WarpReviews: The Legend of Zelda – Majora’s Mask | N64

agosto 16, 2009 at 3:45 am 3 comentários

Por Barry Burton

Majora’s Mask é o segundo episódio mais controverso da série Zelda. Enquanto Zelda 2: Link’s Adventure para o NES alegremente carrega o selo de “ovelha negra” estampado em sua caixa (o que não o faz ser um jogo ruim, apenas “desviado”), a segunda aventura de Link no Nintendo 64 é visto ou como grande decepção ou como maravilhoso, quase um ame ou odeie. Talvez o maior fardo dele seja ter vindo logo depois de Ocarina of Time, que fez com que muitos esperassem uma “superação”, sem estarem preparados para algo “diferente”.

Pois é isso que Majora é: diferente. Para começar, não há Zelda no roteiro principal. Ela faz uma ponta (pontinha), mas apenas isso. Não há Ganon. Não há Hyrule. Há pouquíssimas dungeons. Apesar de muito disso ter sido feito no também excepcional Link’s Awakening para Game Boy Color, a diferença de proposta não era tão aparente. E isso nota-se nos primeiros minutos do game, quando você vê Link se transformando em um Deku Scrub – aqueles monstros-planta com cara triste que cospem sementes -, fazendo com que ele perca toda a sua pose de herói. Mas não é apenas na jogabilidade que se nota a diferença: o clima é totalmente sombrio; a transformação é pertubadora e dolorosa; as músicas são notavelmente melancólicas; o inimigo, Skull Kid, veste uma máscara assustadora e é perverso, mau, cruel, mesquinho, bem diferente do posudo e ambicioso Ganondorf. Até mesmo a fada que acompanha o herói não é mais a bondosa (e irritante) Navi, de Ocarina of Time, e sim Tatl, que é arrogante, provocadora e oportunista, além de ter um nome impronunciável.

Isso tudo ocorre no começo do jogo. Estava Link feliz da vida andando em Lost Woods à procura de alguém muito querido que havia ido embora (Navi?), quando de repente Skull Kid assusta sua égua Epona, fazendo com que Link caia e bata a cabeça, desmaiando. Revistando o garoto, o pequeno demônio da floresta encontra a Ocarina do Tempo, roubando-a para si. Link acorda e tenta pegá-la de volta, mas o Skull Kid é ágil e monta Epona, roubando dois valiosíssimos pertences do moleque-herói. Numa frustrada perseguição, Link acaba caindo em um buraco que parece não ter fim, mas tomou o caminho da esquerda para não entrar no País das Maravilhas. Pois antes tivesse entrado, já que o Skull Kid estava onde Link cai, preparando um terrível feitiço que transforma o simpático garoto em um também simpático, porém triste Deku Scrub. Após uma desavença entre as duas fadas-irmãs que acompanhavam Skull Kid, que foge rindo de sua travessura, Link consegue sair do buraco, com o já tradicional e muito bem implementado tutorial-resolva-pequenas-tarefas de jogos da Nintendo. No caminho, encontra um estranho vendedor de máscaras, que sabe muito mais do que aparenta. Ele lhe diz que você está em um mundo chamado Termina e que a máscara que o Skull Kid estava usando era a Máscara de Majora – um artefato demoníaco que deveria ter sido destruído há tempos. Ele também lhe fala algo bem pertinente: o mundo será destruído em três dias por um asteróide gigantesco (e com um rosto ameaçador) que está descendo vagarosamente graças ao Skull Kid, e você só tem esse tempo para resolver seus problemas. O que claramente é impossível.

Evitando spoilers, após finalmente recuperar sua Ocarina (que é um tanto diferente nas mãos do Deku Scrub), é dado a você o poder de voltar o tempo, exatamente no ponto em que pôs os pés pela primeira vez nesse bizarro mundo. O vendedor também usa – e lhe ensina – uma música com poderes curativos, que aplacam distúrbios na alma da pessoa que ouve, fazendo com que o feitiço do Skull Kid se materialize fisicamente em uma máscara. Enquanto muito interessante quando analisado dessa forma, do ponto de vista de “um jogador de Zelda” esse curto início é radicalmente diferente de todos os outros jogos da série, além de ser de certa forma difícil de se resolver, e infelizmente isso afastou muita gente dessa fantástica obra de arte.

