Uncharted 2: melhor jogo?

janeiro 4, 2010 at 10:00 am 11 comentários

Por Barry Burton

Indiscutível: os gráficos de Uncharted 2 são os mais belos já criados, tanto artística quando tecnicamente. O jogo parece um concept art em movimento, com cores vibrantes e ambientes ricos em detalhes. As animações, bem como a performance dos atores e as situações extremas são muito bem retratadas em tempo real, como nenhum outro jogo antes dele.

Agora, melhor jogo do PS3? Do ano? Ou, como admitem alguns, da geração inteira? Questionável.

Não nego que o jogo esteja entre os melhores que tive o prazer de experimentar, mas vários pequenos detalhes o tiram de tais patamares.

Em primeiro lugar, o level design. Incontáveis foram as vezes em que morri simplesmente porque não conseguia discernir onde Nate podia agarrar e onde não podia, o que torna o progresso através das escaladas algo um tanto aleatório. Sim, tem muitas coisas que parecem escaláveis, mas não são, sabe-se lá o motivo ou os desenvolvedores ficaram com preguiça de fazê-los parecer “menos agarráveis”. Sem contar coisas ridículas como um piso a menos de dois metros para baixo que causa morte instantânea em Drake simplesmente porque não programaram pra você pular lá. Sério que era tão difícil removerem esses pisos? Chega a ser hilário Drake dar um passo e morrer em uma pedra com musgo (e depois atravessar os polígonos)…

O sistema de combate é muito bom, mas contém dois defeitos que o afastam da perfeição: o sistema de “cover”, que faz com que Nate grude na proteção mais próxima, nem sempre é responsivo o suficiente, deixando sua cabeça exposta ao tiro de shotgun mais próximo, ou ainda o faz grudar na parede oposta. O outro defeito é não ter como saber onde os inimigos estão, fazendo com que algumas das lutas finais sejam um constante jogo de tentativa e erro, até você dar sorte de ser atingido menos e vencer. Sem contar que ainda acho que o sistema de recuperação automática de vida significa “game designers com preguiça de balancear o jogo”. Apanhou muito? Esconda-se por 10 segundos.

Sim, o jogo é lotado, rechado de mortes baratas, obrigando você a decorar fases e desincentivando exploração. Mesmo sendo Drake um explorador.

É triste, mas a maioria dos gamers (e até mídia “especializada”) estão confundindo altos valores de produção com qualidade do jogo. Chegando a níveis ridículos de no review da EGW termos frases como “é melhor que MGS4” (que também não é perfeito como muitos alardeiam), o que seria o mesmo que dizer “torta de limão é melhor que lasanha a bolonhesa”. Ambos são pratos deliciosos, mas devem ser apreciados em momentos diferentes. Se bem que a EGW já não tem nenhum crédito entre os gamers mais sérios, mesmo…

Como disse, não nego que é um dos melhores jogos que joguei, mas seus pequenos defeitos tendem a ficar maiores com o passar dos anos. Ele mostrou o caminho para os futuros jogos de ação, todavia.

Ah… e acho a trilha sonora genérica, parecendo musiquinhas de filmes de Hollywood sem inspiração, servindo apenas para reforçar o que está na tela.

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11 Comentários Add your own

  • 1. Philip  |  janeiro 4, 2010 às 10:20 am

    Quando comprei o PS3 primeira geração, praticamente no COMEÇO da vida dele, tive a sorte de semi-aleatoriamente escolher Uncharted 1 como o meu primeiro jogo (junto com Folklore). Era surreal estar jogando um FILME, e ao mesmo tempo um jogo muito bem acabado e divertido. Quando anunciaram Uncharted 2 eu fiquei empolgadíssimo. Evitei spoilers ao máximo e fiz preorder. Joguei. Realmente, muito impressionante graficamente (incluindo animações e câmeras). Mas achei duas coisas RIDÍCULAS, e culpo a onda de “facilitarem” os jogos: uma é o sistema de cover, que te arremessa pra alguma parede pra Nate se esconder de tiros, nem que você esteja a um metro e meio de distância da parede, sem discernimento. A parede simplesmente te sumona. Outra coisa idiota foi copiarem o sistema de cores de Mirror’s Edge. “Se for vermelhinho ou amarelo ou azul, pode pular que o Nate agara!”. E tanto o sistema de cover te deixando preso encostado em paredes atrás de objetos sólidos, te deixando preso, quanto o sistema falho de cores (muitas vezes não pintaram lugares escaláveis) são mal-acabados. Saco, queria Uncharted 1 melhorado! Mi!

