Especial: jogos não-licenciados – Parte 10

agosto 13, 2010 at 5:00 pm 2 comentários

por maxi

Finalmente chegamos na última parte da matéria. Semana passada encerramos com o Mega Drive, e hoje veremos os dois últimos sistemas restantes, começando pelo Super Nintendo. O mesmo é um console conhecido pelo seu sistema anti-pirataria dificílimo de ser burlado, assim como em seu sucessor, o Nintendo 64. Segundo dizem, os cartuchos contavam com um chip especial (semelhante ao caso do nes) que era usado pelo console para confirmar a autenticidade dos mesmos. Além da dificuldade de conseguir o chip sem ser com a Nintendo, os altos custos e o grande uso de outros chips especiais em vários jogos inviabilizavam bastante a pirataria, sendo um método mais recorrente (ainda hoje usado na reprodução de cartuchos) a retirada da eprom de um cartucho original e substituição da mesma por outra gravada informalmente.

Um dos mais infames não-licenciados de snes era o Sonic 4, muito conhecido por essas bandas. Se tratava de um hack do jogo do Ligeirinho com a presença de Sonic e Mario no lugar dos personagens. Felizmente o fato de ter sido feito em cima de outro jogo oficial salvou esse de ser um desastre. Embora bizarro, Sonic 4 ainda era jogável.

O primeiro Sonic 4. Isso que era empresa visionária.

Outro que ficou meio famoso era o Tekken 2. A tentativa frustrada de trazer a série para o snes tinha músicas de Mega Man e uma jogabilidade ainda pior que aquela vista no Virtua Fighter de Mega Drive, por mais incrível que pareça. Só que os gráficos digitalizados dos modelos 3D originais dos personagens acabaram ficando até bons e dando a perceber que realmente poderia sair dali uma coisa melhor se o jogo fosse bem cuidado.

Tekken 2 já não era grandes coisas no PSX, aqui então...

Também temos a versão de Pokemon Stadium em 16-bits, que nada mais é que um hack do grande Yuu Yuu Hakusho Tokubetsuhen, logo também parece jogável ainda que seja estranho. Até onde eu sei este ainda não foi dumpado, e vocês podem conferir um vídeo do mesmo a seguir:

Como último não-licenciado do console, não tem como não falarmos de Hong Kong 97. Este ganhou um status lendário por dois motivos, o primeiro porque é bastante raro, mesmo não sendo lançado oficialmente, e o segundo porque é considerado por muitos como o pior jogo do sistema e um dos piores já produzidos em toda a história do vídeo game.

O único motivo que esse jogo me dá para não fazer chacota é ele não ter sido lançado por uma empresa grande.

Criado por uma empresa japonesa de fundo de quintal em 95 (a HappySoft), Hong Kong 97 conta com uma música cantada que se repete de cinco em cinco segundos, gráficos digitalizados que são recortes mal feitos de fotos sem animação, engrish do mais alto nível, uma mensagem dos produtores convocando mais programadores para trabalharem a troco de uma “justa” divisão de lucros, e por fim um apelo para distribuidores entrarem em contato para venderem os jogos da empresa. E sim, tudo isso é sério. Palavras não são capazes de descrever essa coisa.

Saindo agora do Super Nintendo, não temos um expressivo mercado de jogos não-licenciados para outros consoles devido a dificuldade de programação que eles exigiam, isso tirando obviamente projetos independentes feitos mais recentemente para essas plataformas antigas, como por exemplo os jogos do Super Fighter Team que já falamos aqui na parte do Mega Drive, ou Zaku, o shoot’em up do Lynx também feito a partir do zero por eles e cujo lançamento também já noticiamos.

Aliás, é interessante o suporte dado por esse tipo de desenvolvedor para todas as plataformas da Atari. O 2600 recebe lançamentos em massa todo ano, geralmente do pessoal da Atari Age, que contam com uma loja on-line exclusiva para os produtos deles e que também presta serviços de gravação de qualquer jogo do console em cartucho. O último foi uma tiragem limitada de 500 unidades do Halo 2600, que noticiamos aqui a alguns posts abaixo. Assim como ele, alguns jogos deles são muito interessantes como Skelleton + ou Toyshop Trouble. O Atari 5200 e o 7800 também recebem títulos novos em menor quantidade, como por exemplo Adventure 2, naturalmente desenvolvido para o sucessor do console original.

Adventure ficou assim no 5200. Achei sacanagem trocarem o pato por um dragão.

O Jaguar também conta com um suporte razoável, com lançamentos como o recente, porém fraco, Mad Bodies ou o bacana BattleSphere, relativamente mais antigo. O console se beneficia de uma interface para programação mais amigável além de seu sistema robusto se comparado ao mega ou snes, por exemplo.

Diferente da maioria, aqui eles não tiveram preguiça em fazer o Jaguar gerar gráficos poligonais bem-feitos.

Outro mercado que se mostra promissor é o do Dreamcast, também beneficiado por uma interface que permite fácil desenvolvimento de jogos. Nele já tivemos Last Hope e Dux, do NG:DEV Team, além de alguns outros como Wind and Watter: Puzzle Battles. Aliás, por falar no NG:DEV, vale lembrar que Last Hope também foi lançado para NeoGeo, em uma versão considerada melhor que a do DC, e recentemente eles também colocaram no mercado o promissor shoot’em up Fast Striker, que vem até com marquees e pôsteres para você afixar na cabine de arcade que vai receber o jogo.

Parece que agora aprenderam a lição deixada por Last Hope, porque no Dux eles não haviam aprendido.

Bem é isso, fim da matéria. Espero que tenham gostado dela e aprendido mais desse tipo de mercado que alguns não dão valor mais que eu considero fascinante.

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Finalmente podemos ver a jogabilidade de Deus Ex: Human Revolution Dormammu e Joe em ação

2 Comentários Add your own

  • 1. Flaviometal  |  agosto 13, 2010 às 6:22 pm

    EXCELENTE! Eu diria que uns 85% dos jogos da matéria todas eu não conhecia. SUGESTÃO: acho que vcs deveriam terminar a matéria em grande estilo falando dos hacks feitos por users, como é o caso de algumas versões de Super Mario World. Algumas hacks são excelentes! Venho jogando algumas ultimamente, e digo: algumas são melhores que jogos oficiais! Experimentem “Brutal Mario”, “Super Mario World 2+”, “Super Mario World 2+3 – The Essence Star” e “Mario is Missing 2”, e entenderão o que estou falando…

    Responder

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