Velhos bons tempos

maio 22, 2009 at 1:38 am 15 comentários

por Toe Jam

Após a série sobre as lições que aprendi jogando Street Fighter II (clique nos números para as partes 1, 2, 3, 4 e 5), a coluna Velhos Bons Tempos retorna às suas origens, relatando as histórias sobre o tempos de ouro dos games, que como todos sabemos, é a infância de cada um.

Nesta semana iniciaremos uma nova série, que relata a história de um impasse: como acompanhar a vanguarda da tecnologia dos games, ou mesmo estar à frente dela, sem ter nascido em berço de ouro? Veja a primeira parte da resposta após o salto.

O simulador

Na minha infância, entre os meus 8 e 11 anos de idade, os jogos já tinham tomado meu gosto como passatempo predileto. Como tinha nascido numa família de parcos recursos financeiros, demoramos muito para adquirimos o nosso primeiro console (um Atari 2600, conforme contei aqui), e quando o fizemos, já estávamos uma geração atrasados: os consoles “de ponta” eram o NES e o Sega Master System.

O velho e bom Atari 2600

O velho e bom Atari 2600

Sendo um viciado em Fórmula 1 (a qual acompanho desde os 2 anos de idade!), a única alternativa de velocidade que eu tinha acesso era o clássico Enduro, que embora divertido, não estava relacionado à F1, e não permitia um duelo contra meus irmãos e meu pai. Quando íamos aos arcades e víamos aqueles fliperamas linkados para dois ou quatro jogadores, era o sonho! Só que o bolso não permitia tal brincadeira, e ficávamos observando a demonstração até nossos pais nos tirarem dali.

Nós tínhamos, entretanto, um dos três melhores acessórios que um jogador de videogame pode ter: tempo livre. Ficávamos horas ali sentando, conversando, imaginando como seria um jogo de fórmula um de verdade. Depois das corridas, então, era aquela animação danada. Se tivéssemos um arcade daqueles…

 

O clássico Enduro para Atari 2600

O clássico Enduro para Atari 2600

Mas meus irmãos e todos os colegas da rua que morávamos foram a loucura no dia que chamei todos para jogar o meu simulador de F1! (O leitor deve estar pensando: “esse cara que escreve a coluna enlouqueceu: como um quebrado como ele ia comprar um troço destes, ainda mais naquela época? Melhor não contrariar e ver onde ele vai nessa…“)

Foi aquela alegria, cada um querendo participar e eu tentando organizar a brincadeira. Explico-me: naquele tempo haviam muitas construções próximas a minha casa. Eu tinha pego uma folha de madeirite, riscado com caneta e régua o traçado de um autódromo formando por duas colunas de quadrados. Eu tinha também uma peça de registro de chuveiro que permitia fazer círculos perfeitos no papel, com a qual eu desenhava o que representaria um carro de F1. Cada um desenhava ou coloria suas equipes e numerava segundo a inscrição que eu organizava no campeonato. Geralmente eram quatro ou cinco pessoas, cada uma com duas ou três equipes (não dava para sentar muito mais que isso em volta da madeira, embora no senta-e-levanta era possível jogar uma pessoa com cada um dos 26 carros que existiam na F1 daquela época).

As regras do jogo eram simples: cada um lançava um dado de seis faces e movimentava seu carro o número de espaços indicado. Era possível se mover ou para frente ou uma vez de lado para a outra faixa. Se o caminho estivesse obstruído e ainda restassem movimentos, era a famosa batida, o momento mais emocionante do jogo! Era uma gritaria e uma alegria danada quando alguém batia e saia da corrida, e todos sempre se movimentavam de modo a dificultar o máximo o caminho dos que vinham atrás. Toda largada era uma sucessão sem fim de acidentes…

Esquema do famoso simulador...

Esquema do famoso simulador...

O jogo fez tanto sucesso que quando chamávamos alguém para jogar um Enduro, depois de uma hora mais ou menos a pessoa perguntava: você fez pista nova? Vamos jogar? E lá íamos os amigos e meus irmãos, largando o Atari de lado, jogar mais uma etapa do campeonato mundial de F1 no simulador.

