E3 2010: balanço geral

junho 17, 2010 at 12:17 pm 2 comentários

por maxi

A E3 acabou mas a vida continua. Porém, refletindo sobre o evento desse ano, colocamos mais abaixo neste tópico uma opinião sobre o que rolou lá.

Sobre a conferência da Microsoft, tivemos o novo Xbox 360, Gears of Wars 3 e Fable 3 que todo mundo já esperava mais ou menos como ia ser. O Metal Gear Solid: Rising surpreendeu mais, porém a pergunta que fica é se o jogo vai carregar elementos suficientes para merecer o nome Metal Gear Solid (aliás, o que esse Solid está fazendo ali se já falaram que não vai aparecer o Snake?) ou se vai continuar merecendo o apelido de Ninja Raiden. Sobre o Kinect, desta vez ficou meio óbvio a nova estratégia de mercado da Microsoft. Enquanto que alguns ainda esperavam jogos tradicionais bons usando o aparelho, a conferência revelou justamente o contrário, um monte de jogos de mini-game chinfrins que nada diferem em qualidade daqueles que já existem no Wii, tirando o Star Wars que prometia alguma coisa mas quase não foi mostrado. O aparelho foi criado exclusivamente para tentar (inutilmente, nós sabemos) capturar o público casual do Wii, dando um “chega pra lá” no público “hardcore” do 360, afinal a Microsoft já sabe que a Sony conseguiu dar a volta por cima dela nessa geração e agora é correr atrás de um mercado que tem mais chances de dar dinheiro. Kinect será agora a “menina dos olhos” da empresa.

No caso da Nintendo, ela deve ter se ligado na abismal diferença de receptividade da conferência de 2008 para a de 2009 e resolveu atacar com mais jogos para os fãs de longa data de novo. Isso, obviamente, porque agora ela pode (e deve) segurar esses consumidores, já que está com os bolsos cheios de dinheiro do mercado que a Microsoft e a Sony estão tentando entrar e o Wii já não vende tanto (embora ainda venda muito) quanto costumava fazer.

Quanto aos jogos, o novo Zelda Skyward Sword decepcionou na apresentação com o Miyamoto. Quase tudo do jogo nos dá a sensação de “já vimos isso umas 10 vezes antes”, sejas nos equipamentos, no visual ou nos inimigos, como as plantas carnívoras e os deku-scrubs que a gente vence devolvendo a bola de madeira que jogam. O jogo também apresentou várias falhas no Motion Plus, algumas que deixaram Miyamoto constrangido na apresentação como vários lags e a parte do arco e flecha onde a câmera enlouqueceu. Se isso não for problema com o sinal, como alegaram lá na hora, é torcer para que resolvam tudo até o lançamento. Já o Kirby Epic Yarn me pareceu bom, mas eu preferia que a jogabilidade lembrasse mais a dos Dream Land 2 e 3 do que a dos primeiros jogos do personagem. O Donkey Kong Country Returns eu achei, de longe, a melhor surpesa do evento, só que ele recebeu muito pouco destaque lá. O retorno de um jogo que tem tanto apelo dos fãs como este merecia algo maior. Metroid: the Other M a gente já conhecia mas agora o jogo parece ainda melhor, afinal de contas Metroid em 3ª pessoa sendo feito pelo Team Ninja não tem como dar errado. Golden Sun Dark Dawn também parece tão bom como na época do GBA, e Epic Mickey me pareceu muito interessante, lembrando os jogos de plataforma da Rare na época do N64. Por fim, o Kid Icarus Uprising não nos deixa entender muito como será o jogo, apenas que os gráficos do 3DS serão semelhantes ao do PSP. Foi uma sábia decisão ressucitar a franquia como jogo de lançamento do portátil para dar um novo fôlego a ela, já que todos pediam isso, mas eu nunca entendi porque essa adoração toda ao original. Até a aparição em Smash Bross era só mais um desses jogos que poucos conheciam do início da carreira do nes e que nem era essas coisas.

A conferência da Sony foi mais ou menos a mesma coisa do ano passado, só que o PSP recebeu bem menos destaque dessa vez. Quando será que a empresa vai perceber que ficar mostrando vídeos de 10 segundos de jogos que todos já conhecem ou teasers em CG não empolgam ninguém? Pois bem, no meio disso tudo tivemos o Move, que de novo se mostrou completamente lagado (será que essa palavra existe?) em todos os jogos. No jogo de golf foi o mais impressionante, dava para você ver o cara dando toda a tacada e depois olhar para a tela e ver o boneco repetindo todo o movimento de novo. Porém, foi uma boa jogada incluir a opção de usar tanto ele como o controle tradicional em jogos normais como Dead Space 2 e Resident Evil 5. Aquele Sorcery também me pareceu interessante, apesar de ser um genérico de Harry Potter. Com alguma criatividade bem aplicada dá para eles tirarem um bom uso do Move no jogo, coisa que poucos jogos de Wii conseguiram até agora. Pelo menos, ao contrário da Microsoft, a Sony anunciou que o novo controle será apenas um acessório opcional e voltado para outro público, ao invés da “revolução na forma de jogar”.

