Entrevista: Vintagenesis

setembro 1, 2009 at 10:04 pm 11 comentários

por Ryunoken

O Warpzona traz pra você mais uma entrevista exclusiva! Pra você que é fã de gamemusic e sabe que a cena está crescendo no Brasil, com bandas como Megadriver e 8bits Instrumental e blogs como o Console Sonoro, especializado exclusivamente nesse segmento da música, trazemos essa entrevista com os amigos Cledson e Fernando, da Vintagenesis. No final da entrevista ainda tem um vídeo dos dois e o link para todos os trabalhos publicados pela dupla no Youtube.


Comentários do Warpzona em preto, entre parênteses.

Warpzona – Quantos anos tem, quais instrumentos vocês tocam e há quanto tempo?

Fernando: 28 anos. Toco uma Washburn Mercury Series e um violão de 30 anos. Na verdade, comecei a tocar violão e guitarra com 16 anos. Me empenhava mais no violão clássico, nunca fiz aula de guitarra. Há uns dois ou três anos retomei mais sério com a guitarra.

Cledson: Tenho 29 anos e toco guitarra faz uns 10 anos. Cheguei a mexer um pouco com teclado, mas acabei largando de lado. Toco numa Les Paul Shelter Sx GG1 e tenho uma Washburn Strato e um violão folk.


Warpzona – Como a paixão por música e a paixão por games começaram a virar uma coisa só?

Fernando: Realmente música e games eram duas práticas bem distintas. Antes, eu era mais viciado em games, não tinha muito acesso a instrumentos. Joguei Atari 2600, Nes, Mega e PC (este, até hoje). Sempre havia Video Game Musics (VGM) que gostávamos mais que os próprios jogos, mas a gente se unia pra tocar rock e blues “convencionais”. Desligava os equipamentos e ia jogar PC. Esta divisão música/jogos foi se diluindo com o tempo. Daí eu me lembro da gente tocando o tema da fase do Ken do Street Fighter II, com base feita em Guitar Pro (software de guitarra e etc). Durava uns oito minutos revezando entre base e solo. Aprendemos muito ai e passamos a gravar os vídeos (a Ken Stage foi gravada inúmeras vezes, a última acabou no Youtube). Hoje, raramente tocamos algo que não seja VGM nos ensaios.

Cledson: Eu sou louco por games desde sempre. E tenho várias fitas K7 com músicas de vários jogos que joguei (pra ouvir no Walkman). Fora os VHS com finais de jogos que eu zerava.

Mas então… Na época que comecei a mexer com teclado, eu tirava algumas músicas de alguns games. Mas nada sério. Mas a gente começou mesmo depois de um dia que o Fernando esteve lá em casa, e a gente tava fazendo um som e eu toquei um pedaço do tema do Ken (Street Fighter II) no meio de um solo e a gente começou a rir e ele falou algo tipo : “Pô…essa música é massa”. Mas a gente não sabia tocar. Dai no outro final de semana, a gente reuniu de novo e tocamos a música inteira. E depois no outro seguinte, a gente já estava pensando em outros jogos pra tirar as trilhas. E desde então começamos a fazer isso quase sempre.


Warpzona – Pretendem trabalhar em alguma das duas áreas?  Ou nas duas, quem sabe?

Fernando: Na verdade me formei Químico (outra paixão) e estou ralando no Doutorado. Talvez, se eu tivesse me preparado esse tanto na área da música, estaria frustrado com os “tchans, créus e ops, I did it again” que circulam por ai. Já cantei em corais daqui de Juiz de Fora, mas perdi o interesse. Quanto a games, tentamos fazer um de ciclismo (outra paixão), mas ficou no papel. Compor trilhas sonoras de games deve ser fantástico.

Cledson: Olha, no meu caso, para Game Music, não. É só um hobby que curto muito. De repente, se a gente tivesse estrutura, fazer shows e tal, mas por enquanto, é somente lazer. Na área de games eu cheguei a me matricular duas vezes em especialização em desenvolvimento de jogos, mas nas duas não fecharam turma por ter poucos alunos.

O mesmo aconteceu quando fui fazer pós-graduação em animação. Então eu meio que dei um tempo nisso. Mas quem sabe mais pra frente? Pra falar a verdade, eu e o Fernando tínhamos um projeto de jogo que fizemos na oitava série, mas que ficou engavetado. Ainda temos vários sketches guardados.  (queremos ver esse projeto retomado!)