Continue lendo após o pulo!

Esse prelúdio ilustra muito bem o restante do jogo. Todo o ambiente é opressivo, o jovem herói de Hyrule é desconhecido e visto com desprezo por muitos, não é um “salvador” ou “predestinado”, não tem seu trabalho reconhecido, é passado para trás com freqüência e, quando finalmente consegue a confiança de alguém, é obrigado a voltar no tempo e ver que todos o ignoram novamente. Link não é ninguém em Termina.

Falando em pessoas, esse é de longe o ponto mais interessante do jogo. Logo no prelúdio você consegue um livro chamado Bombers’ Notebook, no qual Link anota as pessoas que possuem problemas em Termina. Um interessantíssimo padrão de vida foi construído para todos os personagens nesses três dias, e o que você faz ou deixa de fazer com eles altera, às vezes drasticamente, todo o planejamento de vida deles. É uma adição muito bem realizada e por muitas vezes até poética, levando em conta que os personagens não “sabem” que você “sabe” o que vai acontecer com eles. Resolver essas tarefas lhe renderá máscaras, pedaços de coração e outros itens, em inúmeras sidequests. A bem da verdade, esse é o Zelda mais voltado às sidequests, e pode-se afirmar que 75% da diversão do jogo está em resolver as trocentas tarefas “inúteis”, porém muito bem encaixadas na trama, todas divertidas e nunca repetitivas, e garanto: algumas vão fundir sua cabeça de tão complicadas. Felizmente, quase nenhuma quest é absolutamente necessária para se fechar o jogo, mas deixá-las para trás é como comer só a massa do bolo, largando o recheio e a cobertura de lado.

O controle de Link é exatamente o mesmo que você encontrou em Ocarina of Time, com algumas perfumarias. Uma ampla gama de movimentos graças à adição dos engenhosos “botão de ação de contexto”, que lhe diz qual ação você pode realizar ao se apertar o botão “A” e o sistema de trava de mira, que permite que um inimigo nunca saia de sua vista, ao mesmo tempo que lhe oferece a opção de esquiva, corte lateral horizontal e outras coisas. Link agora é um astro de filme chinês, realizando cambalhotas e mortais ao saltar automaticamente de penhascos, mas isso é apenas legal, não afetando nada da jogabilidade, diretamente. Esta que continua um luxo, praticamente perfeita e servindo para as diversas opções de jogo, como cavalgar, atirar flechas, tirar fotos etc., sem nunca parecer que algo foi mal implementado.

As 24 máscaras cumprem um papel muito mais importante pra narrativa do que as vistas em Ocarina of Time. Muitas delas terão um papel secundário, tendo que ser usadas apenas uma vez ou duas para a resolução de algum puzzle, enquanto outras são interessantes adições na jogabilidade, como a que permite que Link se locomova duas vezes mais rápidas que o normal. Porém, três delas são de fundamental importância: as que lhe permitem tornar-se algumas das criaturas clássicas da série. Dessa forma, você pode ser o já citado Deku Scrub, que é fraco e vulnerável ao fogo, mas pode cuspir bolhas, “saltitar” na água e planar usando flores num controle um tanto estranho, mas eficiente; o Goron, a criatura que come pedras, é grande, forte, lerda e adora rolar no melhor estilo Sonic (e melhor mesmo, já que o controle de seu “spindash” é muito melhor resolvido que os do ouriço em jogos 3D); e o Zora, o ser aquático com cabeça de peixe que executa golpes ninja a lá Bruce Lee e possui uma incrível habilidade sob a água, em uma das mais espetaculares experiências de jogo que acontece quando se mergulha no mar de Termina (experimente nadar ao entardecer para se ter uma idéia… nunca nadar foi tão prazeroso em um jogo!). Detalhe para a impressionante expressão de agonia que link demonstra ao vestir uma dessas máscaras, com um grito assustador e um clima de desespero angustiante. Aliás, voltando ao assunto “tema sombrio”, vale ressaltar que há uma forma de deixar Link adulto. Porém, nunca antes ele pareceu tão agressivo ou maldoso. Dark Link que se cuide!

