WarpReview: Castlevania Lords of Shadow | PS3

outubro 30, 2010 at 9:50 pm 1 comentário

por Philip Mangione

Finalmente, joguei até o final o excelente jogo de aventura Lords of Shadow, da desenvolvedora espanhola Mercurysteam. Tem um pouco de terror, num estilo bem comum encontrado em qualquer portfolio de “artistas” sem criatividade que repetem pela milésima vez um desenho de um ogro, uma aranha ou um lobisomem. Tudo padrão, mas muito bem executado e finalizado. Nada no estilo gótico-futurista-medieval como encontramos na série Castlevania. Nada misturando castelos em ruínas com lasers e armaduras retorcidas cheias de pontas e curvas brilhantes, ou cabeças de medusa com olhos acesos voando no interior de uma torre de relógio ao mesmo tempo mecânica, orgânica e labiríntica, enquanto se ouve de fundo uma mistura de heavy metal, música clássica e música barroca.

Cenário familiar, monstro familiar


As músicas em Lords of Shadow também são muito bem feitas, parecem trilha sonora de filmes épicos como Lord of the Rings. Fazem jus aos cenários também realistas. Reais até demais. Florestas, pântanos, castelos europeus. Tudo muito real. Lembrando locais do nosso planeta filmados para um filme; diferentes dos cenários absurdos, surreais e belíssimos imaginados e criados pelos artistas japoneses da Konami, impossíveis de serem filmados.

Até mesmo a dublagem de Lords of Shadow é digna de um filme de Hollywood. Não tem nada daquelas vozes retorcidas, meio metálicas e meio ácidas de uma série de games, por exemplo Castlevania. LoS não tem os diálogos de um simples game, nada que lembre um jogo ou um mundo paralelo. Tudo parece uma peça de teatro, uma novela, algo do mundo real.

Tudo isso é um magnífico feito técnico, mas não transporta o jogador a um mundo paralelo e intrigante como é feito em certos games. Transporta-o a uma situação paralela à sua vida, com personagens que ele nunca encontraria no dia-a-dia, mas numa realidade familiar e “comum” ao seu senso de percepção.

O ator Patrick Stewart é o narrador do jogo. Sério.

Infelizmente, isso tudo que foi entregue em LoS, por melhor que seja como game, não devia ter sido embrulhado em uma caixinha escrito “Castlevania“. Esse nome só serviu para me decepcionar pouco a pouco. Cada vez que eu iniciava uma nova fase, ou encontrava uma nova situação, eu pensava “agora vai! Castlevania!” e ficava decepcionado. O que deveria ser uma nova fase empolgante de um game muito acima da média se transformava imediatamente em “apenas mais uma fase não-castlevania”. Pra quem está esperando um Castlevania depois de cada pedacinho do cenário, o jogo nunca “decola”. O maior problema é que talvez mais de 50% do que define um game da série Castlevania, e consequentemente agrada a seus fãs, é o “estilo Castlevania”. A arte, as músicas, a ambientação. Não simplesmente um cara matando monstros.

Não adianta simplesmente colocar uma armadura vermelha

Talvez o pessoal da Mercurysteam tenha perdido a oportunidade de iniciar sua própria franquia “ação-terror” de sucesso, como por exemplo aconteceu com Devil May Cry e a Capcom, anos atrás.

Até mesmo as “magias” são muito mais pé-no-chão do que deveriam. Você tem um sistema básico de magia negra / magia branca que influencia seus golpes durante o combate, e só. Nada de Dark Metamorphosis ou Soul Steal, ou nada das magias de Shanoa. Nada da chuva de água benta de Richter. Apesar disso, o sistema de magias influenciando os golpes ficou, mais uma vez, muito bem feito e fluído.

