(Atualizado) Primeiras impressões: Castlevania Lords of Shadow

outubro 1, 2010 at 12:56 pm 5 comentários

por Barry Burton

Sendo um apreciador da série Castlevania desde a época do NES, nunca neguei que estava de fato esperançoso com o novo rumo que a série poderia tomar em 3D, desconsiderando as tentativas um tanto medianas do passado. Afinal, a série se reinventou uma vez com Symphony of the Night, deixando as fases lineares e o controle travado de lado – era uma questão de tempo até que um time competente conseguisse converter o clima e a finesse da jogabilidade para o 3D.

Bem, tendo agora jogado a demo disponível na PSN européia, posso tecer alguns comentários iniciais.

A primeira coisa que se nota é que sim, o visual é belíssimo, como poucos jogos dessa geração conseguiram ser. Algo no nível de God of War III, mas sem o mesmo senso de escala – afinal, esse não é o objetivo aqui. Dito isso, é uma pena que tenham optado por um estilo realista e “épico”, extremamente batido nesta geração, ao invés de captarem as maravilhosas artes da Ayami Kojima ou do Hirooka Masaki. Quando finalmente temos consoles capazes de gerar gráficos e estilos únicos, como vimos em Valkyria Chronicles e Street Fighter IV, parece que todos têm medo de arriscar e partem pra um realismo “padrão”.

Continue lendo após o pulo!

Ainda não foi desta vez que veremos este tipo de arte convertido em gráficos de jogo. Uma pena

Com isso, a arte perdeu muito de seu charme. O principal motivo foi o de terem retirado o estilo gótico, nem tanto o de terem usado outros artistas ou partido pro realismo. Apesar de a atmosfera ser muito bem feita, parece que estamos jogando apenas um jogo medieval com monstros, e não um Castlevania.

A música sofreu do mesmo mal. Assim como o visual, o “gótico-techno-rock” deu lugar a músicas orquestradas, também “épicas” e também batidas. Um dos maiores trunfos da série, que são suas músicas contagiantes, melodiosas e ao mesmo tempo sombrias, provavelmente se perdeu no meio do caminho.

Bem, mas nada disso importa muito se a jogabilidade for boa, certo? Bem, assim como os gráficos e a música, ela é extremamente competente, mas também perdeu o sentimento de ser um Castlevania. Em jogos que quero jogar, evito ver vídeos, relatos e até fotos de gameplay, mas eu tinha consciência de que seria algo próximo de God of War, a atual referência do mercado para jogos de ação. Não me incomodei tanto, pois era uma boa referência e, afinal, prefiro um Castlevania de ação 3D linear do que as chatices entediantes do PS2, tentando emular a exploração do 2D sem sucesso. Mas não esperava que fosse TÃO derivativo de GoW!

I AM THE GOD OF WAR!!

Ao invés das chicotadas poderosas que eliminam inimigos com um ou dois golpes, temos agora que estender a luta por demorados combos, outro padrão da indústria que ninguém tem coragem de deixar de lado. Até mesmo os famigerados quick time events (que os desenvolvedores juraram que não teria) estão presentes, mesmo que bem simplificados e bem executados. A cópia não chega a ser tão descarada quanto Dante’s Inferno, mas Castlevania falhou em criar um estilo único para sua jogabilidade como fizeram Devil May Cry e Ninja Gaiden.

Agora, se houve uma coisa que realmente me incomodou é que o chicote NÃO SE COMPORTA como um chicote. Ele se parece com qualquer coisa, uma lança, uma espada, uma kusari-gama, mas não com um chicote. Ele tem um peso estranho, muito maior do que deveria ter, e é rápido demais. Talvez por terem tentado emular GoW

Outra coisa foi a câmera fixa. Em GoW ela funciona porque ela REALMENTE é fixa, mostrando apenas a arena de combate e os inimigos que estão nela. Já aqui, ela te acompanha levemente, por vezes deixando inimigos fora de vista.

Pois bem, com essas leves decepções postas de lado, admito que o jogo é muito bem acabado. Tanto no visual, quanto na música, quanto nos menus, e até nos loadings incrivelmente rápidos, tudo esbanja competência, beleza e esmero técnico, mesmo que não seja algo que possa se chamar de Castlevania. Aparentemente será um dos melhores jogos do ano, e aposto minhas fichas que, como jogo, será muito mais interessante e divertido que Enslaved.

Atualização

Bom, agora que a “decepção” se passou, fui jogar novamente o demo e o achei muito melhor do que tinha achado da primeira vez. Não que eu tivesse ficado com má impressão, mas agora que o encarei como algo diferente da série, acabei encontrando um jogo muito polido e bem-feito. Arrisco dizer que acabarei gostando dele mais do que God of War III.