Um ponto que pode incomodar àlgumas pessoas é a reciclagem na cara dura de diversas faixas musicais e personagens inteiros de Ocarina of Time. Embora a animação e a textura de tudo ter melhorado bastante, não há como negar que seria melhor personagens totalmente novos, já que se trata de outro mundo. E as músicas adicionais não são muito impressionantes também, além de muitos temas serem repetidos à exaustão, apenas com arranjos diferentes. outro ponto é a quantidade limitada de dungeons, quatro, muito pequena se comparada aos anteriores que tinham uma média de nove. Tudo bem que elas estão entre as melhores dungeons da série, algumas dificílimas (Great Bay Temple), e outras, por falta de palavra melhor, geniais (Stone Tower Temple, talvez a melhor dungeon de todos os tempos). Os chefes também são muito bem trabalhados, possuem diversos ataques e alguns são bem difíceis de se combater, porém estão entre os maiores e mais bonitos já vistos. Inclusive o quarto deles chega a superar em tamanho alguns dos maiores colossi de Shadow of the Colossus – e você enfrenta dois AO MESMO TEMPO!

Talvez o único grande problema do jogo seja o seu sistema de save. Para tal, você deve tocar uma música que o faz voltar ao ponto em que entrou em Termina. Essa é a única forma de salvar seu progresso no jogo (existe um quicksave, mas este se apaga ao dar load game), e ela faz com que você perca todos os seus itens acumuláveis (bombas, flechas, dinheiro etc), podendo irritar o jogador algumas vezes, levando em conta que às vezes você está já no terceiro dia mas cometeu um erro ou simplesmente não vai conseguir passar da dungeon antes da destruição. É claro que isso é muito interessante sob o ponto de vista da história ou do clima opressor que o jogo oferece, mas realmente pode incomodar algumas vezes.

Não espere outro Ocarina of Time de Majora’s Mask. A mudança de direção do jogo de Miyamoto para Aounuma só enriqueceu a experiência de Zelda, que mudou drasticamente muitos aspectos da série, deixando-a bem mais opressiva, desafiadora, melancólica e sombria. Não que um seja melhor que o outro, mas é bom ver que a Nintendo não tem medo de mudar as fórmulas de suas franquias de vez em quando. Talvez a disparidade desse jogo com os outros seja muito maior que a de Wind Waker, que só teve seu visual diferenciado, enquanto a temática heróica se manteve. Majora’s Mask é um jogo incrivelmente profundo. Você irá imergir em Termina quando começar a descobrir a história única de cada personagem, quando souber que pode ajudar as pessoas ou não, e que Link não ganhará reconhecimento algum com isso. E adicionando um interessantíssimo adendo à série, pode-se controlar raças extremamente adversas ao já tradicional herói, seja com o gigante Goron, o esguio Zora ou o desajeitado Deku Scrub. A qualidade da série se mantém altíssima nesse incrível, embora não para todos, episódio da série.

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3 Comentários Add your own

  • 1. Ryunoken  |  agosto 16, 2009 às 6:44 pm

    Tenho esse e o Ocarina a anos, e nunca os joguei. Esse me atraí mais. Um dia, quem sabe?

    Responder
  • 2. Max  |  agosto 17, 2009 às 10:09 am

    Puxa, ótima análise do game… É de alguem que realmente jogou tanto este quanto o Ocarina of Time. Para quem é fã de Zelda não se pode deixar passar esta jóia.
    Parabéns!

    Responder
  • 3. Diego  |  agosto 20, 2009 às 5:40 pm

    Eu acho esse aí melhor que o Ocarina, e o último zelda “pra macho” também.

    Responder

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