Especial: jogos não-licenciados – Parte 6

julho 16, 2010 at 5:00 pm Deixe um comentário

por maxi

Acabamos a parte de Nintendo e hoje vamos ver o que temos disponível no mercado dos não-licenciados do Master System. Ao contrário dos demais consoles, o 8-bits da Sega fez sucesso somente em mercados não explorados pela Nintendo por motivos que muitos já conhecem (o mais influente deles inclusive já abordado na segunda parte da matéria). Muitos destes jogos foram desenvolvidos depois que o Mega Drive já havia chegado, com várias empresas européias e a Tectoy trabalhando em títulos novos e conversões de jogos de Game Gear, que curiosamente fez muito mais sucesso nos EUA e Japão do que seu irmão de mesa. Só que um desses mercados é conhecido justamente pela enorme quantidade de produtos alternativos que fica liberando assim como China e Taiwan, por exemplo, e ali foi um ótimo lugar para o surgimento de cartuchos não-licenciados. Trata-se da Coréia.

Enquanto que a Sega teve alguma participação direta nesse território (Kenseiden, por exemplo, foi lançado oficialmente com um outro nome e referências a samurais removidas, já que o tema é um tabu por lá por questões culturais), a pirataria também foi forte. Um fato interessante é que eles conseguiram converter alguns jogos de MSX para o master, como Super Boy 2, que é uma versão horrível do primeiro Mario, com controles terríveis e uma paleta de cores ridícula. O curioso é que nem tentaram melhorar as coisas nesse port, estão exatamente da mesma forma que no MSX. Outro jogo que recebeu um port foi o Goonies, também lançado para o computador só que de maneira oficial pela Konami. Este nunca foi dumpado, inclusive o pessoal do SMS Power tenta adquirir o cartucho já a algum tempo justamente com essa finalidade. Se a empresa responsável conseguiu fazer outra conversão 1:1 isso vai ter resultado em um trabalho bom, já que o original do MSX era bastante divertido.

Com essa foto fica um pouco impossível de acreditar que o Master System fazia gráficos melhores que o Nintendo.

A mesma empresa que fez o Super Boy 2, chamada Zemina, também fez Super Boy 4, que é um Mario World muito modificado. Esse é ruim mas não chega a ser um desastre como o antecessor. A jogabilidade está um pouco melhor mas ainda bastante imprecisa, as músicas aceitáveis e os gráficos bonitos.

Com essa aqui já melhora um pouco, mas a jogabilidade é outra história.

Outro port bastante porco deles é o Street Master, que é uma versão também ridícula do primeiro Street Fighter. As únicas coisas que você faz no jogo são socar, chutar e pular, e as cores poderiam ser facilmente reproduzidas em um Atari 7800.

Parece a final Espanha X Holanda mas era para ser Street Fighter.

E a Zemina não parou por aí, fez também um shoot’em up chamado Wonsiin, ruim mas pelo menos algo mais original, e um clone de Tetris chamado Flashpoint. Este ficou até legal, é Tetris só que você escolhe um dos diversos desafios do jogo com blocos já posicionados no fundo e um ponto luminoso que você precisa fazer desaparecer para ganhar, semelhante ao mesmo modo visto em Columns.

Tem horas que voam 15 inimigos para cima de você e a única opção é assistir sua energia indo embora.

Me pergunto se o Alexei Pajitnov perdeu mais dinheiro para os piratas ou para o socialismo.

Existe outro jogo que muito se assemelha aos da Zemina mas foi produzido em Taiwan chamado Dragon Wang, feito para se parecer com Kung-Fu Master. Neste também temos poucas cores na tela e inimigos que te atacam sem chance alguma de reação.

Nem o original de arcade era tão mal feito.

Um curioso jogo Coreano é o Dinosaur Dooley, baseado em um desenho local de mesmo nome. Ele foi produzido pela empresa Daous Infosys Corp e é discutido se foi ou não licenciado pela Sega devido ao fato de que começou a ser traduzido para lançamento em outros territórios pela Innovation. Porém o jogo é muito ruim, você vai se deslocando para o lado com o dinossauro e pulando obstáculos enquanto atira em tudo o que surge na tela.

Esses dinossauros de programas infantis deveriam ser todos extintos.

A Daous publicou outro jogo de plataforma chamado Toto World 3 (desenvolvido por uma tal de Open Corp), onde você controla um menino com uma clava e vai avançando nas fases coletando estrelas e batendo nos inimigos. Este também é uma tragédia, além de ser um dos piratas que entra na categoria “músicas que fazem nossos ouvidos sangrarem”, é possível ver vários modelos roubados de outros jogos, sejam objetos do cenário ou inimigos, e a jogabilidade também é ruim, embora menos ruim que a de Dinosaur Dooley.

O menino é um dos poucos modelos originais. Olhando para ele a gente sabe o porquê.

O pior de tudo é que a Open Corp ainda teve a coragem de reaproveitar as músicas de Toto World 3 em um jogo de luta chamado Jang Pung 2, que é uma versão não-licenciada de Street Fighter 2 também lançada para o Game Gear. A versão da Tectoy, que já não era essas coisas, está a anos luz desta aqui, que funciona a uns 15 fps e tem três cenários.

Acreditem, esse jogo é muito pior que vocês imaginam olhando a foto.

Só que eles se redimiram um pouco na seqüência do jogo. Jang Pung 3 é um jogo original com uma história de gênio. Os nazistas criaram um lagarto andróide lutador que está ajudando eles a conquistar o mundo, e só os melhores lutadores de cada país podem parar a máquina.

Não, não é o Ryu lutando contra o King.

Desta vez, felizmente, temos um jogo de luta mais normal com muitos personagens (o calango está disponível para ser escolhido), bons gráficos e músicas e golpes diversificados. Só que ele é extremamente desequilibrado, a ponto de alguns personagens terem apenas um golpe especial. Mas o ápice da Open Corp mesmo foi outro jogo de luta usando a engine deste aqui chamado Sangokushi 3, baseado na clássica história homônima da China. Embora com menos personagens e gráficos não tão bons, este tem um equilíbrio muito maior entre os lutadores e os golpes são um pouco mais simples de serem executados. É fácil o melhor não-licenciado disponível no Master System.

Eu sou o capeta jogando com esse velho.

Pronto, como previsto acabei de uma só vez com a parte do 8-bits da Sega. Como vocês viram, a qualidade geral dos piratas aqui é bem discrepante, principalmente se comparada aos do nes, onde as empresas picaretas chegavam a tirar mais leite de pedra que as oficiais. Agora a coisa vai melhorar um pouco ao passarmos para o Mega Drive na próxima semana, com alguns jogos de deixar qualquer um de boca aberta (no bom sentido).

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