Warpzona – Pretendem lançar um álbum virtual ou participar de coletâneas, a exemplos de outras bandas? Se sim, o que está faltando pra isso?

Fernando: Sempre conversamos sobre. Se gravamos, se disponibilizamos mp3, o que tocamos, o que comentamos. Questões legais dificultam isso. Também faltam tempo, equipamentos e recursos mais sofisticados. Gravamos com placa on-board em PC comum, as guitarras são simples. Não utilizamos acústica, como num estúdio. Só emuladores, etc. É uma fase experimental ainda, mas que demanda tempo e grana.

Cledson: Olha, isso aí vira e mexe a gente brinca falando de montar um álbum mesmo. Pro bem da verdade, ainda não paramos pra pensar em fazer. O nosso tempo é bem curto. Eu trabalho o dia todo numa universidade e de noite faço uns freelas. O Fernando está fazendo doutorado. Então acaba que a gente tem pouco tempo mesmo. Mas não descartamos não, até porque com o pouco material que já temos, daria pra montar algo.


Warpzona – Quais as bandas de gamemusic que vocês curtem ou que influenciam seus trabalhos?

Fernando: De VGM mesmo são poucas, mas posso citar a Vídeo Game Orquestra e os 8-Bits (Instrumental).

Minhas principais inspirações na guitarra são Slash, Gary Moore, Steve Vai, Gustavo Guerra, Ozielzinho, Richie Sambora, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix… Ouço muita música clássica, Beethoven, Mozart, Bach… Sinto falta de sons puros após uma distorção pesada e vice-versa.

Cledson: Olha, como a gente começou tocando ao acaso, dentro de casa e tal, influência de bandas de gamemusic mesmo acho que não sofremos. Ao menos eu. Até porque eu nem conhecia bandas assim antes. Eu tinha feito um 3D do Rash do Battletoads de bobeira e acabei fazendo um videozinho de teste e queria por uma música do game de fundo só pra não ficar sem nada. Dai, quando procurei no Youtube, achei o povo do 8 bit Instrumental tocando um tema do jogo. Uma galera mó animada curtindo o show, o som bom. Então entrei em contato com os caras, trocamos umas idéias e foi a banda virou referência de game music pra mim. Baixei os álbuns e tudo. Foi até engraçado porque na época pensei: “Putz, já tem gente fazendo isso por aí“, quando achava que não tinha algo parecido. Mas influências que eu tenho, acredito que venham através de coisas que escuto mesmo. Gosto muito de blues e rock, e de música clássica também. Nomes como Stevie Ray Vaughan, Hendrix, Gary Moore, Metallica e tantos outros fazem parte da “minha” trilha. A gente tenta sempre colocar algo de clássico nas músicas porque gostamos muito (particularmente gosto bastante de Bach e Beethoven). Aliás, é até algo que faz demorar mais ainda pra gente gravar novos materiais. Por sermos somente dois, a gente tem de escrever a linha de todos instrumentos e isso toma tempo.


Warpzona – Citem duas ou três trilhas de jogos favoritas.

Fernando: Só 3? Streets of Rage, Road Rash, ECCO the dolphin, Sonic, Super Mario, Top Gear II (do Mega e do Snes) 18 wheels of steel (PC). Desculpa, passou. Theme of Laura (Silent Hill) , vai?

Cledson: Bom isso é complicado! São muitas, nossa! Vou citar três, mas a ordem delas não tem nada a ver com favoritismo.

* Megaman 3 – Eu acho trilha dele excelente. Já toquei um bocado de músicas desse jogo e acho que rola até uma certa influência dele, ehehe.

* Ecco the Dolphin 2 (Mega Drive) – O Ecco eu acho foda. Desde a abertura até os efeitos sonoros. A trilha dele é muito boa. Tudo super stereo. Eu gosto mais dessa versão que todas as outras de outros consoles.  Muito boomm! Aliás, já até fizemos um medley dele.

* Streets of Rage 2 – Acho que dispensa comentários né? O Koshirão (como diz o meste Alexei) foi bastante feliz na trilha desse jogo. O tema de abertura foi uma música que tocamos muito e ficamos muito felizes de gravar. Pena que o Youtube deu uma “capinada” no áudio, mas a gente deixou o link pra um arquivo com mais qualidade.


Warpzona – Que dicas vocês dariam pra quem quer começar a brincar com a gamemusic?

