WarpReviews: Yakuza | PS2

julho 27, 2010 at 7:09 am 6 comentários

por Barry Burton

As acusações de um “GTA japonês” logo mostram-se equivocadas nos primeiros minutos de Yakuza. Focado muito mais em seu universo e personagens do que a franquia da Rockstar, Yakuza é um jogo que se leva a sério, ao contrário da maluquice permitida em Liberty City e suas cidades vizinhas.

Pode-se dizer que o principal motivo de se continuar jogando Yakuza seja o de acompanhar os passos de Kazuma Kiryu, o “Dragão de Dojima”, no turbilhão em que é jogado envolvendo diversas famílias yakuza – a grosso modo, a máfia japonesa – ao se auto-incriminar para acobertar um amigo. Prepare-se para cenas espetaculares, e diálogos muito bem escritos. Dito isso, qualquer outra informação tem o potencial de estragar as surpresas e reviravoltas da trama. De tal modo que mesmo a abertura do jogo pode revelar diversas delas, então evite assisti-la se a história é seu ponto de interesse.

Não que a jogabilidade seja ruim, longe disso. Pegando emprestado elementos de vários jogos de pancadaria, e surpreendentemente mais de jogos antigos como Streets of Rage do que de jogos atuais como Devil May Cry, o sistema de combate de Yakuza é profundo e divertido, embora com pequenas ressalvas. A princípio, sua gama de opções é um tanto limitada, mas aumenta exponencialmente conforme se adquire experiência e novos movimentos são comprados. Dentre os destaques, estão golpes bem violentos, como amassar a cara do sujeito entre o asfalto e seu sapato – com uma estranha sensação de satisfação – e a possibilidade de se usar diversos elementos do cenário como arma, desde guarda-chuvas, barras de ferro e tacos de golfe até placas de neon, bicicletas e cones de trânsito gigantes. O combate é rico o suficiente a ponto de permitir tanto brigas contra multidões de capangas quanto duelos acirradíssimos contra oponentes tão bons em artes marciais quanto você.

Continue lendo após o pulo!

Voltando à história, não podemos nos esquecer de que estamos falando de um jogo, e o mercado ainda exige que um jogo tenha que ter um determinado número de horas para ser considerado bom. Dessa forma, a história, como em qualquer série de TV, novela, quadrinhos etc. é bem espichada, mas os roteiristas foram cuidadosos o suficiente para deixar cada trama paralela com certo apelo, e nada parece ter sido enfiado sem pensar. Não dá pra negar que as resoluções no final soam um tanto forçadas, contudo, então não se sinta revoltado se de repente tudo ficar confuso.

O que realmente deixa o jogo um pouco lento são as excessivas batalhas aleatórias que surgem enquanto você atravessa Kamurocho, um subúrbio fictício de Tokyo. Sim, você leu certo: batalhas aleatórias. Mais uma vez se distanciando de GTA, Yakuza é muito próximo de Final Fantasy ou Dragon Quest no que diz respeito a evolução de seu personagem. Agora, leve em consideração que não há monstros e cavaleiros, e você ficará pensando que raios de lugar é esse onde praticamente todo mundo na rua resolve brigar com você sem motivo aparente.

Pouca gente sabe, mas o time responsável por Yakuza foi o mesmo que nos presenteou com os excelentes Super Monkey Ball e F-Zero GX/AX, para Arcade e Game Cube. Embora em ambos estes jogos o foco fosse na jogabilidade, desafio e diversão, pecebe-se claramente a dedicação da equipe em levar o máximo de qualidade possível ao usuário de acordo com sua proposta. De fato, é interessante notar o quão semelhante é a ambientação de F-Zero GX/AX com Yakuza, tanto no visual explosivo quanto no áudio, este coordenado pelo brilhante compositor Hidenori Shoji, que mistura passadas rápidas de guitarra em trilhas techno com toques de jazz em um saxofone.

