A consequência dos jogos casuais em seu público-alvo

novembro 12, 2010 at 12:25 pm 3 comentários

por Luna Ishtar

Recentemente assisti a um desses vídeos, que agora estão populares no youtube quando se quer xingar alguém ou algo, de uma mulher conhecida como Tullaluana fazendo suas reinvindicações em relação aos games casuais como Colheita Feliz e Segredos do Mar. O que para muitos foi uma piadinha, despertou-me para uma questão bem séria. Para ser bem sincera não achei nem um pouco engraçados os tais vídeos, achei triste.

Quando resolvi investir em uma carreira artística, voltada pra trabalhar com games, fui inspirada por jogos que até hoje divertem as pessoas como Mario, Zelda, Sonic, Final Fantasy.  Muitos dos novos game designers e programadores também foram motivados por jogos como estes e aspiram fazer parte da equipe de um jogo tão memorável quanto um God of War. No entanto surgiu uma nova vertente na indústria dos games, que pelo lado positivo incentiva mais pessoas a não se sentirem intimidadas com jogos virtuais, mas o lado negativo tem repercutido até na vertente hardcore. A simplificação de muitas coisas nos jogos, o excesso de tutoriais e a presença de “Navy’s” (guias), que não só “guiam” o jogador por toda a fase mas na verdade contam tudo que se há pra fazer nela restando ao jogador só seguir as instruções dadas, são uma influência negativa dos jogos casuais.

Saibam porque após o pulo.

Na maior parte das vezes os jogos casuais são bem simplificados. No entanto a coisa está despencando pro simplório, pro alienante, um jogo no qual você vai gastar seu tempo e dinheiro e o máximo que vai conseguir em troca é uma fazenda maior e ficar num loop eterno fazendo as mesmas coisas desde o primeiro nível até os mais avançados. Mas nem todos os jogos casuais são assim, em sua maioria eles são mais interativos e leves. O problema disso está no público-alvo. As grandes empresas de games descobriram uma mina de ouro com a chegada desse público e ao invés de aproveitarem essa chance para fazer um produto que valha a pena, conformam-se em fazer uma coisinha qualquer que está bom. Esse público é composto por todo tipo de pessoa, desde gamers, sua mãe, seu pai, crianças e adultos. Eles se aproveitam dessas pessoas, dispostas a gastar dinheiro real com pequenas coisinhas nos jogos, para extorquir o máximo possível delas.

Algumas destas são pessoas que ao exemplo de Tullaluana realmente tem um problema e se veem trancadas em casa consumindo produtos mais fúteis e fáceis de digerir possíveis como Big Brother, novelas da globo e jogos como Colheita Feliz. Não estou defendendo a causa dela nem criticando, estou citando-a como uma das muitas pessoas que consomem esses produtos casuais. Ela de fato me lembrou de alguns casos de jogadores super-viciados de WoW (eu já joguei WoW, tá? Não precisam atirar pedras ‘^^), e mesmo assim o que WoW oferece ao jogador em troca é muito melhor do que uma colheita feliz, com um grande cenário pra explorar e vários jobs diferentes e muito conteúdo legal. No entanto a dependência que o jogo cria é muito parecida com Colheita Feliz, com a diferença que enquanto no WOW você ainda tem que pensar na melhor estratégia pra passar de uma raid, no Colheita Feliz tudo o que você tem de fazer é clicar nas coisinhas, só! A Blizzard está constantemente lançando conteúdo novo, novas classes e raças, tudo isso muito bem feito – caso contrário ela perde o seu consumidor. No entanto para manter uma pessoa jogando Colheita Feliz, você só precisa inventar alguns objetos novos, fazer uma eventual promoção e as pessoas podem continuar jogando eternamente. E isso dá muito dinheiro, porque se bobear existem mais pessoas jogando Colheita Feliz do que pessoas jogando WoW.

 

WoW: Muito mais do simplesmente ficar fazendo level.

Esse é um assunto muito delicado, recentemente vimos empresas grandes e renomadas como a Capcom perdendo seus maiores game designers como o Keiji Inafune (Mega Man ), Shinji Mikami (Resident Evil), Hideki Kamiya (Devil May Cry) dentre outros,  tudo isso porque elas estão cada vez mais focadas no próprio bolso do que em fazer um produto de qualidade pro consumidor. Está acontecendo um fenômeno de certa perda de identidade de algumas franquias que, para vender mais, tentam copiar de qualquer jeito alguma fórmula de um jogo que dá certo, como por exemplo o Castlevania: Lords of Shadows em relação a God of War, que não deixou de ser um bom jogo, mas perdeu aquela essência gótica sempre presente nos jogos anteriores. Mesmo jogos novos como o Dante’s Inferno têm receio de criar algo novo e se prendem a uma fórmula pré-concebida, mas com um retorno financeiro garantido. A solução pra quem ainda sonha em fazer jogos mais do que simplesmente apertar um botão, com um level design bem pensado, com um visual bem legal, músicas cativantes e uma história interessante está nas pequenas à médias empresas de jogos indie. Jogos como Braid ou até mesmo Plants VS  Zombies.

 

Precisamos de mais jogos inspiradores como Braid

Eu ainda acredito que indústria de games vai dar muitas reviravoltas e espero poder ver jogos muito interessantes destinados ao público casual, no entanto acho bom pensar bastante no público-alvo que você quer atingir e que tipo de jogo você almeja criar. Mesmo os jogadores e apreciadores é importante ter em mente o que está acontecendo pra podermos influenciar a industria de maneira que tome um caminho mais positivo e menos alienante.

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3 Comentários Add your own

  • 1. Boca-Fox (William)  |  novembro 13, 2010 às 10:17 am

    Vi o tal vídeo e o que vi, foi uma pessoa, que possui algum problema de saúde que a impede de realizar outras atividades e que encontra nos casual games, uma alternativa de preencher seu tempo.

    Em uma matéria do André Breder colunista do Gaga Games, muita gente critica estes jogos, obviamente, que não são direcionados aos hardcore gamers, mas os Social Games, tem um papel importante. Trabalho com assistência técnica em computadores, atendendo principalmente Lan House e Cyber Café, a quantidade de senhores e senhoras de meia idade pra cima, cuidando de suas fazendas e afins, é absurda, pessoas que nunca pegaram em um joystick estão jogando! Considero isso importante, mas é preciso ser feito com seridade e responsabilidade.

    Forte abraço!

    Responder
    • 2. Luna Ishtar  |  novembro 14, 2010 às 1:26 pm

      Muito obrigada pelo comentário Boca-Fox.

      Sim, você tem razão quando fala de pessoas que nunca pegaram em um joystick e que estão diariamente cuidando de suas fazendas em lan-houses. Não nego o poder nem a importancia dos social games, no entanto eu acredito e desejaria que eles fossem mais do simplesmente isso entende? Eles tem um potencial muito grande e podem abrir as portas para outros tipos de jogos voltados aos casuais do que simplesmente um administrador. Jogos que exigem um pouco mais, não no sentido de reflexos nem coordenação, mas que tenham uma história pra contar ou um propósito.

      De qualquer forma, muito orbigada pela sua colaboração opinando sobre o assunto.

      Responder
    • 3. Rafael "Barry" Ventura  |  novembro 14, 2010 às 1:50 pm

      Eu acho que nem jogos de “administrador” eles são… afinal, não importa o que o jogador faça, a fazenda só pode melhorar, nunca piorar. É apenas uma competição com amigos de “o meu é maior”. É extremamente prejudicial.

      Responder

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