Fernando: No Brasil não há mercado pra VGM. Não espere ganhar dinheiro com isso, a menos que vire febre de repente. Faça VGM (ou o que quer que seja) por paixão e faça, se entender que muitas músicas merecem ser lembradas por muito tempo. Isso define música clássica. Acho que devemos trabalhar bem as músicas que gostamos à nossa maneira para serem ouvidas hoje e amanhã. Pra mim essa deve ser a contribuição do músico em geral. Do ponto de vista técnico, para começar, bastam o(s) instrumento(s), uma câmera filmadora, o PC, a internet ou amigos e mostrar a cara, não ter medo de críticas. Material didático tem muito por ai. Então pegue a VGM, faça uma backing track caprichada com aquilo que não há na sua banda e manda ver. Com o tempo, procure acrescentar suas características musicais nas músicas. Quem se interessar em mais detalhes, procura a gente ou o pessoal que está no ramo há mais tempo, é uma boa.

Cledson: Olha, a dica que eu dou é pegar o instrumento que você toca e começar a tirar e gravar as músicas. Gravar é uma boa, pois, você vê como está ficando e pode melhorar o que ainda não está legal. Coloque os jogos pra rodar e verá que material pra se trabalhar não falta. É muito bom dirigir por aí ao som de Top Gear, hehehe.


Warpzona – Vocês já  se apresentaram ao vivo, ou tem algo planejado?

Fernando: Se considerar que nossas versões de VGM foram gravadas ao vivo e sem cortes, sim, heheh. Mas, com público ao vivo, não. Mesmo assim estamos muito felizes com as visitas, críticas, comentários, dicas de músicas pra tocar. Tentamos agradecer todos os comentários (até um que estava em turco, eu acho, heeheheh). Aliás, mesmo recebendo comentários de várias partes do mundo, o apoio maior vem daqui do Brasil. Isso é motivante pra gente.

Cledson: Ao vivo, ainda não , infelizmente. Em nossa cidade não tem espaço pra esse tipo de som.  E como somos apenas dois, dificulta um pouco. Mas é algo que a gente quer fazer sim.


Warpzona – Vocês já  pensaram ou pensam em incluir novos membros e instrumentos à banda?

Fernando: Claro! É legal escrever as backing tracks e ouvir o resultado com sons melhorados, mas não passa disso. Não tem como inserir feeling e improvisos num midi file. Você sabe cada detalhe que o PC vai tocar no próximo compasso. Isso já fala o que é uma banda real. O difícil é achar o perfil adequado do músico, que entenda este trabalho como um hobby mais sério. Inclusive, aproveito pra agradecer àqueles que se interessam em tocar com a gente ou ajudaram de alguma forma, como o pessoal do Hadouken, do Caverns of Hope e é claro agradecer ao Andre (Ryunoken) do WarpZona. Valeu pela consideração!

Cledson: Olha, sempre acaba que falamos isso. Até pra agilizar o processo de arranjo das músicas. Seria ótimo, mas achar alguém que curta game music por aqui e que entenda que não é possível pra gente ficar sempre se encontrando pra ensaiar, é complicado.

A maioria dos ensaios acaba sendo cada um na sua casa, nas horas vagas. Cada um ensaiando com seu computador. Daí a gente marca, se encontra e vê o que acontece. Não é raro a gente mudar muita coisa depois de ensaiarmos ao vivo.

Instrumentos a gente sempre acrescenta nas músicas. Particularmente eu gosto bastante de piano, dai, ele acaba sempre presente em alguma coisa.


Warpzona – Pra finalizar, o que devemos esperar do Vintagenesis a curto ou longo prazo? Deixem também um recado para seus novos fãs.

Fernando: A curto prazo espero ganhar um pouco mais de técnica tanto na guitarra, quanto na parte de edição, gravação etc. Isso vai acelerar o nosso trabalho.

A longo prazo, espero que apareçam mais pessoas acompanhando e fazendo o que a gente tenta fazer e mostrar. Com o tempo, novas bandas surgindo, pode aparecer mais espaço nesse ramo.

Cledson: Olha, a gente já tem uma música nova que deve aparecer daqui alguns dias. Está na fase de ensaios. Pretendemos explorar mais outras plataformas também. Ultimamente temos feito muita coisa “Sega“. Mas foi ao acaso mesmo. O “Genesis” do nosso “nome” não quer dizer que tocamos só música dele. Aliás foi uma brincadeira com Vintage + Gen + NES + sis.

