir deles, o grupo DN (Dyna-Tech and Nova Corporation), o dono do portal, conseguiu desenvolver as maiores armas já vistas pela humanidade, os virtuaroids, robôs gigantes que são comandados por um único humano, (que, vejam só, é você mesmo!) conectado a uma máquina de realidade virtual (simpaticamente representada no formato de um Saturn e eventualmente de um Dreamcast). Eventualmente, o grupo DN criou 9 usinas de refinamento dos cristais, que foram vendidas a 9 organizações que começaram a desenvolver os virtuaroids de maneira individual e que melhor se adequava as exigências de cada uma. Após as organizações descobrirem que o DN escondia um segredo potencialmente perigoso no portal que envolvia as desconhecidas razões da venda das usinas, elas começaram um conflito para invadir o local e se apoderarem por ambição do misterioso segredo. No entanto, após a resistência do grupo DN, surpreendentemente nada foi encontrado lá, como mostrado no primeiro Virtual-On. Com esse conflito, o grupo DN se dividiu em duas facções rivais, uma que era a favor de revelar a todos o perigoso segredo que havia conseguido guardar e o outro que acreditava que deveria mantê-lo para si, surgindo a DNA e a RNA, cada uma armada de seu exército de virtuaroids. Junto desse evento, a 9ª usina de refinamento desapareceu do nada, graças a ação de Tangram, a entidade dotada de avançada inteligência artificial descoberta junto do Portal Lunar e que estava sendo escondida pelo grupo DN, conseguindo se libertar graças ao enfraquecimento do mesmo. Capaz de controlar as leis da casualidade e retirar poder dos cristais como bem entender, Tangram passou a ser visto por uma das facções como um instrumento que poderia ser usado para ganhar o novo conflito caso fosse controlado, enquanto que do outro lado era visto como apenas uma ameaça que deveria ser destruída.

Com tudo isso, foram enviados os virtuaroids para a batalha entre a DNA e a RNA. Em Oratorio Tangram estão presentes 8 dos 9 robôs do primeiro jogo, mas em versões “evoluídas” dos mesmos, que são Temjin, o primeiro virtuaroid desenvolvido e personagem principal armado de uma espada; Raiden, o grande robô que atira lasers; Fei-Yen Kn, a robô fêmea estilo Sailor Moon (!) que atira corações; Cypher, o robô que vira um jato; Apharmd, o robô militar (este dividido em duas versões: Apharmd B, bom para combates corpo-a-corpo, e Apharmd S, para longa-distância), Grys-Vok, o pesado virtuaroid “explosivo“; Dordray, o gigante armado de uma broca; e Bal-Bados, ágil e preparado para qualquer tipo de terreno. Junto deles entram os novatos Angelan, a irmã de Fei-Yen (!!) que usa um cajado e ataques baseados em gelo; Specineff, um assustador virtuaroid que usa um longo rifle que se transforma em foice; e, por fim, Ajim, um robô feito de cristais que substitui o sub-chefe Jaguarandi, do primeiro jogo, como personagem secreto. Todos eles, exceto Ajim, podem ser escolhidos em seu modo DNA ou RNA, no entanto a única coisa que muda é o visual do mesmo (leiam “segunda roupa do personagem”). A versão de Oratorio Tangram do Dreamcast é baseada na penúltima atualização do jogo, sendo que na última, que foi portada para o 360, contava com mais três virtuaroids, que são 10/80 SP, Apharmd C, e Stein-Vok, que acabam sendo mais versões alternativas de Temjin, Apharmd B/S e Grys-Vok respectivamente do que novos robôs propriamente ditos.