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  • 2. lgjOni  |  janeiro 4, 2010 às 7:35 pm

    I ai, antes de mais nada! Feliz 2010 (mesmo que quase fora do prazo de validade!), mas em parte tenho que concordar sim, realmente o jogo não é perfeito, aliás, nunca vi um jogo que o fosse…
    Por outro lado, é de longe um dos mais bem desenvolvidos do PS3, que leva o hardware ao extremo, a facilidade citada é normal hoje em dia, foi-se o tempo em que terminar o jogo dependia de habilidade real, não de paciência para repetir e repetir fases… O Game Trailers fez a escolha certa acredito Eu, em incluí-lo não em jogo de aventura, mas de ação / tiro em terceira pessoa, porque no fundo é o que ele é, já que a exploração se tornou secundária no jogo que pela linearidade das fases, prima pela ação e não pela exploração…
    Mas há de se convir que jogos que realmente te dão liberdade hoje, são pouquíssimos, entretanto, acho que esse é sim o melhor jogo do ano para PS3, afinal ele é PARA PS3, não é como MW2 que é um jogo portado para todas as plataformas, onde em todas foi bem executado, exceção feita ao PC, onde a falta de servidores dedicados simplesmente engessou o jogo, e deixou ele mais do que nunca, com cara de port… Uncharted 2 executa tudo muito bem, mesmo que não seja épico em todos os aspectos, entretém, prende a atenção e diverte muito, incluindo no modo online, divertidíssimo, embora ainda perca em diversão e inovação para Killzone 2, ao menos no modo online, um jogo que em minha opinião foi uma surpresa, já que era o primeiro a ‘desacreditar’ do jogo, achando que ele seria um FPS bem genérico, mas cuja execução foi excelente em todas as áreas, roteiro, parte técnica, música, etc etc etc…
    Mas o mercado é assim, poucos são os que arriscam a fugir da fórmula de sucesso e quebrar paradigmas, até porque, antes de mais nada se tornou exatamente isso, um mercado, onde é preferível criar produtos de fácil apelo popular, com maior chances de retorno financeiro do que renovar, recriar e inventar correndo o risco de criar um produto de baixo retorno, ainda que se torne, um campeão de críticas…

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    • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  janeiro 5, 2010 às 9:20 am

      Oi, IgjOni!

      Então concordo com o que você diz, realmente ele é um jogo muito polido e bem servido. O fato é que acho triste exatamente esse fato: Uncharted 2 não tenta nada de novo.

      Da forma como todos estavam dando 10 ou equivalente para ele, dizendo “melhor jogo rulez alllllllll!!11”, eu estava esperando algo revolucionário como foi Ocarina of Time, Resident Evil 4 e GTA III, mas ele é apenas um jogo de ação muito bom. Só isso.

      Sinceramente, quando terminei o primeiro, fiquei com vontade de jogar de novo logo em seguida. Assim que terminei o U2, pensei “legal” e já tirei o disco e voltei a jogar Demon’s Souls, que na minha opinião é um jogo muito mais rico e envolvente.

      Como disse um cara num fórum, Uncharted 2 te faz se SENTIR o cara, enquanto Demon’s Souls te obriga a SER o cara. E isso é muito mais recompensador em um jogo. Em U2 tive a impressão de não estar no controle da ação, quase como um Dragon’s Lair.

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      • 4. lgjOni  |  janeiro 5, 2010 às 12:21 pm

        De fato, na minha opinião é um excelente jogo, e considero ele o jogo do ano para PS3 pelo conjunto da obra, e por ser um exclusivo para PS3… Não por ser perfeito ou revolucionário…
        Também acho ele um dos melhores jogos que já joguei, mas está longe de ser O melhor jogo, justamente pelos mesmos defeitos que você cita…
        Demon’s Souls realmente foi uma das surpresas do ano, e de fato é um dos jogos mais difíceis que joguei nos últimos anos, porque ele te obriga a se superar, a todo momento, mas ele te recompensa por isso… :)
        Uncharted 2 é obrigatório para os jogadores pela maestria com a qual a Naughy Dog executou a obra, não pelo o que ele significa para o mercado…

  • 5. Max  |  janeiro 5, 2010 às 9:22 am

    Gostei da matéria e também dos 2 primeiros comentários. Infelizmente o hype criou muitos fãs hardcores que não conseguem avaliar friamente o jogo. Tal como foi feito com MGS4. Não deixam de serem ótimos games, mas não dá para coloca-los em um patamar intangível!

