WarpReview: Tensão Abaixo de Zero | PC

junho 8, 2009 at 6:45 pm 11 comentários

Por Barry Burton

Que brasileiros ainda com muita dificuldade tentam se inserir no mundo dos desenvolvedores de games, todos sabemos. Afinal, até mesmo eu pude sentir na pele as dificuldades em se criar jogos nacionais no ano passado, quando trabalhei em uma empresa de games. Mas em quais aspectos os desenvolvedores brasileiros mais pecam?

Acredito serem dois principais: pensar grande demais e não saber pensar de forma simples. A maior parte dos desenvolvedores acreditam ser capazes de fazer um God of War ou  World of Warcraft sem nunca sequer terem programado um Mario Bros. ou Mega Man de qualidade – o que, convenhamos, ainda assim é difícil, já que ambos são aulas de excelência em game e level design, os quais, afinal de contas, são os mais importantes atributos de um bom game.

Tensão Abaixo de Zero é um daqueles exemplos que surgem de vez em quando para lembrar a nós, brasileiros – que ainda não temos milhões de dólares para gastar em desenvolvimento de jogos -, que podemos sim fazer jogos excepcionais a partir de conceitos simples e, assim, evitar equívocos megalomaníacos como Erinia e Taikodom (este que já carrega em suas costas 10 anos e 15 milhões de reais em desenvolvimento, sendo que a maior parte de suas metas ainda não foram atingidas). Saiba o porquê após o pulo.

Como dito, o conceito é extremamente simples: você é Alan, um alpinista que, junto de seu amigo Victor, resolveu enfrentar o desafio de escalar uma das chamadas “Eight-Thousanders“, os picos de mais de oito mil metros que fazem parte da cordilheira do Himalaia. No entanto, em determinado ponto da subida, Victor comete um deslize e cai nas profundezas das montanhas. Como amigo fiel e corajoso que você é, resolve, junto de sua fiel Piolet – a picareta versátil do alpinista – encarar a escalada ao contrário.

Os comandos também são simplificados e se resumem às setas direcionais do teclado e à barra de espaço. Com as setas você se movimenta para os lados ao andar ou para cima e para baixo quando estiver escalando, e com o espaço você brande seu Piolet para iniciar escaladas e descidas, ou usa itens secundários que porventura encontrará na jornada. Você conta com uma barra multi-uso de oxigênio, que funciona como seu “Life” e “Stamina” ao mesmo tempo. Afinal, o ar das altas altitudes é rarefeito e o menor movimento pode lhe provocar um colapso. Seu único inimigo no jogo é o próprio pico, que irá lhe apresentar puzzles e tomadas de decisão perigosas.

Tomando emprestado o conceito do Prince of Persia original, você tem um limite de tempo para achar seu amigo (apesar de ser engraçado Alan saber quanto tempo ele ainda tem de vida), e, também, é limitado pela “realidade”. Este aqui não é um game de ação, como Metal Slug ou Castlevania, então não espere dar saltos de quatro metros de altura e sair ileso ou correr fatiando dezessete inimigos com apenas um golpe de Piolet. Praticamente todas as suas ações são perigosas, até mesmo andar ou correr.

E é aqui que entra a justificativa para o título do jogo, “Tensão”. O jogo é tenso, no sentido literal da palavra. Correr ou escalar consome sua barra de O2 e com frequência você deverá parar para descansar e recuperá-la. De vez em quando, você terá que se equilibrar em estreitas faixas de gelo, quando uma nova barra de equilíbrio aparecerá, obrigando-o a adminstrar tanto seu oxigênio quanto seus movimentos para não cair.

Todo o clima é acentuado com a excepcional trilha sonora do jogo criada pelo próprio programador, André “STALTZ” Medeiros, claramente inspirada no compositor de Shadow of the Colossus, Kow Otani (devidamente creditado nos agradecimentos), criando uma atmosfera minimalista e misteriosa como em Super Metroid.

Os gráficos do jogo se apresentam de forma talentosa em pixelart feitos pelo artista Glauber “Un7” Kotaki. As animações são bastante fluidas e o personagem se move convincentemente, transmitindo a dificuldade de se locomover pelo terreno inóspito, apesar de eu achar que o movimento dele caindo de alturas baixas ainda é um pouco exagerado. O cenário não permite muitas variações, mas o level design deixa cada área com um desafio único e inteligente.

