Velhos bons tempos

junho 5, 2009 at 2:49 pm 3 comentários

por Toe Jam

Enquanto a E3 desta semana está mostrando os caminhos do futuro dos jogos (acompanhe a cobertura das novidades aqui no WarpZona), as boas memórias dos tempos áureos dos games continuam sendo revividas aqui na coluna Velhos Bons Tempos.

Na segunda parte da série que mostra como acompanhar a vanguarda da tecnologia dos games, ou mesmo estar à frente dela, sem ter nascido em berço de ouro, vamos acompanhar o que aconteceu com o simulador de F1 para 26 players simultâneos.

Continua após o salto.
3D em tempo real

Como de costume, quando finalmente chegamos a era dos 8-bits, com o Master System dado pelo minha mãe, a indústria de games já estava vivendo a mais feroz batalha entre consoles já vivida: o poderoso Super Nintendo contra o sensacional Sega Mega Drive. E os jogadores entraram no clima: ou você era Nintendo ou era Sega. Mario ou Sonic. O nascimento dos fã-boys que hoje povoam a internet como formigas…

O sensacional Mega Drive

O sensacional Mega Drive

Na linha de fogo eu continuava a buscar nos videogames alguma forma de viver as emoções de ser um piloto de fórmula 1, o qual era meu sonho de infância. O jogo Super Monaco GP, embora constituisse um grande avanço em relação ao Enduro neste sentido, ainda não havia me levado abandonar meu simulador. Tal mérito ficou a cargo de outro jogo: RC Grand Prix.

O jogo, embora não fosse ligado diretamento à fórmula 1, tinha todos os requisitos: a velocidade, a compra de novas partes, a tensão. Era uma corrida de carrinhos de controle remoto (o RC do título é de remote control) e, além da habilidade, era necessário saber a ordem certa da compra das melhorias para chegar a vitória. Eu e meus irmãos gostávamos demais do jogo, e sempre que era possível a gente alugava o jogo nos finais de semana, deixando de lado o outrora popular simulador.

O poderoso Super Nintendo

O poderoso Super Nintendo

Mas a grana era curta, e não dava para alugar sempre o jogo. O simulador já não agradava tanto por sua cadência lenta. Como sair desse impasse? Eu e meus irmãos também tinhamos o segundo dos três melhores acessórios de um videogame: imaginação. Conversando nas tardes de sábado sobre como poderiam melhorar o RC Grand Prix e os jogos de corrida em geral, arrumamos um jeito de dar um upgrade no nosso simulador: ele seria em 3D, e em tempo real!

A “tecnologia” necessária para tal feito estava à nossa disposição: uma área ampla revestida de cimento, pedaços de tijolo, um quintal com plantas, cercado de pedras, e réguas escolares. O tijolo servia para desenhar o traçado, agora já com curvas, ésses e chicanes, uma verdadeira evolução dos circuitos “quadrados” do simulador (e o ótimo é que, após lavada a área, o circuito “desaparecia”, proporcionando a construção de novos de tempos em tempos). O quintal fornecia o mais importantes: os nossos “carros”, os tatus-bola que se escondia sob as pedras.

RC GrandPrix, para Master System

As novas regras eram as seguintes: uma vez na pista, os tatus só podiam ser guiados com a régua, sem intervenção manual. Esta só ocorria quando o tatu abandonava o traçado, e quando tal ocorria, o mesmo voltava para a linha de chegada como punição (em geral enrolado, pois o bicho se retraía quando pego, gerando ainda mais perda de tempo…). Quem completasse 3 voltas primeiro era o vencedor. Não precisa dizer, esta nova versão fez ainda mais sucesso que a anterior, e nossos amigos de rua entraram na onda.

Mãe tem sempre razão

Como a primeira versão do simulador nos tinha feito abandonar o Enduro, a segunda também nos afastou do RC Grand Prix. Minha mãe logo ficou desconfiada ao perceber que não tinha mais “meninos do buchão” pedindo dinheiro para locações todo sábado, e logo descobriu a brincadeira. Cismada como ela era, ordenou que a gente não brincasse com os tatus, porque ela considerava uma maldade e também poderia nos trazer doenças. Eu argumentava que a gente sempre devolvia os tatus para o quintal ao fim da corrida, e que a gente sempre lavava as mãos depois. Ela não ficou muito satisfeita mas não proibiu nada, embora sempre retornasse aos mesmos pontos.

Super Monaco GP, para Master System

Num fim de semana prolongado devido a um feriado, eu e meus irmãos resolvemos fazer as 500 milhas de Indianápolis: ao invés de apenas 3 voltas, íamos fazer 50! Fizemos um circuito ainda maior do que os de costume, selecionamos os tatus no terreiro e começamos a brincadeira. Após a quarta volta, o tatu de meu irmão parou de correr. Viciado em F1, imitei o Galvão Bueno, gritando: “estouuura o motor e ele abandooona a prova!”. Todo mundo riu, ainda mais quando o meu também “arriou” uma volta depois. Mas a coisa ficou mais séria quando, na mesma volta, o terceiro e último também parou.

Constatamos que não era por cansaço que eles haviam parado: os tatus não aguentavam o esforço e morriam. Sentimos aquela pontada de culpa, e ouvimos, mesmo sem ela estar por perto, as palavras de minha mãe: “para quê esta maldade com os bichos?”. Acabamos a brincadeira por ali, apagamos o circuito e resgatamos a versão original que, embora menos emocionante, não custava a vida de bicho nenhum…

Tatu-bola

Mas minhã mãe não estava meio certa apenas: de tanto ficar revirando o terreiro, pegamos umas “bicheiras” nas mãos que recompensou a teimosia de cada um com algumas boas injeções…

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E3 2009: Três clássicos de PSX na PSN Acerte a artwork – só mais um dia

3 Comentários Add your own

  • 1. Orakio "O Gagá" Rob  |  junho 5, 2009 às 6:05 pm

    Ha ha, ótima história! Essa dos tatus foi ótima. Quando eu fazia corrida de caracol não tinha esse problema de “estourar o motor” porque as pistas eram pequenas. Os bichos eram muito lentos, acabar uma volta já era um feito :)

    Responder
  • 2. maxi2099  |  junho 5, 2009 às 11:18 pm

    Ainda bem que vocês não evoluíram para corridas de Le Mans…

    Responder
  • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  junho 8, 2009 às 2:32 pm

    Quando eu “sacrificava” as lagartas de laranjeira da casa do meu primo, pelo menos elas viravam comida de calango. Então eu fico com um pouco menos de sentimento de culpa…

    Mas esses dias eu me lembrei que eu também simulava “jogos de luta” com borrachas e lápis. Fazia barras de energia, golpes especiais e até esquivas. Talvez eu conte um dia aqui. =]

    Responder

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