Houve um reequilíbrio enorme entre os robôs do primeiro Virtual-On para Oratorio Tangram, e algumas mudanças foram feitas também nas atualizações deste. Comparar a última versão de OT com o primeiro jogo é quase a mesma coisa que comparar Super Street Fighter 2 Turbo com o primeiro Street Fighter 2 tecnicamente falando. Um exemplo claro seria o ataque forte de Cypher, que era teleguiado e SEMPRE acertava o outro jogador, perdendo grande parte de seu fator teleguiado neste aqui (na verdade, perdeu tanto que agora ele QUASE SEMPRE erra o alvo). No entanto, o robô ganhou outros adoráveis ataques para compensar essa perda, como a transformação em jato digna de Macross, a capacidade de jogar o referido ataque teleguiado diretamente no chão e, com isso, provocar uma explosão que não causa tanto dano mas cobre uma boa área, e etc. Isso aconteceu com todos os robôs, alguns menos que os outros. O subchefe Ajim também foi reequilibrado para o jogador, sendo consideravelmente pior que sua versão controlada pelo CPU. Vale lembrar aqui que os virtuaroids são bem diferentes entre si, não só nos tipos de ataques como também na resistência de cada um, força, agilidade, controle de vôo, precisão nos ataques e armadura, que vai sendo destruída a medida que você vai tomando dano. Robôs como Specineff e Cypher não duram muito em combate corpo-a-corpo pois tem baixa armadura, mas também causam um tremendo dano durante eles devido a força dos dois. Angelan já é o contrário, tem uma excelente armadura mas não faz muita coisa com suas cajadadas ou socos de gelo. Raiden é mais forte e resistente que Specineff e, embora a velocidade dos dois seja parecida, vai ter muito mais dificuldade para acertar o outro com seus lasers do que Specineff terá para acerta-lo com seu preciso rifle e bolas de energia teleguiadas. Enfim, o nível que o equilíbrio do jogo se dá é algo impressionante se olharmos todos esses fatores. OT com certeza está próximo do topo entre os jogos de luta mais equilibrados que tem por aí.

Vamos aos controles. Primeiro eles serão explicados tendo como base o twin-stick. Levando as duas alavancas para a mesma direção, você faz o virtuaroid se movimentar para aquele lado; levar ambas para “fora” do painel o faz voar; levar para “dentro” faz ele se defender e agachar; por fim, levar uma para cima e outra para baixo gira a câmera. Temos ainda um botão para os ataques fracos e outro para os médios, cada um em uma alavanca e que, caso pressionados juntos, acionam o ataque forte, e mais dois botões para turbo/corrida, também separados nas alavancas. No painel ainda temos o Start e o Special, este aciona algumas habilidades especiais dos robôs, mas não são todos que o utilizam para tal. Os três tipos de ataque possuem um tanque de energia cada que esvaziam após alguns disparos, variando de robô para robô, e vão enchendo novamente com algum tempo. Simples, não? A partir desse ponto, já temos a base que funciona o jogo, suficiente para divertir os jogadores menos entusiastas. Complicando mais, podemos acionar novos tipos de ataques dependendo do(s) botão(es) turbo que você segurar enquanto pressiona algum botão de ataque, ou mesmo atacar variando a distancia ou enquanto realiza ações como voar, correr, se agachar ou deslizar após um turbo também ocasiona mais golpes. Estes, embora a maioria seja pouco variada em relação aos ataques normais, trazem a verdadeira jogabilidade de Virtual-On. É muito difícil decorar todos mesmo que de um único virtuaroid, igual em jogos como Virtua Fighter, que requerem um extenso treinamento para tal, e eles realmente fazem diferença. Você só consegue vencer Tangram, o último chefe, se estiver pelo menos familiarizado com esses ataques alternativos. A luta contra ele funciona da seguinte maneira: todos os seus ataques arrancam 0,1% da energia do chefe. Existem dois momentos na luta que ele abre um buraco em seu corpo esférico de onde sai seu “olho” para disparar um raio que faz a energia de seu robô sumir se pegar nele. E é justamente no olho onde você precisa acertar para causar algum dano significativo. Se você morrer, não tem problema, pode dar continue e tentar novamente. Agora, se o tempo da luta acabar e os dois personagens estiverem vivos, o jogo dá Game Over e você precisa passar de tudo de novo até chegar nele. E, acredite, isso vai acontecer MUITO até você ficar bom no jogo. Tangram faz a separação dos jogadores que apenas passarão por Virtual-On daqueles que irão se dedicar a ele. No entanto, ele não é o pior inimigo que você irá enfrentar no jogo. Existe um outro, muito pior e mais irritante, que fará um número ainda maior de jogadores desistirem de ficar bons no jogo. Esse inimigo é o controle do Dreamcast.