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  • 6. maxi2099  |  janeiro 5, 2010 às 2:54 pm

    Pelo visto esse jogo é igual o Prince of Persia, bonito pra caramba, com uma produção artística impecável mas com todo o resto ficando só na promessa mesmo.

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    • 7. Rafael "Barry" Ventura  |  janeiro 7, 2010 às 9:03 am

      Espero que você esteja falando do PoP novo, e não do Sands of Time. =P

      De qualquer forma, não é que o jogo fica devendo. Ele faz tudo bem-feito, só não apresenta nada de novo, tipo o filme Avatar.

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  • 8. lemurius  |  janeiro 8, 2010 às 5:18 pm

    Tava faltando um post discordando :P

    Eu joguei Uncharted 2 e terminei ontem a noite. Não tenho PS3 há muito tempo, por isso não vou comparar (adorei o exemplo da torta de limão x lasanha). Porém eu acho que o jogo trouxe sim importantíssimas inovações que, na minha opinião, as pessoas deveriam prestar mais atenção.

    O detalhamento gráfico de Uncharted é diferente do de Crysis, por exemplo. Crysis tem mais polígonos, mas a direção de arte parece ter sido feita por um daltônico. Uncharted 2 tem ambientes com personalidade, cores. Fora as animações dos personagens, que são incrivelmente detalhadas.

    Isso tudo faz parte dos gráficos, mas as pessoas parecem achar que quem gosta de gráficos desvaloriza a diversão. Não basta altos níveis de produção para se fazer uma arte como a de U2. Uma boa qualidade artística do jogo é que te faz acreditar na história, e isso faz parte da diversão. E nesse ponto Uncharted 2 foi perfeito.

    Sobre os problemas que você teve, só ocorreu comigo um deles: o de pular em alguns lugares e não conseguir agarrar. Mas não aconteceu muito. O que achei realmente estranho foi reclamar de não poder ver onde os inimigos estão. E também da recuperação automática, que é uma tendência entre jogos de tiro, e que não torna o jogo tão mais fácil assim.

    Enfim, acho que quando um jogo eleva o padrão da arte, dos diálogos, roteiro, e game play, como U2 na minha opinião elevou, ele não precisa reinventar a roda para merecer ser chamado de “inovador”.

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    • 9. Rafael "Barry" Ventura  |  janeiro 8, 2010 às 5:55 pm

      Oi, lemurius!

      Bom, eu não estava “discordando” de nada, apenas quis fomentar uma discussão saudável entre nós, gamers =]

      O que fiz não foi reerguer a velha (e besta) discussão gráficos vs. diversão. Tanto que já deixei bem claro no começo que o acho o jogo mais bonito que já vi. É difícil comparar com Crysis porque a direção artística de ambos é bem diferente, sendo este mais voltado ao hiperrealismo e, principalmente, a mostrar as capacidades técnicas da engine da Crytec. U2 foi feito com um determinado estilo de arte conceitual em mente, e seus gráficos parecem muito mais ilustrações do que algo tentando ser realista. Ou será que todo templo abandonado possui belíssimas árvores ornamentando suas entradas? XD

      Seus personagens são bem mais caricatos, também, chegando a um quase-cartum. Eu prefiro, e acho uma besteira tentar imitar a realidade com 3D. Toda nova mídia tenta isso e, bem, só imagens com conceito artístico prevaleceram na história. O próprio MGS4 mantém um nível de estilização nos personagens que os deixa interessantes visualmente, e não parecendo bonecões como Heavy Rain.

      O que quis dizer com o texto é que U2, se você tirar os gráficos e as cenas de explosão/perseguição, não tem nada demais. RE4, que acho que seria uma boa comparação de proposta de jogo, é bem mais interessante por apresentar diversidade de gameplay para cada jogador, mesmo sendo também um jogo linear.

      Concordo com você que U2 mescla a história com a ação muito bem, deixando ambos quase indistinguíveis, mas não sei se considero isso uma “inovação” no mundo dos games. Porque isso, a grosso modo, não muda nada na gameplay. Realmente não houve nenhum outro jogo antes dele que já não fez isso? U2, despido da história, seria um Prince of Persia SoT misturado com Gears of War. E sinceramente esses dois jogos fizeram bem melhor em suas épocas. A parte “stealth”, embora divertida, não chega aos pés nem de MGS2, por exemplo. E os inimigos são burros como uma porta. Seus números contam mais do que suas estratégias.

