Especial: jogos não-licenciados – Parte 7

julho 23, 2010 at 5:00 pm 2 comentários

por maxi

Semana passada nós vimos os jogos não-licenciados de Master System. Hoje começamos a parte da matéria correspondente ao sucessor do mesmo, o Mega Drive, que inclusive já teve um lançamento desses noticiado aqui, que vocês conferem logo mais.

Diferente do Super Nintendo, o Mega Drive nunca teve nenhum tipo de proteção para impedir a publicação de jogos sem a licença da Sega. O motivo para tal ainda é incerto, poderia ser para baratear custos de produção ou mesmo uma demonstração de mais flexibilidade da empresa para com as demais, em um incentivo de verem no console uma melhor opção em relação aquela do lado da Nintendo, lembrando que quando o mega foi lançado o nes ainda estava firme no mercado, e ainda bem no início do snes as políticas impostas por ela para com as produtoras ainda estavam de pé. Mas o que nos interessa nisso tudo é que essa característica do mega propiciou (e ainda propicia) uma maior atuação da pirataria no console, além é claro de uma também grande presença de homebrews.

Em 2005, um grupo de desenvolvedores independentes conhecido como Super Fighter Team resolver lançar um novo título para o Mega Drive (o primeiro em 8 anos contando aquela data). Eles pegaram Xin Qi Gai Wang Zi, um título não licenciado lançado no Taiwan em 96, traduziram todo o jogo e corrigiram diversos bugs presentes na versão original. Após as negociações com a C&E, empresa que originalmente lançou o jogo por lá, receberam permissão para comercializar o mesmo em outras terras, e aí surgiu Beggar Prince.

Nesse jogo só tem uma pessoa no grupo, mas ele dá conta do recado.

Algo curioso a se tomar nota é que Beggar Prince consegue a façanha de ter 32 megabits, sendo maior que todos os RPGs licenciados do Mega Drive (a nível de comparação, Phantasy Star 4 tem 24 megabits). Mas isso se justifica pelo ótimo trabalho geral do jogo, que tem músicas legais, gráficos muito bonitos e um bom tempo de duração. A história se baseia no clássico conto “O príncipe e o mendigo”, onde o príncipe conhece um andarilho que é a sua cara e coloca o mesmo para substituí-lo enquanto resolve conhecer mais diretamente seu próprio reino, mas acaba vítima de um plano sujo por seu ministro que descobre a farsa. Foi uma ótima escolha para início desse trabalho do Super Fighter Team de reviver o console, só que nem tudo foram flores. Na primeira tiragem do jogo (lançado como region free), foram notados bugs que passaram despercebidos por eles, como por exemplo um que impede o progresso de ser salvo caso você jogue em um mega acoplado com um Sega CD e/ou 32X. Felizmente à partir da segunda tiragem todos foram resolvidos. Hoje, no entanto, não é mais possível adquirir o jogo no site oficial deles, pois o mesmo não é mais produzido, o que é uma pena já que era realmente bom. Um review bacana sobre ele pode ser conferido no Sega-16.

Podem falar o que quiserem, mas para mim esse estilo de capa americano...

... quando bem produzido dá uma surra naquelas japonesas com os personagens desenhados em estilo mangá.

O segundo lançamento deles, que aconteceu em 2008 e foi noticiado aqui, é de um outro RPG não licenciado conhecido como Wukong Wai Chuan/Legend of Wukong. Este, baseado na lenda “A jornada para o Oeste”, conta a história de um jovem que vai parar na China antiga através de uma máquina do tempo e acaba vivenciando a história de Son Gouku. Só que, ao contrário de Beggar Prince, Legend of Wukong é um jogo bem medíocre, com gráficos de início de carreira do Mega Drive e sistema de combate e visual pouco inspirados. No entanto, existem alguns detalhes legais como o retrato dos personagens nas batalhas mudando de expressão conforme a situação. Mesmo que este lançamento não tenha sido afetado pelos bugs presentes na primeira tiragem de Beggar Prince, não teve tantas vendas como seu antecessor, pelo menos até este momento, seja pelos problemas já citados no jogo ou medo de novos bugs dos consumidores.

Magic Son Gouku, magic Son Gouku... ops, RPG errado!

Mesmo assim, recentemente um dos membros do Super Fighter Team declarou no fórum do Sega-16 que eles irão lançar, ainda este ano, mais um RPG para o mega, atualmente em fase final de tradução. Embora existam mais umas quatro ou cinco possibilidades, eu sinceramente espero que o anúncio seja do ótimo Ya-Se Chuan Shuo, que é o RPG mais foda desses não-licenciados para o console. Enquanto que eu não posso falar muito sobre a história por razões óbvias, os gráficos rivalizam os de Beggar Prince e o sistema de batalha foi feito em cima daquele visto em Lunar, onde seus personagens e monstros se deslocam pelo cenário a cada turno podendo ou não acertar uns aos outros se conseguirem se aproximar antes da ação terminar. O amigo do personagem principal, por exemplo, é mais fraco mas possui um alcance de ataque maior, devendo ser posicionado sempre atrás de seu parceiro para evitar o dano. As músicas também são boas, mesmo que estejam atrás de outras já vistas no console. Enfim, se anunciarem esse jogo eu vou comprar sem pensar duas vezes.

Esse sim me fez querer aprender mandarim.

Um outro título que merece destaque é Brave Battle Saga (ou Barver, graças ou engrish dos criadores), recém traduzido por um usuário do Sega-16. Esse sim, embora não tenha um sistema de combate tão bom (desta vez feito em cima de Final Fantasy), tem gráficos embasbacantes, que rivalizam os de RPGs para o Super Nintendo. Inclusive um detalhe interessante é que o mesmo foi lançado na Rússia com o nome Final Fantasy, muito provavelmente para tentar se beneficiar em cima da franquia. Só que outro fato curioso e que impossibilitaria seu lançamento por aqui é que alguns modelos foram copiados de jogos oficiais do snes, mais especificamente Secret of Mana e a série SaGa, ambos da Square, não de maneira escancarada mas ainda sim impossível de não ser percebido no caso dos cenários. A história gira em torno de Tim, um jovem que vai participar de um festival em sua vila onde o filho encrenqueiro do prefeito é morto por um acidente e a culpa acaba caindo indevidamente sobre o herói, expulso de lá. Também é possível visualizar os inimigos caminhando pelo cenário assim como em Chrono Trigger. Para quem tiver curiosidade, o patch de tradução pode ser baixado no romhacking.

Barver, for great justice. All your base are belong to us.

Tivemos poucos jogos hoje mas ficamos por aqui assim mesmo. É interessante observarmos, com tudo isso, até onde algo pode ser considerado ou não pirata, motivo pelo qual eu dei nome para a matéria de “Jogos não-licenciados” ao invés de “Jogos piratas”. Os jogos do Super Fighter Team, mesmo dentro das normas de propriedade intelectual e licenciados pelas empresas orientais que originalmente os criaram, perante a “lei” ainda podem ser considerados jogos piratas, já que a Sega não licenciou os mesmos para saírem no Mega Drive. Porém, a algum tempo atrás, a própria Sega enviou um comunicado ao WaterMelon Team, que está fazendo Pier Solar, informando que não pode dar suporte ao jogo por ser lançado para uma plataforma antiga mas deseja boa sorte aos caras pelo trabalho, uma espécie de carta branca informal.

Semana que vem teremos conversões de títulos famosos de outros consoles para o Mega Drive.

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Uma boa notícia que na verdade é uma má notícia Parcerias Ahoy!

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