Para não dizer que tudo são flores, com frequência você verá pessoas “aparecendo do nada” nas ruas, e pequenos e irritantes carregamentos para as coloridas e luminosas esquinas podem tirar sua atenção. Provavelmente podemos culpar o hardware do PS2 mais do que a ambição de seus criadores, pois a retirada destes elementos fatalmente prejudicaria mais a experiência do que essas pequenas falhas técnicas. O que não tem desculpa, porém, é o minúsculo loop de cerca de três segundos nas trilhas de ambientação de ruas e lojas que, somados aos ruídos que se destacam, tornam-se enervantes após poucos minutos.

As referências ao legado da Sega são inúmeras, e o Club Sega, famoso arcade no Japão, está presente. Infelizmente, excetuando a máquina e pegar bichinhos de pelúcia, nenhum jogo está disponível para o jogador. Isso não é problema, pois, bem como Shenmue, Yakuza está recheado de micro-diversões para se fazer além da busca principal. Isso inclui partidas de beisebol, treino de artes marciais, jogo de dados, itens secretos, missões paralelas, e uma enorme quantidade de padarias, revistarias, farmácias, restaurantes e mesmo uma revendedora de vídeos pornô e boates de strip-tease.

Além disso tudo, Kiryu ainda pode se aventurar pelos bares do submundo e tentar faturar uma das anfitriãs que atendem os fregueses – prática essa comum no Japão, aliás, pois diversos homens assalariados, oprimidos pela sociedade, preferem “comprar” suas mulheres do que efetivamente conquistá-las. E mesmo as mulheres acham isso comum, pois muitas têm, como profissão ou para pagar a escola, tirar dinheiro dos homens, sejam eles casados ou não. Notem, porém, que isso não é considerado prostituição por lá.

Como curiosidade, vale apontar que o diretor e produtor do jogo, Toshihiro Nagoshi, é um profundo conhecedor do submundo – seja isso de forma legal ou não -, e sempre é visto com vestes extravagantes.

Misturando Streets of Rage, Shenmue e Final Fantasy, criando um mundo rico baseado em Kabukicho, um subúrbio real do distrito de Shibuya, Yakuza é um daqueles poucos jogos que se destacam com uma proposta única no mundo dos videogames, sendo facilmente lembrado e referenciado por aqueles que puderam experimentá-lo. Seu sistema possui algumas falhas técnicas que alguns podem não perdoar, e seu pesado foco na história, ainda mais uma tão alienígena para os olhos ocidentais, pode desagradar a maior parte dos jogadores. Se todo o resto dito acima lhe interessa, no entanto, não pense duas vezes antes de jogá-lo.

[ CONCLUSÃO ]

Um bom e variado sistema de combate aliado a uma história factícel – algo raro de se ver em videogames – e inúmeras distrações interessantes. Yakuza é o típico “produto maior que a soma de suas partes”.

horrível |  ruim | fraco | legal | [ BOM ] | excelente

Game: Yakuza
Plataforma: Playstation 2
Autor da análise: Rafael “Barry” Ventura
Estilo: Pancadaria com elementos de RPG
Desenvolvedora: Amusement Vision
Produtora: Sega
Jogadores: 1
Quanto jogou: 15 horas de jogo, quase todas as sidequests cumpridas. Cumpriu algumas das lutas extras que se abrem após terminar.

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Warpzona acaba de ficar menos casual! Rapidinha Warp: Reviews no Planeta Gamer!

6 Comentários Add your own

  • 1. Flaviometal  |  julho 27, 2010 às 7:56 am

    Excelente review, Barry! Nunca fui muito fã da série, inclusive até tentei joga bastante. Quem sabe um dia confiro novamente pra ver se eu gosto?

    Responder
    • 2. Rafael "Barry" Ventura  |  julho 27, 2010 às 11:32 am

      Tente! Ele realmente tem suas picuinhas, não nego, mas no final das contas é um jogo que vale a pena =]

      Responder
  • 3. Cesar  |  julho 27, 2010 às 11:20 am

    Seus reviews são sempre ótimos! Aguardando ansiosamente pelo do ICO

    Responder
  • 5. De_CruZ  |  agosto 11, 2010 às 4:34 pm

    I would like to exchange links with your site warpzona.wordpress.com
    Is this possible?

    Responder

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