Enquanto os videogames desenvolviam os primeiros jogos multiplayer, um grupo de moleques já jogavam um simulador de F1 com 26 players simultâneos…

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15 Comentários Add your own

  • 1. Ryunoken  |  maio 22, 2009 às 2:41 am

    Não entendia e nem gostava de F1, mas fazia uma brincadeira parecida… Só que ela tinha mais ação que essa, e dava pra uns 4 players. Um dia eu explico.

    Responder
  • 2. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 22, 2009 às 12:12 pm

    Pô, que massa! Quando era criança, eu era bem mais autista. Eu gostava mais de brincar de Playmobil e Lego… sozinho!

    Fui ter TV só aos 6 anos, e Atari com uns 7, mas nunca gostei. Minha mãe é quem jogava. Também não conseguia entender como gostar de F1, apesar de eus vizinhos não perderem uma corrida. Eu nem ia à casa deles nos domingos de campeonato, morria de tédio, hehe! Resumindo, acho que nossa infância foi totalmente ao contrário, hahaha!

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    • 3. Mari Amaro  |  maio 24, 2009 às 8:34 pm

      Hahaha, eu também brincava de legos sozinha *momento_nostalgia ON*
      Mas tive o atari com 3 anos (tá, era das minhas irmãs) e também jogava sozinha =P só com o Master System passei a ter vida “gamística-sociavel”.

      Pra mim enduro era uma corrida de aranhas, ninguém nunca me tirou essa idéia.

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  • 4. EdSom  |  maio 22, 2009 às 2:58 pm

    Ryu,

    de fato não havia muita ação neste simulador. Na segunda parte da série você vai conferir como a coisa tomou outro rumo e passou a ter uma ‘ação frenética’.

    Aguarde e confira :)

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  • 5. Krycov  |  maio 22, 2009 às 7:30 pm

    Po Barry… Altista eh f… se for assim e eu q brincava de corrida de tampinha sozinho e ainda metia a cara no chão de lado pra fingir q era uma angulo de camera diferente… como era na tv q vc as vezes via o carro de frente na reta antes de fazer a curva ou a camera q vinha de lado acompanhando o carro mesmo contornando a curva…Alias, corrida de tampinha não sei se eh conhecida de todos aqui… mas pra mim era o melhor em termo de “simulador de corrida”… ainda qnd vc faz na terra q da pra fazer umas rampas e uns buracos d´agua de obstaculo… era engraçado o cara sair da pista e ter q voltar pra linha de largada na reta final… rsrsrsrsrs

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  • 6. Orakio "O Gagá" Rob  |  maio 22, 2009 às 7:35 pm

    Ótima história, Edsom! Lembrou até os tempos em que eu e a garotada do prédio brincávamos de corrida de chapinhas. Nas aulas a gente fazia corrida de caneta, desenhando as pistas no caderno e fazendo a caneta escorregar para marcar o quanto tínhamos andado. É difícil explicar como funciona, mas quem jogou vai entender.

    Uma vez apareceram uns caracóis pequenos no jardim do prédio, e a turma tentou fazer até corrida de caracol :)

    Responder
  • 7. EdSom  |  maio 22, 2009 às 7:38 pm

    Orakio,

    eu também brincava tanto com as tampinhas como a corrida de canetas! Estas últimas era um vício na minha época de escola.

    E sobre a corrida de carocóis, não perca a segunda parte desta série…

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  • 8. Rafael "Barry" Ventura  |  maio 22, 2009 às 10:06 pm

    Putz, é mesmo! Eu lembro que ia no barro da pracinha perto de casa (já que morava nos fundos de outra casa e nem quintal direito eu tinha) e ficava fazendo ruazinhas na terra. Fazia pontes, casas, pistas duplas e estação de pouso de OVNIs… e assassinava os pobres tatuzinhos, caracóis e lagartas “alienígenas”.