Tivemos também o cross-over Heroes on the Move, com Jack, Sly Cooper e Ratchet mais os demais personagens desses jogos, só que esse praticamente não mostrou nada de mais além dessa junção. Crysis 2 parece muito melhor que Killzone 3, Final Fantasy 14 parece mais um MMORPG genérico só que com bons gráficos e Gran Turismo 5 não teve muita coisa mas deve seguir a fórmula de “pegue o último jogo, melhore os gráficos e deixe as colisões mais realistas”. O Little Big Plannet 2 não parece diferir muito do primeiro, tirando que a liberdade de criação vai estar maior. No final, tivemos a surpresa de Twisted Metal com o teaser bacana seguido pelo palhaço entrando na conferência de carro e David Jaffe surgindo para explicar o jogo. Eu não sou muito chegado na série mas achei a apresentação muito boa, bem melhor que o Bowser colocando fogo na roupa das pessoas na conferência da Nintendo. A Sony sim deu algo para deixar os fãs emocionados, tipo quando a Nintendo mostrou Zelda TP na E3, com o pessoal batendo palmas pelo jogo ter deixado de lado o visual cartunesco.

Para encerrarmos, acho que convém falar um pouco aqui do 3DS. Pelos vídeos, praticamente não dá para ver a qualidade das imagens usando a nova tecnologia, então nos resta esperar para termos uma opinião melhor sobre isso. Os gráficos seguiram uma evolução normal para os portáteis da Nintendo, assim como o GBA teve gráficos entre os 16 e 32-bits e o DS entre os 32 e 64-bits, esse vai ter entre os 64 e 128-bits, ao contrário de recentes boatos de que teria gráficos como os do Game Cube. Já os títulos anunciados estão em qualidade e quantidade muito maiores que os de qualquer outro portátil em seu lançamento que já vimos, e a utilização de cartuchos é uma boa escolha, pois são mais práticos de se carregar do que os discos e consomem menos bateria. Eu só não vejo muita vantagem nele permanecer ativo para conexões mesmo quando em standby.

É isso, no geral tivemos uma E3 melhor que a do ano passado pelos jogos apresentados não só pelas três empresas principais como também por outras como Sega, Capcom, Konami, Ubisoft e etc. Aos poucos a feira vai voltando a ser o que era antes da idéia de jegue dos organizadores transformarem o lugar em um evento de negócios.

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Nintendo 3DS: lista completa de jogos Evento Gamer: Brasília Game Expofeira

2 Comentários Add your own

  • 1. Rafael "Barry" Ventura  |  junho 17, 2010 às 3:15 pm

    Maxi, apesar de eu também não ter ficado empolgado com o Zelda novo, as falhas do jogo na conferência foram por conta de interferência mesmo. Tem alguns outros vídeos de pessoas testando no estande e funciona perfeitamente, como neste exemplo da Kotaku: http://kotaku.com/5564197/the-legend-of-zelda-skyward-sword-video-preview-starring-me

    Sobre o “Solid” de Metal Gear, o Kojima disse que acrescentou este subtítulo não pelo Snake, mas porque com os gráficos 3D do PS1 tudo parecia “sólido”. Mas prefiro Ninja Raiden.

    Finalmente, sobre a conexão em standby do 3DS, pra gente não faz muita diferença mesmo, mas no Japão usam direto, principalmente com DQIX.

    Responder
  • 2. Cesar  |  junho 17, 2010 às 4:20 pm

    Como todo mundo já disse, o Zelda Wii fez o japa passar vergonha, mas ainda acho cedo pra desanimar com o jogo, mesmo caso com o Kinect… por enquanto a idéia é boa. E só.

    Emoção mesmo senti com as franquias ressucitadas da Nintendo, já que Epic Mickey não teve nada demais. O 3DS foi um espetáculo a parte, até eu que nunca tive portátil vou considerar com carinho agora.

    A Microsoft não teve nada além do Kinect, mas acho que pode sair coisa boa no futuro desde que não esqueçam o público hardcore, pois virar um Wii 2 é dar tiro no pé.

    A Sony foi a mais sem sal, não teve PSP2, não teve clássicos anunciados na PSN e nada sobre o Last Guardian também. Mas mostraram bons jogos, o que deixa o pessoal tranqulo sobre as opções futuras.

    Podium:

    1 – Nintendo
    2 – Microsoft
    3 – Sony

    Responder

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