Recado que deixo pro pessoal que acompanha e sugere músicas pra gente é  agradecer a força e dizer que mesmo com tão pouco tempo pra fazer novos projetos, a gente não pensa em parar. E agradeço ao pessoal aqui por essa entrevista!

Acesse o canal do Youtube da Vintagenesis!

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Okami pro DS? Arte de Quinta: Fassad

11 Comentários Add your own

  • 1. Alexei Barros  |  setembro 2, 2009 às 10:05 am

    Muito legal a entrevista! Na verdade eu que tenho que agradecer ao Cledson por acompanhar o Hadouken tão assiduamente.

    Interessante perceber como hoje não é preciso fazer shows ao vivo para que as pessoas conheçam o trabalho. Sem falar que o alcance é muito maior pela internet. E às vezes os próprios integrantes da banda nem são obrigados a tocar juntos no mesmo ambiente.

    Parabéns à dupla, e continuem publicando mais vídeos!

    Responder
  • 2. Ricardo Somera  |  setembro 2, 2009 às 10:51 am

    Oi, tudo bem?
    Meu nome é Ricardo Somera, trabalho na agencia de comunicação online Gruda Em Mim (que o boi não te lambe!) e estou divulgando o Prêmio Nave.
    O Oi Futuro em parceria com a PUC-Rio, SB Games e Abragames premiará novos projetos da indústria de games no Brasil. O prêmio tem como objetivo fomentar a indústria de games do Brasil e do exterior. O assunto é de interesse do público do seu blog e provavelmente seu também.
    Se quiser saber mais sobre o prêmio é só enviar um e-mail pra mim que te mando os releases e vídeos do concurso.
    Abraço!

    Responder
  • 3. Kaka  |  setembro 2, 2009 às 11:12 am

    Gostei bastante da entrevista. Não conhecia a banda, achei o trabalho dos rapazes muito bom! Vou assistir aos demais videos com mais calma depois.
    Será que eles não querem vir pra Brasília dar uma palhinha no Video Game Metal? :0

    Responder
  • 4. Cledson  |  setembro 2, 2009 às 4:36 pm

    Oh que legal! hehe
    Obrigado ae pessoal! Agradeço em nome do meu amigo tb.

    Kaka.. como funciona ae o game metal? ehheh

    Responder
    • 5. Kaka  |  setembro 3, 2009 às 10:45 am

      Cledson, o Video Games Metal é um evento de video game music que estão organizando aqui em Brasília, marcado pro dia 21 de novembro. Vão tocar nesse evento algumas bandas do DF e algumas de outros estados também, como a Mega Driver e a Smash Bros, por exemplo. Tem tudo pra ser um evento bem legal. ;~~~

      Responder
      • 6. Cledson  |  setembro 3, 2009 às 11:43 pm

        Olha.. legal hein?
        Deve ficar bom!
        Pra gente agora ainda é complicado, mas quem sabe na próxima ;)

  • 7. Dunky  |  setembro 2, 2009 às 11:59 pm

    Po, o tema do streets of rage ficou excelente, cadê as mp3’s para eu ir ouvindo no caminho para faculdade? XD
    Parabéns para vocês dois e boa sorte com o vintagenesis :)

    Responder
  • 8. Cledson  |  setembro 3, 2009 às 12:03 am

    Fala Dunky….cara.. a gente hospedou alguma coisa no Goear.
    A do Streets ta aki… (que aliás ta com áudio melhor do que o video do youtube)
    http://www.goear.com/listen.php?v=a4228d0

    Responder
  • 9. Cedriwn Johan  |  setembro 3, 2009 às 11:39 pm

    Parabéns à banda e ao Warp :3
    É sempre legal conhecer material/pessoas assim ;D
    eu mesmo ainda tenho esperança de fazer com que minha banda de VGM, o Against The Emperor, saia da imaginação dos integrantes aheuiaehiouaehiou xD~

    //

    Video Games Metal?! vai ser onde que eu não tava sabendo?
    lá em taguacity provavelmente, néah? :3

    Responder
  • 10. Kaka  |  setembro 4, 2009 às 8:38 am

    Pra quem quer saber mais sobre o Video Games Metal:

    http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=87665589

    Lembrando que não tou ganhando nada com a divulgação. :X

    Responder
    • 11. Cledson  |  setembro 4, 2009 às 9:53 pm

      oh legal! Valeu pela dica!

      Responder

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