Enquanto que o controle dos virtuaroids cai como uma luva no twin-stick (a final de contas, ele foi criado em cima do mesmo), e verdade seja dita, funcionava até bem no joystick do Saturn embora perdesse uma parte da diversão, no do Dreamcast ele se torna uma tragédia. O joystick do DC, por muito pouco, não deixa OT injogável. Além dele possuir dois botões a menos que o do Saturn, o que já fez os programadores recorrerem a mapear alguns comandos na alavanca analógica, para piorar a situação o jogo não deixa você configurar os controles da maneira como bem entender. Existem basicamente duas configurações que você pode escolher nas opções, com pequenas e inúteis variações das mesmas. Uma delas, que é a default, deixa a alavanca analógica rodando a câmera e ativando o botão Special, obviamente projetada para pessoas com dois polegares na mão esquerda. Como eu acredito que a maioria das pessoas tem apenas um polegar na mão esquerda, automaticamente usamos a segunda configuração onde apenas o Special está no analógico e ficamos com um botão “shift” no controle, que ao ser pressionado fica pronto para executar outras ações como rodar a câmera ou se defender dependendo do lado que você apertar no direcional digital. Essa configuração, embora ainda problemática, pode ser dominada com alguma prática. Mesmo assim, a única forma de jogar OT decentemente é com o twin-stick, e aí entra outro problema. Diferente do twin-stick do Saturn, o do DC só saiu no Japão e teve apenas uma tiragem, então não espere pagar menos de U$100,00 em um se achar para comprar. O do Saturn, que é um pouco mais barato, pode ser usado no DC com um adaptador de controles, mas como ele não tinha o botão Special o mesmo é mapeado para o Start, então toda vez que você vai usar o botão acaba pausando o jogo junto, exceto se estiver jogando uma partida contra outra pessoa linkando dois Dreamcasts, pois assim o pause fica desabilitado, mas ainda sim é uma experiência melhor que jogar no joystick normal. Enfim, jogar OT no controle do Dreamcast chega a ser pior que jogar House of the Dead ou Virtua Cop sem a pistola, e esse foi o único problema apontado pela mídia na época que o jogo saiu. Se você for começar a jogar mas está enfrentando problemas com o controle não desista, é muito difícil se acostumar a jogar ali mas não chega a ser algo impossível, e a experiência final será gratificante. Se quiser, também pode tentar começar a jogar a série por Virtual-On Mars, lançado para o PS2. Há um consenso entre os fãs que ele é inferior a OT, mas serve para se ter uma boa visão da série e o controle do PS2 ajuda muito pois simula o twin-stick através das duas alavancas e dos botões L e R.

Morra de inveja Tangram, os jogadores odeiam mais o controle do DC do que você!

Morra de inveja Tangram, os jogadores odeiam mais o controle do DC do que você!

No mais, os gráficos de Oratorio Tangram são de encher os olhos. Foi um port caseiro tão bom quanto o primeiro jogo para o Saturn devido ao DC ser baseado na Naomi. Isso sem falar que o visual dos virtuaroids é muito legal. A parte sonora também é boa, com músicas memoráveis, embora as do primeiro jogo fossem um pouco melhores (o pessoal que lia Samurai X vai se lembrar do autor puxando saco delas nas orelhas de algumas edições do mangá).

Para finalizar, Virtual-On: Oratório Tangram é fácil um dos melhores jogos de luta que tem por aí. O único problema é arrumar um twin-stick para tirar o máximo proveito da diversão. É um jogo com uma regular base de fãs instalada mas que merecia ser muito maior.

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3 Comentários Add your own

  • 1. Lonios  |  maio 7, 2009 às 2:42 am

    Eu joguei tanto a versão arcade quanto a do Saturn de Cyber Troopers! o.O
    Mas isso foi a LONG time ago e claro que na época nem sabia o nome do jogo…
    >.<

    Responder
  • 2. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 9, 2009 às 12:34 am

    Este foi um de seus melhores reviews, você foi muito descritivo e analítico em todos os pontos. Mas você tem esses controles para Saturn/DC?

    Outra coisa: achei que você pôs poucos parágrafos, os textos ficaram muito blocados e às vezes é meio cansativo de ler.

    Responder
  • 3. maxi2099  |  maio 9, 2009 às 12:54 am

    Não, estou pensando em fazer um twin-stick caseiro de Saturn, que nada mais é que um controle normal com os botões remapeados, só que primeiro eu preciso do adaptador para ele funcionar no DC.

    Responder

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