Especial: jogos não-licenciados – Parte 1

junho 11, 2010 at 7:30 pm 4 comentários

por maxi

E aí pessoas? Como já fazia um tempo desde que eu não preparava uma matéria especial para o blog (a última tem mais ou menos um ano, em que eu falei sobre as melhores romhacks), decidi preparar mais uma interessante, principalmente para os colecionadores de cartuchos e entusiastas de desenvolvimento para consoles velhos de plantão. Porém, esta tem um detalhe diferente da última, que só falava de jogos bons.

O que será apresentado desta vez são vários jogos não-licenciados para plataformas antigas. Enquanto que no meio disso tudo a gente vai encontrar umas coisas bacanas, também vamos ver coisas medíocres ou extremamente ruins, porém eu tomei o cuidado de, mesmo nestes casos, pegar detalhes interessantes de serem observados.

Também é interessante ressaltar que jogos não-licenciados são jogos lançados em mídia física sem permissão da empresa dona da plataforma e/ou dona dos personagens usados no jogo. Então nada de jogos cancelados, hacks ou homebrews nessa matéria.

Começaremos pelo Nintendo, cujo mercado nacional era lotado de jogos piratas na época, devido a empresa não possuir nenhum representante aqui até a chegada da Gradiente. Por isso mesmo, alguns jogos aqui serão velhos conhecidos dos donos do console e leitores de revistas como a Vídeo Game e a Ação Games. Acompanhe após o pulo.

A época dos 8-bits praticamente não possuía jogos de luta, com os poucos expressivos saindo depois do lançamento de Street Fighter 2, como os ports de Mortal Kombat 1 e 2 para o Game Boy e o Master System, ou Masters of Combat também para o console da Sega. Como o Mega Drive e o Super Nintendo já estavam no mercado, o gênero começou a se popularizar nos dois consoles, que recebiam ports dos jogos de arcade em um nível bem mais avançado (embora ainda imperfeito) que na geração passada. E é justamente por causa disso que empresas como a Capcom e a SNK resolveram largar de vez os 8-bits e se concentrar nas novas máquinas, a final de contas lançar ports que estão bem abaixo dos originais era desperdiçar dinheiro, já que o Mega Drive acelerou a mudança de plataforma por parte dos jogadores em todos os lugares exceto no Japão, que só aconteceu com a chegada do Super Nintendo. Para quê os jogadores comprariam um Street Fighter 2 8-bits quando eles teriam a disposição o jogo com gráfico quase igual ao do fliperama na versão de snes ou sem dar slowdown no mega?

Pois é, só que em vários países pobres como China e Taiwan o Nintendo ainda estava firme e forte nessa época (e ainda hoje, só que com outros nomes e formas, geralmente lembrando os PlayStations da vida…), e olhando esse nicho que mercado que ia ficando para trás que algumas empresas locais começaram a desenvolver jogos para o sistema, sem licença da Nintendo e muitas vezes usando séries e personagens de propriedades de outras famosas no ramo. Um desses jogos que ficou famoso foi a versão para o console de Street Fighter 2.

O primeiro port pirata do jogo era extremamente ruim. Músicas desafinadas, gráficos feios, jogabilidade travada e só seis personagens. O Master System e Game Gear também receberam uma versão coreana do jogo (país onde os dois fizeram um enorme sucesso) que era quase tão ruim quanto, bem antes da TecToy portar o jogo oficialmente, mas isso será falado em mais detalhes posteriormente na matéria, quando chegarmos nos jogos desse console.

Futuramente foi lançada uma nova versão pirata de SF2 para o nes, chamada de Street Fighter 3. Não se sabe se esta foi feita pela mesma empresa, mas o jogo mudou da água para o vinho. Temos 9 personagens desta vez, gráficos melhorados, músicas escutáveis e uma jogabilidade bem fluida (que aliás, ficou melhor que a da versão da TecToy). Os golpes estão lá na íntegra (tirando o Shouryuken, que eu não sei se sou eu quem não consigo dar ou se mudaram o comando) e o jogo roda a um impressionante framerate, difícil de ser visto até nos jogos oficiais. Se esse jogo tivesse sido feito pela Capcom eu duvido que ele ficaria muito melhor.