Mas é claro que o jogo não está livre de problemas, e dentre eles cito dois principais: a forma de usar itens secundários é confusa e difícil de compreender no início, principalmente no que diz respeito a saber quando usar. O outro é a impossibilidade de se repetir as dicas do jogo. Assim como o Angry Video Game Nerd tanto criticou em Castlevania II: Simon’s Quest para NES, se você por acaso pular uma dica do jogo (por exemplo, onde usar um item), já era. Você só a verá de novo caso recomece o game. Não é um problema tão grave em um jogo que dura no máximo vinte e cinco minutos, todavia.

O progresso é salvo periodicamente, e, caso você venha a morrer (e acredite, você irá morrer com frequência caso aja com imprudência), poderá recomeçar do último checkpoint. Aliás, morrer nesse jogo é uma das mais traumáticas experiências que já tive: o timing utilizado para você perceber que seu personagem está sangrando e a surpresa da constatação da morte são horripilantes! Ponto para os desenvolvedores, já estão aptos a criar um game de terror.

Aliando tudo isso a situações inusitadas como mistérios dentro do próprio game e até mesmo um caminho alternativo para se terminar, esse é um jogo fácil de ser recomendado. Ainda mais se levarmos em conta de que ele é de graça! Você pode baixá-lo pelo seguinte link: http://superdownloads.uol.com.br/download/64/tensao-abaixo-de-zero/

Bom divertimento!

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11 Comentários Add your own

  • 1. Intentor  |  junho 9, 2009 às 2:21 am

    Muito 10!

    Já estou baixando-o.

    De fato, só olhando-o aqui já fiquei maravilhado com esta pequena obra digital nacional!

    E temos futuro, hem? Ressalto que serei um dos próximos também, dado que, além de ser desenvolvedor há alguns bons anos, faço faculdade de desenvolvimento de jogos e estudo linguagens e técnicas relacionadas por fora.

    Vamo que vamo, Brasil!

    Responder
  • 2. Dunky  |  junho 9, 2009 às 3:39 am

    Ahaha eu vi a figura e o nome do jogo e pensei logo no meme TENSO xD

    Vou baixar porque acredito que o brasil tem potencial nessa área e que só estamos mais ou menos 10 anos atrasados no quesito desenvolvimento de games (alguém avisa os produtores do taikodom sobre isso ha), mas nada que novas tecnologias/técnicas que venham de fora não possam ajudar.

    Só não abusar querendo fazer um Assassin’s Creed logo de cara :P

    Responder
  • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  junho 9, 2009 às 12:16 pm

    Comentem depois o que acharam do jogo! =]

    Responder
    • 4. Philip  |  junho 9, 2009 às 1:13 pm

      É daqueles jogos em que vira questão de honra você passar das partes onde vacilou… Muito bom mesmo, joguem logo!!!

      Responder
  • 5. Flaviometal  |  junho 9, 2009 às 2:17 pm

    Ótimo joguete, Barry! Lembra um pouco Prince of Persia antigão, porém mais tenso. E PORTEM ISSO PRA PSP OU DS LOGO!!!!

    Responder
  • 6. Tottou  |  junho 11, 2009 às 1:16 am

    Passando a tensão de fim de semestre tou baixando DX parece esbanjar carisma estilo iwtbtg mas sem as putarias.

    Responder
  • 7. Freekscape: jogo brasileiro na PSN! « WarpZona!  |  abril 6, 2010 às 11:16 am

    […] dos artistas do jogo é nosso já conhecido Glauber “Un7″ Kotaki (co-autor de Tensão Abaixo de Zero), mas não esperem por pixel art dessa vez, já que o jogo é inteiramente em 3D. […]

    Responder
  • 8. Oniken, jogo nacional e… bom! «  |  setembro 2, 2010 às 3:20 pm

    […] a jogabilidade simples e focada de Tensão Abaixo de Zero, Oniken, feito pelos dois excelentes pixel artists Danilo Dias e P.F.Paiva, apresenta ação em […]

    Responder
  • 9. DoubleJump » Blog Archive » A maldição dos jogos Indie  |  setembro 16, 2010 às 1:32 pm

    […] de fazer alguma crítica pesada, já que não sou total conhecedor, mas apenas adepto (já que até eu experimentando de vez em quando […]

    Responder
  • 10. Juh Mazarin  |  outubro 8, 2010 às 3:12 pm

    Nossa, comecei a jogar esse jogo e já estou bem perdida. Parece que mudo de caminho toda hora! Não sei mais por onde ir já que por todos os lados estou cercadas por quedas fatais. Se tiverem alguma ajuda me informem! XD

    Responder
    • 11. Glauber Kotaki  |  outubro 8, 2010 às 4:22 pm

      É normal o caminho mudar, ele é dinâmico, para tornar as experiências um pouco diferentes uma das outras. Procure por algum item que te ajude a fazer travessias sobre as quedas fatais ;)

      Responder

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