Mini-Review: Final Fantasy XIII | PS3

julho 22, 2010 at 11:28 am 7 comentários

por Barry Burton

Imaginem que alguém vai lhe dar um doce. Só que essa pessoa acha que esticar o doce em um fio do diâmetro de um fio de cabelo e obrigar você a sugá-lo lentamente é melhor pra você do que lhe deixar saborear o doce ao seu modo. E ele fez isso, claro, sem lhe perguntar.

Esse é o sentimento passado por Final Fantasy XIII, tendo você gostado dele ou não: algo esticado.

Durante pelo menos 40 horas de jogo (muitas no começo e algumas no final), a única coisa a se fazer é andar em linha reta e enfrentar monstros. Ocasionalmente, você aperta o botão de ação para ativar algo que, se não ativar, não pode continuar andando em linha reta. O caminho se divide algumas vezes, e então você encontra duas coisas: um beco sem saída ou um item em um beco sem saída.

Sim, o jogo é bonito desse tanto. Na maior parte do tempo...

Continue lendo após o pulo!

Muitos comparam-no com o X, similarmente linear. No entanto, havia diversas distrações para se fazer caso quisesse dar um tempo na história: Blitzball, minigames, lojas, cidades, pessoas a conversar, ou mesmo conhecer melhor os integrantes de seu grupo. Outros comparam-no com o VII, dado que seu longo prefácio o prende em uma única cidade. Mas Midgar era uma cidade rica e cheia de segredos, praticamente um jogo dentro do jogo. XIII se sentiu no direito de jogar tudo fora, e quando disse que a ÚNICA coisa a se fazer é andar em linha reta e matar monstros não estava de brincadeira!

Sim, há um trecho no qual o mapa se abre e você pode fazer o que o divertia nos bons RPGs japoneses: descobrir o mundo à sua maneira e evoluir seus personagens. No entanto, é apenas isso. Todas as sidequests resumem-se a matar monstros. O sistema de combate, sem dúvidas, é muito bem realizado; ágil, exigente e espetacular. Infelizmente, não é tão profundo ou personalizável como nos capítulos anteriores, impedindo-o de sustentar o jogo por si só, já que é a única mecânica disponível para o jogador. Poucas franquias podem se dar o luxo de fazer isso, como Advance Wars e o próprio Final Fantasy Tactics.

Nem mesmo a história se destaca. No geral, ela é até boa, mas é contada de forma horrivelmente quebrada e desconexa, com indas e vindas na linha do tempo, sem nenhum propósito narrativo. Nos episódios anteriores, flashbacks só aconteciam quando justificados: heróis que negavam seu passado, simplesmente o desconheciam etc. É tudo confuso ao ponto de os próprios produtores se virem na necessidade de fornecer aos jogadores um “datalog” para se manterem a par.

Já isto é uma CG.

Os personagens são rasos (Lightning, Fang), unidimensionais (Snow) ou mesmo sem personalidade nenhuma (Vanille). Até os vilões e coadjuvantes se estrambelham, aparecendo somente em breves cutscenes com papéis indefinidos e sumindo sem deixar rastros, reais ou emocionais. É estranho como este deve ser o jogo no qual os personagens mais repetem seus objetivos (“Our Focus is to save Coccoon!“, “I know Serah is alive!” etc.), mas você não se importa nem um pouco.

A impressão geral é a de que quiseram emburrecer simplificar a proposta total do jogo, na esperança de atingir um público maior. O efeito colateral foi uma total diluição de tudo aquilo que faz Final Fantasy ser uma série apreciada: personagens marcantes dão lugar a arquétipos vazios; intrincadas lutas dão lugar a um sistema com o qual ou você se adapta ou morre; um vasto e rico mundo no qual você se sente fazendo parte e aprendendo a história com seus próprios atos dá lugar a um corredor no qual você anda do ponto A ao B para acompanhar a próxima cutscene, que por fim costuma não dizer nada sobre o mundo ou os personagens que parecem só saber chorar e reclamar.

Aguardem, para breve, uma mega-série de reviews de todos os Final Fantasies (sem os online), tal qual nossa série sobre Super Smash Bros.

[ CONCLUSÃO ]

A Square-Enix deve ser admirada por tentar reinventar a série em cada capítulo. Desta vez, infelizmente, erraram o alvo.

horrível |  ruim | fraco | [ LEGAL ] | bom | excelente

Game: Final Fantasy XIII
Plataforma: Playstation 3
Autor da análise: Rafael “Barry” Ventura
Estilo: RPG
Desenvolvedora: Square-Enix
Produtora: Square-Enix
Jogadores: 1
Quanto jogou: 57 horas de jogo. Cumpriu 26 sidequests e enjoou.

Quer entender melhor nosso sistema de avaliação? Então clique aqui!

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Here comes new challengers 2 Uma boa notícia que na verdade é uma má notícia

7 Comentários Add your own

  • 1. Cesar  |  julho 22, 2010 às 11:42 am

    Mais vale 50 horas de Okami :)

    Responder
  • 2. rafael araújo  |  julho 22, 2010 às 2:20 pm

    Vale mais a franquia Dragon quest…, com todo respeito aos FF addicts =p

    Responder
  • 3. Maycon Joya  |  setembro 24, 2010 às 4:32 pm

    Barry, acompanho o site Finalboss e vi o link de seu review la na análise do Iori, então vim conferir. Simplificou exatamente o que penso, sou fã de FF, mas esse 13 não engoli e o passei imediatamente antes que desvalorizase.

    Não conhecia o esse site, vou passar a acompanha-lo agora.

    Abração.

    Responder
    • 4. Rafael "Barry" Ventura  |  setembro 27, 2010 às 1:20 pm

      Ei, seja bem-vindo!

      Que bom que compartilhe da opinião, FFXIII realmente ficou abaixo das expectativas pra muita gente. Pretendo fazer uma série de reviews com todos os jogos da série para breve.

      Obrigado pelo apoio e continue a visitar nosso site! =]

      Responder
  • […] dela é ficar mandando essas cartas para seus fãs de longa data. A principal mesmo é lançar jogos meia-boca no […]

    Responder
  • 6. E Inafune também deixa a Capcom «  |  outubro 29, 2010 às 12:50 pm

    […] sem Mikami, Kamiya e Inafune, será que o destino da Capcom será o mesmo da Sega e da Square-Enix, que, da mesma forma, perderam suas principais cabeças e hoje estão aí vivendo na sombra de seu […]

    Responder
  • 7. Iori Yagami™  |  janeiro 19, 2011 às 11:21 am

    Review sucinto que explicou muito bem O QUE É jogar FF XIII. Sad but true. Abraços, caro Barry.

    Responder

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