Lobei versão nes.

Algum tempo depois uma outra empresa tentou sua investida no gênero e lançou Street Fighter 4 para o sistema. Nesta versão (que a Ação Games adorava tirar sarro), ao invés de El Fuerte ou Rufus temos como personagens duas coelhas da Playboy, Ramboo, Stalone e outras figuraças. Desta vez temos um jogo de luta medíocre e que tirando pelo nome nada tem a ver com SF. Alguns personagens chegam a ter apenas um golpe e metade são clones uns dos outros.

Ramboo dando uma voadora no Cliff.

Anos e anos mais tarde, uma empresa chamada Cony resolveu portar mais jogos de luta relativamente famosos para a época e despejou no mercado vários e vários jogos de qualidade horrível e que compartilham a mesma engine, como Tekken 2, Street Fighter Zero (esse até que tem uma abertura bem feita), King of Fighters 97, Samurai Spirits 2 e etc. Mas o pior mesmo é um título original deles, World Heroes 2, um jogo de luta com várias personalidades famosas como Mario, Sonic, Goku, Mike Haggar, Chun-Li e outros.

Haggar vs Sonic no nes. Nem sob efeito de substâncias ilícitas você imaginaria um jogo como esse.

Porém, no meio desse monte de lixo, encontramos um port até bem feito de King of Fighters 96. O jogo é muito colorido (principalmente a apresentação), lembrando os jogos de luta do NeoGeo Pocket e funciona em um framerate bom, embora menor que o do Street Fighter 3. No entanto a jogabilidade é ruim e existem poucos personagens, a maioria da tela de seleção são quadros deles repetidos (prática comum nesses jogos chineses, para dar a impressão de que tem muita gente para escolher). Vale dar uma olhada só pelos gráficos mesmo.

KoF96, bonito mas ordinário.

Por fim, outro jogo dela que vale a pena ver é o Mortal Kombat 2. Na verdade, o jogo é um port do primeiro Mortal Kombat, com todos os personagens presentes, incluindo os chefes. Esse sim tem uma jogabilidade que se salva, semelhante a do MK oficial e com bons gráficos e som. Lembra a versão de Master System, você tem um botão para o soco, outro para chute e a defesa é colocando para trás. O único porém aqui é que não tem os fatalities, mas no geral ficou um jogo praticamente com cara de oficial. A Cony lançou outros MK depois desse, baseados no segundo e terceiro jogos só que com esses nomes doidos de jogo pirata, porém todos ruins.

Esse ficou legal.

Bem, por essa semana é só. Encerramos essa parte específica dos jogos de luta do Nintendo e passaremos para outros estilos na segunda parte da matéria (não se preocupem, eu prometo que vai melhorar :P). Se vocês quiserem sugerir algum pirata que eu deixei passar para ser falado aqui sintam-se a vontade.

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4 Comentários Add your own

  • 1. Rafael "Barry" Ventura  |  junho 12, 2010 às 12:10 am

    O Cliff é um rip-off do Guy ou é impressão?

    Responder
    • 2. maxi2099  |  junho 12, 2010 às 8:44 am

      Eu também tive essa impressão.

      Responder
  • 3. Pedro Ivo  |  junho 12, 2010 às 12:02 pm

    Nem sou tão fã assim de jogos de luta, mas adorava jogar o port (oficial) de Mortal Kombat II no Master System do meu primo. Essa última imagem me fez lembrar disso =D

    Responder
  • 4. Especial: jogos não-licenciados – Parte 2 «  |  junho 18, 2010 às 3:12 pm

    […] bem, na última parte da matéria vocês viram os ports de jogos de luta piratas lançados para o Nintendo por chineses/taiwaneses. […]

    Responder

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