Difícil explicar o que define o estilo Castlevania

Outra coisa que mudou foi o andamento do jogo. Você não está em uma aventura do começo até o final sem parar, com alguns diálogos surpresa apresentando a história aos poucos. LoS é apresentado na forma de capítulos de um livro. Você termina uma fase, recebe uma página de texto imensa com um narrador de fundo. Passa outra parte do jogo, acaba mais um “capítulo” de jogo com ranking, pontuação, etc, e recebe outra imensa página de texto com narrativa. Isso se repete umas 30 vezes até o final do jogo, sem mudar. Na minha opinião, quebrou um pouco a imersão e continuidade da aventura. Você é constantemente lembrado de que está jogando fases de um jogo e ganhando pontos.

Agora, deixando as comparações de lado: no geral, o maior “defeito” que encontrei é que jogo é muito bem produzido e polido até demais. Isso deixa o jogador mal acostumado a ponto de, quando um leve deslize da equipe desenvolvedora se deixa transparecer, quando um defeitinho fica evidente, o jogador facilmente se revolta e fica inconformado por alguns segundos. Porque comparado ao resto, aquele defeitinho vira uma atrocidade, uma coisa muito tosca. Por exemplo, durante o jogo todo você pode cair de certos lugares ou plataformas que representam um risco, e precisa manter sua atenção aos comandos, e isso é bom porque é um desafio. Em outras plataformas que são apenas uma passagem de cenário, você não pode cair, e isso é muito bom, porque seria idiota você morrer naquela parte. Tudo isso faz sentido. Só que em um certo momento numa certa fase, você precisa simplesmente saltar de um lugar a outro no cenário mas a colisão com o seu chão é tão porcamente implementada e mal-feita que só de tentar se posicionar, você fica caindo feito um idiota e morrendo, como se atravessasse uma fenda no piso. Em um momento que não faz sentido! Pequenos detalhes em algumas situações como essa se sobressaem muito num game bem produzido como LoS. Coisa que escapou durante os testes de qualidade.

Olha! Grotesco! Tem uma imperfeição ali!!

Outra coisa que não posso deixar de dizer: durante minhas primeiras 5 horas de jogo, eu tinha odiado o fato de os desenvolvedores considerarem os jogadores como idiotas. A cada 10 segundos aparece no topo da tela alguma mensagem com o que você deve fazer. Coisas do tipo “abra o portão usando a alavanca” ou “desvie do ataque do boss usando L2 e depois ataque com quadrado”. Isso chegou a um ponto em que estava ridículo, o jogo ficava mandando você seguir ordens, e não te deixava pensar. Apesar de isso ter durado tempo demais, eventualmente foi se amenizando bastante. Até o final do jogo, essas frases nunca chegaram a parar, mas ficaram muito mais espaçadas e o jogo conseguiu ficar legal e não-intrusivo. Só acho que ao invés de 5 horas de tutorial forçado, podia ter sido uma meia hora.

Dito tudo isso, espero que esse meu texto tenha uma grande utilidade aos futuros jogadores de Lords of Shadow: Joguem esse jogo. Eu recomendo, mesmo. É muito, muito bom. O sistema de combate é dos mais fluidos que já vi. As fases são muito envolventes e o jogo como um todo é um ótimo desafio, claramente criado por amantes de games. A história é bem legal, e o deixa curioso para continuar. O jogo todo tem um certo carisma, um apelo que eu particularmente preferi muito mais do que o de God of War e seu Kratos revoltado. Terminei o jogo em quatro sessões de várias horas cada uma.

Jogue, aproveite, e não espere encontrar Castlevania em momento algum. Curta Lords of Shadow, ou “Project Mask” como era o verdadeiro nome do game antes de ser comprado pela Konami. Não espere nada de Castlevania durante o jogo, até os créditos finais.

Como esse foi um game “pronto” e comprado, agora minha esperança é de que o pessoal da Mercurysteam tenha ganho confiança da Konami, e começe a produzir do zero um Castlevania de verdade, como próximo lançamento deles, trazendo elementos familiares da série ao nível técnico de LoS. Resta saber se o ego dos espanhóis vai se submeter ao desejo ardente dos fãs de Alucard e Cia. Sim, por favor!

Parece que o duelo vai ter que aguardar

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