    Mas não lembro de paricipar de nenhuma brincadeira de corrida =P

    Responder
  • 9. Krycov  |  maio 22, 2009 às 11:42 pm

    Ixi… soh desses comentarios lembrei de altas das antigas… uma q eu gostava muito e faziamos muito na escola era a guerra de cruzadores imperiais… com caneta e folha de caderno… WOOOOWWWW!!! essa era massa… acho q vou brincar sozinho agora…

    Responder
  • 10. Ryunoken  |  maio 23, 2009 às 12:23 am

    A guerra galactica na folha dobrada era foda, eu era um ás. Nas minhas corridas de tampinha/chapinha eu tambem fazia rampas e obstaculos (mais pra F-Zero que pra F1, né?) mas também desenhava umas bandeirinhas a cada dois metros… dai se no meio dos três toques a pessoa saísse, voltava pra bandeirinha e não voltava tudo. Saquei a da corrida de Bics, Orakio, mas não gostava. A aurora de nosss vidas.

    Responder
  • 11. maxi2099  |  maio 23, 2009 às 12:47 am

    Eu não era tão criativo. Meus simuladores de F1 se resumiam a corridas de carro de rolimã aqui na rua de casa. Teve uma vez que eu cheguei a ficar sem calças de um jeito que até hoje eu não entendi como aconteceu. Eu lembro de jogar o carrinho pra cima de um vizinho meu pra atrapalhar ele (acho que meu modo de jogar jogos de corrida hoje se resulta dessa época), e na última hora ele desviou, aí eu bati no meio-fio e saí voando pra dentro de um lote aqui em frente que na época ainda era vago. Quando olhei, minha bermuda estava rasgada próximo ao carrinho e eu estava só de cueca. Felizmente eu era novo e por isso não fez muita diferença a situação.
    Outra coisa perigosa era quando meu colega pegava o martelo para concertar os carros, porque ele SEMPRE quebrava o martelo e o pai dele SEMPRE reclamava com todo mundo depois. Quando paramos de brincar disso definitivamente, eu lembro que o martelo já deveria estar com uns 15 cm.

    Responder
  • 12. Danilo  |  maio 23, 2009 às 3:57 am

    Blog bacana pra caramba. Adicionei na lista de links do meu blog. Dá uma passadinha lá ;)

    Responder
  • 13. Tottou  |  maio 23, 2009 às 3:30 pm

    Nossa, epicidade a níveis altos. Imaginação de criança ruleia vidas, não há como negar.
    Lembro que fazia algo parecido :D Mas como gostava mais de jogos de luta quando criança, e como também a parte financeira era dificultosa, faziamos campeonatos na nossa rua, molecada se espancando. Era bem bacana quando ninguém se machucava, pena que não era sempre assim. Até hj lembro de um amigo joselito que não sabia brincar, voltei pra casa com nariz surtando de sangue, porque após perder a partida, ele revoltado pegava pedaços de pau ou concreto e enfiava sem dó na cara de quem o venceu ); Ou empurrava de muros altos quando nem estavamos brincando para “descontar do outro dia”. Hoje penso que não era uma brincadeira muito saudavel, especialmente com alguns amigos doentes que não sabiam perder D:
    É… por que não pensei em F1 antes!…

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  • 14. Velhos bons tempos « Bem Vindo a WarpZona!  |  junho 5, 2009 às 2:49 pm

    […] segunda parte da série que mostra como acompanhar a vanguarda da tecnologia dos games, ou mesmo estar à frente dela, sem […]

    Responder
  • 15. Mariana Cordeiro  |  outubro 19, 2010 às 12:44 pm

    Oi , poderia me dar melhor essas regras do jogo Enduro, sou mãe e por ser mulher não jogava esses jogo ( a das chapinhas e da caneta, jogava direto com meu irmão… ). Tenho um filho e gostaria de ensiná-lo melhor o jogo enduro. Valeu !
    Mariana

    Responder

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