      Perceba que não disse que recuperação automática deixa mais fácil, disse que é preguiça dos game designers de balancearem a dificuldade do jogo. Ou seja, é pra facilitar pra eles, hehe. E isso dos inimigos não vistos, algumas vezes fiquei rodando o cenário procurando um último que faltava, e contra os bichos azuis/último chefe é MUITO CHATO ficar levando tiro e de repente morrer porque você não vê onde estão. Ah, e terminei no hard.

      Como disse no post, não estou dizendo que o jogo é ruim, de maneira nenhuma! Estranhamente, é o conjunto da obra que faz U2 ser um bom jogo, o velho “soma maior que as partes”. Só que acho que a maior parte das pessoas está vendo em U2 algo revolucionário que ele não é e nem tem. Repito, ele é um jogo de ação muito bem-feito, e só.

      Eu acho que a indústria está necessitando de novos sopros criativos, porque jogos que simplesmente repetem fórmulas já são logo tratados como “inovadores”. Mesma coisa do filme Avatar. Demon’s Souls, que também saiu esse ano, possui muito mais pontos criativos, inovadores e envolventes que U2, mas graças à sua falta de marketing e a seus gráficos-não-tão-bons-quanto-Uncharted-2, vai passar despercebido por muita gente.

      Tenho um PS3 há menos de três meses. Não sei se isso influencia em alguma coisa, no entanto. =]

      Responder
  • 10. lemurius  |  janeiro 11, 2010 às 4:02 pm

    Entendi melhor.

    E posso concordar que realmente o jogo não inova no gameplay. Tanto que podemos comparar com Gears, PoP e outros.

    Mas o meu argumento é que mesmo jogos que não trazem inovações podem ser importantes.

    Vou dar um exemplo cinematográfico. Se você pegar aqueles filmes franceses malucos da época de Godard, todos foram muitíssimo inovadores (até demais). Quebraram quase todos os parâmetros existentes e reinventaram nos seus filmes. Nos games você pode citar jogos como Shadow of the Colossus, que quebrou muitos preceitos, de gameplay e narrativa.

    Agora você pega outro filme, como Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Esse filme não inovou absolutamente nada. A temática já existia em livros, a narrativa usa os preceitos que se aprende nas aulas de roteiro, e a direção do filme ´não faz malabarismos nem é experimental.

    Mas o filme ainda assim é maravilhoso, pois cada elemento dele é extremamente polido, os personagens, a ambientação, os diálogos… apesar de não serem inovadores.

    Os dois tipos de abordagem são importantes, e acho que nos games também. Precisamos de jogos inovadores e revolucionários, como Braid que saiu em 2008. Mas eu não tinha visto ainda um jogo de ação que reproduzisse tão bem a sensação que tenho e que quero ter quando assisto um filme blockbuster: me divertir e ouvir uma boa história.

    Os jogos experimentais são os que fazem a linguagem dos videogames avançar. Mas também precisamos de “superproduções” que contem uma boa história casada com o gameplay sem preocupações de inovar, mas em fazer algo que envolva. E se o Uncharted 1 fez isso muito bem, pra mim o 2 elevou ainda mais o padrão, e a indústria vai ter que seguir!

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    • 11. Rafael "Barry" Ventura  |  janeiro 12, 2010 às 9:29 am

      Não sei… apesar de o Godard ter quebrado muitos preceitos do cinema, no fim das contas seus filmes não se seguraram com o passar do tempo. Hoje eles são encarados muito mais como experimentalismo do que como algo realmente revolucionário. Seu ritmo e narrativa são comprometidos pela “rebeldia”.

      E sabe que considero Indiana Jones inovador, pro cinema? Não existia nenhum filme como ele, antes dele. Haviam acenturas e tal, mas nenhum com o clima e humor de Indy. Pra gente hoje parece meio conservador, de tanta imitação que há, mas imagine-se naquela época, assim como foi com Star Wars. Foi o mesmo caso dos Beatles, que hoje muita gente acha “comum”, mas na época não havia nada igual – considerando, claro, que a banda é muito mais competente em sua área que os respectivos filmes.

      Nesse sentido, Indy e Uncharted são parecidos sim (mais do que na temática, hehe). =]

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