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5 Comentários Add your own

  • 1. Luna Ishtar  |  outubro 1, 2010 às 2:01 pm

    Bem pela impressão que você teve na demo, o jogo está seguindo por um rumo que eu temia, a onda de tudo tem que ser épico e GoW. Como é uma demo as coisas ainda podem mudar bastante, mas a arte e as músicas provavelmente não. Agora é esperar sair o jogo mesmo pra poder ter uma opinião concreta sobre esse Castlevania.

    Responder
  • 2. philipmangione  |  outubro 1, 2010 às 3:21 pm

    Bom, vamos lá, comentários tentativamente construtivos:

    Também sou extremo apreciador da série desde os primórdios. Apesar de não gostar muito dos Castlevania 3D anteriores, talvez esse seja mais polido e valha a pena.

    Sobre não terem captado a arte característica dos últimos Castlevania, acho que foi por dificuldade técnica mesmo e investimento. Acredito que tiveram que optar, e decidiram focar no gameplay (ainda bem!) mantendo arte que já sabiam fazer. O SFIV tem arte bem estilizada porque é um jogo 500 vezes menor que Castlevania, dá pra fazer tudo “na mão”. O oposto é por exemplo GTA, não dá pra caprichar tanto no estilo e detalhes. E Valkyria Chronicles é interessante tecnicamente mas não tem um estilo “foda”.

    “parece que estamos jogando apenas um jogo medieval com monstros, e não um Castlevania.” — Não dá pra dizer isso apenas jogando os minutos iniciais. Como hoje em dia os desenvolvedores querem fazer “filmes”, talvez essa demo só mostre mesmo a introdução e mais pra frente o clima Castlevania tome conta. Tomara. Idem para as músicas, espero que nas partes principais a gente ouça as músicas características. SotN tem muitas músicas “épicas” ou “clássicas” também, mais do que metade do tempo.

    Eu achei que apesar de copiar GoW, a jogabilidade tem muito de Castlevania. A mesma sensação nas esquivas, os inimigos ágeis à sua volta (e não semi-parados ou brutos como em GoW) e principalmente, arremessar faquinhas!!! :) O chicote também achei bem legal, não achei “pesado”, mas é opinião pessoal. E rápido demais? Vc esqueceu metade das armas de SotN?

    A câmera deixar inimigos fora de vista é realmente algo que nunca acontece e não deveria acontecer em Castlevania, principalmente com os inimigos “ágeis” e com armas de arremesso (faquinha :)

    Não entendi a comparação com Enslaved.

    Responder
    • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  outubro 1, 2010 às 3:37 pm

      Quanto ao visual, acho que você tem razão, mas é uma pena mesmo assim.

      Quanto ao resto, é como eu disse: são as primeiras impressões.

      Eu acho que o demo é uma parte essencial do marketing, e eles têm que colocar as coisas certas pra cativar possíveis compradores. Se eu fiquei com má impressão do demo, porque me arriscaria dizer que será diferente no jogo? (não que eu tenha ficado com MÁ impressão neste, apenas um pouco desapontado – o jogo na verdade é melhor do que achei que poderia ser). Com Batman o efeito foi totalmente inverso comigo: o demo me convenceu a comprar o jogo.

      E você falou certo do SotN: é rápido, mas o Alucard usa espadas, facas e até nunchaku pô! Ele não usa um chicote, que teoricamente é uma arma difícil de usar, lenta, suave e leve, com um estrondo depois de uma grande carga. Seria MUITO legal se eles tivessem conseguido iimplementar esse delay e, principalmente, o som característico que não sei por que não colocaram: http://www.youtube.com/watch?v=YNKPIOelTgA

      O Enslaved é o próximo jogo de ação/plataforma, mas eu o achei bem menos refinado que Castlevania. Pode até ser que a história seja melhor, mas como jogo achei a demo bem fraca também.

      Responder
  • 4. maxi2099  |  outubro 1, 2010 às 7:00 pm

    Acho um pecado não terem chamado o povo que fez a trilha sonora do Castlevania e Contra Rebirths.

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  • 5. Leonardo  |  outubro 4, 2010 às 12:49 pm

    Oras, mas como fã de Castlevania, você deveria saber que esse esquema de jogabilidade já existia desde Castlevania Lament of Inocence do Ps2, que saiu bem antes de GoW.
    Apenas deixaram a jogabilidade mais rápida e os combos visualmente mais impressionantes pra atrair o público de GoW, mas o esquema de ataque direcionado e ataque de área já existiam em LoI, a câmera fixa já existia em LoI, na verdade é derivada de DMC, que veio de resident evil. Em LoI mesmo os inimigos mais fracos também precisavam de combos, sinceramente também acho isso um porre, mas fazer o que.

    Responder

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